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Drama na torneira

Água mineral é usada para fazer café e até mesmo para lavar a louça em Canoas

Gosto ruim e coloração incomum afetam vários bairros; Corsan garante que não há risco para o consumo da população

Publicado em: 21/01/2025 às 11h:27 Última atualização: 21/01/2025 às 11h:44
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Quem vive na área do quadrante noroeste de Canoas – que abrange os bairros Igara, Estância Velha, Olaria e Guajuviras – para beber, ou simplesmente usar água, com alguma qualidade, nos últimos dias, precisou tirar alguns trocados da carteira para comprar mineral.

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O atendente Alberto Perez explica que o movimento não para de pessoas que reclamam da água em casa



O atendente Alberto Perez explica que o movimento não para de pessoas que reclamam da água em casa

Foto: LEANDRO DOMINGOS/GES-ESPECIAL

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As reclamações, em geral, para a água distribuída pela Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan), apontavam “cheiro ruim”, “gosto de terra” e “cor de barro” ao tratar do líquido que descia pelas torneiras desde o último final de semana.

Moradora do bairro Estância Velho, a vendedora Cláudia Santos, 37 anos, disse ter comprado bombonas de água mineral não apenas para que ela, o marido e o bebê tomassem. A água acabou sendo usada até para lavar a louça por estar “encardida”.

“Lá em casa, posso garantir, a água nunca esteve tão ruim”, reclama. “Faltou durante uns dias na semana passada e, desde que voltou, não parece normal. Saía encardida e não deu para usar nem para lavar a louça. Usei mineral para deixar tudo limpo”.

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Já o aposentado Olívio Andrade, 74 anos, sentiu o gosto ruim logo pela manhã do último sábado, quando a mulher preparou um cafezinho. Ficou enjoado, inclusive. Tratou de buscar bombonas para não se sentir doente.

“É brabo a gente não conseguir usar a água nem para tomar um café em paz”, desabafa. “Na minha idade, não dá mais para ficar ingerindo porcarias, mas é o que aconteceu. Estava saindo uma água com gosto de terra que chega a dar nojo”.

Cheiro ruim

O problema não é restrito somente aos moradores do quadrante noroeste, conforme aponta a confeiteira Sandra Nogueira. Ela diz que no bairro Mato Grande vive o mesmo drama, embora “menos pior” que na loja em que trabalha no bairro Igara.

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“Moro no Mato Grande e posso garantir que a água lá é de péssima qualidade”, afirma. “Só não é pior que a que sai da torneira aqui no prédio onde trabalho. No último sábado, estava trabalhando e não consegui usar. Cheirava muito mal. Nunca vi água cheirar”, lamenta a trabalhadora de 53 anos.

Enorme demanda

O problema criado pela água de má qualidade em Canoas está levando a uma enorme procura por bombonas de água mineral neste começo de ano. A demanda sempre existiu, porém, a procura nunca foi tão grande, aponta o vendedor Alberto Perez, que trabalha em um dos principais pontos de distribuição da cidade.

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“O nosso estoque diminuiu muito, porque o movimento não para”, esclarece o trabalhador da Planeta Água. “O pessoal chega sem parar. Encostam o carro e levam quantas bombonas conseguem. Todos reclamam que a água cheira mal, tem gosto ruim e não dá para usar para nada”, completa.

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Proprietário da Planeta Água, Rubens Corrêa diz que trabalha há mais de duas décadas com a distribuição de água mineral em Canoas. Está acostumado, durante o período do verão, quando baixam os rios, a receber enorme demanda.

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“O problema existe há décadas”, comenta. “Só que sempre me pareceu meio geral. Neste ano, porém, parece afetar somente a população de Canoas. Eu não sei se a Corsan se posicionou sobre o assunto, mas, com certeza, isso é um problema ligado à captação. Só não sei como podem resolver”.

O que diz a Corsan?

Por meio de nota encaminhada pela assessoria de comunicação, a Corsan ressalta que está intensificando o tratamento da água captada no Arroio das Garças para evitar a interferência no odor e sabor. A Companhia reforça que não há risco para o consumo da população. A Corsan também confirma que enviará equipes aos bairros citados para verificar as observações pontuais de moradores.

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A Corsan defende que a água distribuída à população passa por rigoroso processo de purificação. Somente depois de todos os procedimentos de controle de qualidade, com mais de 500 testes diários de amostras, feitos nos laboratórios da Companhia, é que a água sai das estações de tratamento e daí para os reservatórios, onde é armazenada para ser enviada aos clientes.

As amostras passam também pelo Laboratório Central de Águas, localizado em Porto Alegre, e atende os 317 municípios do Rio Grande do Sul abastecidos pela Corsan.

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São monitorados cerca de 100 parâmetros exigidos pelas portarias de Potabilidade, do Ministério da Saúde, e de Agrotóxicos, da Secretaria Estadual de Saúde. Desta forma, a água chega às torneiras sem risco da permanência de algum elemento que possa ocasionar riscos à saúde.

A Companhia aponta que possui competência técnica reconhecida pela certificação ISO 17.025, do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro). Isso representa a garantia da qualidade da água oferecida.

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Por fim, a Corsan ressalta que está permanentemente à disposição em seus canais de relacionamento com os clientes e recomenda que a população utilize esses meios de contato com a Companhia para solicitações, pedidos de informação ou para fazer comunicados. Isso agiliza a tomada de providências e a mobilização das equipes de serviço.

Estão disponíveis o aplicativo Corsan (pelo telefone celular), site www.corsan.com.br (na Unidade de Atendimento Virtual), WhatsApp (51) 99704-6644 e ligações gratuitas pelo número 0800-646-6444.

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