É normal a movimentação nos postos de combustíveis de Canoas na tarde deste domingo (22), apesar da tensão devido à guerra no Oriente Médio aumentar o alerta de desabastecimento.
A reportagem circulou por postos no começo da tarde deste domingo. Encontrou somente um com os reservatórios de diesel e gasolina baixos, conforme informação da gerência do estabelecimento à beira da BR-116.

Foto: LEANDRO DOMINGOS/GES-ESPECIAL
O restante dos postos averiguados estava operando normalmente e com baixo movimento, embora existisse uma discrepância entre os preços vistos em diferentes pontos da cidade.
O litro da gasolina pode ser visto entre R$ 6,59 e R$ 6,99, a depender do estabelecimento. À beira da BR-116, o preço sobe, encostando nos R$ 7. Já nos bairros, é possível observar postos com preços mais em conta.
Já o diesel, combustível que é o mais cobiçado no interior do Estado em meio à crise, pode ser visto em Canoas variando entre R$ 7,25 e R$ 7,75, mas este preço pode mudar já a partir desta segunda-feira (23).
Conforme explicou um frentista à reportagem, a situação pode piorar, caso os caminhões de reposição não cheguem a partir do começo desta semana, levando ao desabastecimento das unidades.
“Ainda não faltou, mas os reservatórios estão baixos”, apontou o frentista Luís Antônio Maciel. “A gente está esperando caminhões para chegarem entre hoje à noite e amanhã de manhã. Se os caminhões não chegarem, vai faltar”, conclui o trabalhador de 48 anos.
Motorista de aplicativo atuando em Canoas e Porto Alegre para complementar renda, o aposentado Alfredo Garcia, 63 anos, observa que a capital já sente bem mais o impacto do conflito no Oriente Médio.
“Em Canoas, eu ainda não vi nenhuma placa indicando que não tem combustível, mas em Porto Alegre já tem”, afirma. “Até porque lá o movimento é bem maior, então imagino que tem mais gente procurando encher o tanque quanto antes.”

Foto: LEANDRO DOMINGOS/GES-ESPECIAL
Procon está atento
Na última semana, o Procon Canoas organizou uma ofensiva para vistoriar os estabelecimentos da cidade. Foram quatorze fiscalizados após uma série de denúncias recebidas pelo órgão relacionadas a preços considerados abusivos.
Diretor do Procon Canoas, Vinícius Rabaioli esclarece que houve uma varredura em estabelecimentos, mas nenhuma irregularidade foi achada. Todos os postos estavam em conformidade com a lei.
“Apuramos as denúncias, mas não constatamos preços abusivos sendo cobrados para o diesel e a gasolina”, afirmou. “Mas vamos continuar apurando.”
Sulpetro se posiciona
Em nota o Sulpetro, que representa o setor dos combustíveis no Rio Grande do Sul, aponta que “os postos de combustíveis estão sentindo o impacto das restrições causadas pela crise que atingiu o setor produtivo de petróleo (refinarias) e o fluxo de estoque das distribuidoras.
Na avaliação da entidade, “a crise global desencadeada pela guerra no Oriente Médio afetou diretamente os preços internacionais, restringindo a importação dos produtos. A importação tem forte impacto no suprimento da demanda, haja vista que a Petrobras não atende 100% do mercado com produto refinado”.
Para o sindicato, “a Refinaria Alberto Pasqualini (Refap) atende, além do RS, outros estados, não sendo sua produção destinada exclusivamente para os gaúchos. Assim, com o aumento da demanda sobre os produtos refinados, a Petrobras está impondo cotas para a retirada de produtos pelas distribuidoras, o que afeta o mercado revendedor”.
Por fim, o Sulpetro salienta que “como segmento representante da categoria, manifesta preocupação quanto ao ambiente apreensivo que o mercado de combustíveis está apresentando, neste momento, e informa que tem estado em contato constante com órgãos públicos e distribuidoras, buscando minimizar as dificuldades de abastecimento”.