Uma advogada de São Paulo é alvo de uma operação da Polícia Civil gaúcha nesta segunda-feira (23). A mulher é suspeita de coordenar um grupo criminoso que aplicou um golpe virtual em uma diretora de escola de Canoas.
Ao todo, são cumpridos nove mandados de busca e apreensão em quatro cidades paulistas.
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Foto: Polícia Civil/Divulgação
A diretora foi enganada pelos criminosos que se passaram por funcionária do Google, oficial de justiça e advogada. Segundo o relato da vítima, uma mulher entrou em contato por telefone, oferecendo a atualização de informações da escola na ferramenta de busca. O nome da instituição não foi divulgado.
Semanas depois, a diretora recebeu novas ligações. Mas dessa vez era cobrança por esse suposto serviço. A golpista se passou por oficial de justiça do Distrito Federal e informou que a vítima estaria inadimplente.
“Temendo a negativação de seu nome e possíveis consequências profissionais, a diretora realizou os pagamentos’, informou a Polícia Civil. O golpe resultou em um prejuízo de R$ 144 mil para a vítima após sucessivos pagamentos.
O caso começou ainda em agosto de 2025. Após a denúncia no mesmo mês, a Polícia Civil abriu investigação que identificou uma associação criminosa especializada em diversos tipos de golpes. A articulação é feita por uma advogada de São Paulo.
Os mandados de busca e apreensão são cumpridos nas cidades de São Paulo, Ferraz de Vasconcelos, Itaquaquecetuba e Várzea Paulista. Também foi determinado o bloqueio das contas bancárias dos investigados.
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Falsa cobrança
Tudo começou com uma ligação em agosto de 2025. A diretora estava na escola quando atendeu o telefone. Do outro lado da linha, uma suposta funcionária do Google afirmou que precisava confirmar o endereço da escola no site. A diretora forneceu as informações sem desconfiar.
“No dia seguinte, a mesma pessoa voltou a entrar em contato e enviou um documento para assinatura. A diretora assinou o arquivo eletrônico sem realizar a leitura detalhada do conteúdo. Logo após o episódio, saiu de férias”, relata a Polícia Civil.
Quando retornou, a cobrança começou. Uma mulher, que se apresentou como oficial de justiça do Distrito Federal, afirmou que a vítima seria protestada por inadimplência. A falsa cobrança se refere ao suposto serviço.
Segundo a Polícia, os golpistas “provaram” a contratação do serviço, fornecendo o telefone da empresa responsável – número que havia ligado para a diretora antes das férias. “Ao ligar para o contato indicado, foi informada de que teria contratado um serviço de divulgação da escola na plataforma Google e que estaria inadimplente”, detalha a investigação.
Nesse momento, foi feita uma nova cobrança, mas para cancelar o suposto serviço. A vítima teria que pagar três parcelas de R$ 955 como taxa rescisória do falso contrato. A diretora pagou, temendo ter o nome negativado.
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Mais cobrança
O golpe não parou por ai. No dia seguinte, a falsa oficial de justiça entrou em contato novamente, afirmando que o nome da diretora permanecia negativado. Dessa vez, ela indicou que a vítima conversasse com uma advogada da empresa.
“A partir desse momento, o golpe se intensificou. Sob o argumento de que seriam necessárias taxas adicionais para cancelamento definitivo do contrato e retirada do protesto, a falsa advogada passou a exigir novos pagamentos”, destaca a Polícia.
Segundo a investigação, a vítima já estava emocionalmente abalada e sob forte pressão psicológica. Nesse cenário, a diretora realizou 119 operações bancárias até chegar a R$ 144.052,92.
Após a denúncia, em agosto de 2025, a 3ª Delegacia de Polícia de Canoas começou as investigações. Um dos desdobramentos é a operação realizada nesta segunda-feira.