Com ouvidos atentos aos murmúrios dos bugios e com olhos vidrados no colorido das araras, os alunos da Escola Estadual Especial (EEE) Brigadeiro Ney Gomes participaram de uma visita guiada ao Mini Zoológico de Canoas, o Minizoo, nesta quinta-feira (17), no bairro Marechal Rondon. Além de conhecer os animais, os visitantes puderam acompanhar uma ação de Páscoa com ilustres moradores do local.
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Foto: Nicole Goulart/Especial
Os 22 estudantes, acompanhados de familiares e professoras, viram de perto as capivaras, tucanos, papagaios, bugios, sagui, lontras, jabutis, quatis e araras. Estas foram as preferidas do Douglas dos Santos, 24 anos. “Eu gostei”, conta. A mãe do jovem, Senilda da Rosa, também não escondeu a satisfação com o passeio. “Eu achei muito legal essa ideia. Uma coisa para sair da escola com eles é muito bom”, afirma.
Separados em dois grupos e passando de espaço em espaço, os alunos também aprenderam um pouco sobre o trabalho realizado pelos funcionários do Minizoo e a origem dos animais que residem no local. E foi com esse objetivo que a visita foi solicitada pela escola, segundo a professora Camila Simões Pires. “Temos um projeto que é o Plantamos o que Comemos e estamos estudantes os animais domésticos e silvestres. Eles viram a descendência dos cachorros e se apaixonaram pelo lobo guará. E daí veio a ideia de trazer a turma para o Minizoo”, conta.
No clima da Páscoa
O dia também foi especial para os animais. Cada um recebeu sua alimentação de um jeito divertido para entrar também celebrarem a Páscoa. A ação, assim como os picolés em dias de calor e no carnaval, fazem parte do enriquecimento alimentar, influenciando comportamentos naturais e gerando bem-estar.
“Tiramos eles da rotina. São animais que ficaram em cativeiro e foram tratados como pets. Então, imagina vocês sem poder sair de casa e comer sempre a mesma coisa do mesmo jeito?”, ensina a bióloga responsável pela educação ambiental, Renata Gautier, para a turma. “Os alimentos fazem parte da dieta deles, nada tóxico e nada que eles possam se machucar”, completa.
O biólogo Henrique Maciel da Silva, encarregado da iniciativa, descreve como foi a alimentação dos animais. “Os tucanos receberam um tronco, cheio de furos, com feno dentro e ovinho de codorna para eles. Eles adoram ovo de codorna e como é Páscoa, eles receberam seus ovinhos. Eles teriam que olhar um troco, que estava no recinto antes, ver o que tem dentro. Eles são desconfiados, então demoram um pouco para ir. Eles têm que achar um jeito de enfiar o bico e encontrar o ovo”, explica.
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Foto: Nicole Goulart/Especial
No caso dos macacos-prego, o Chico e o Nico, receberam cascas de ovo com tinta comestível recheadas de amendoim. “O amendoim é importante para nutrição deles. Eles adoram tanto que foi a primeira coisa que pegaram. Eles tinham que achar um jeito de chegar nesses amendoins”, relata. A sagui Kate recebeu larvas de besouro dentro de um ninho com ovos e os quatis, um caixa temática de Páscoa com feno e ovo.
“É para tirar eles da rotina e hoje foi mais importante ainda por termos recebido a primeira turma de 2025 com um colégio para fazer uma visita guiada e era uma turma especial. Também nos tira da rotina porque recebemos turmas especiais, mas não com tanta frequência. E foi uma turma muito boa, conseguimos mostrar bastante coisa para eles. Foi uma experiência bem legal para todo mundo, para nós, os animais e os visitantes”, completa o biólogo.
Primeira visita de muitas
Sem dúvidas foi uma ótima experiência para o Lucas Lima, 22. Animado com o passeio mesmo antes do portão do Minizoo abrir, às 10 horas, o jovem pode dizer que se divertiu aprendendo sobre os animais. “Muito legal. Eu gostei do quati. Achei ele bem maneiro e grande. Também gostei do macaquinho que ganhou comida”, comenta. E esta foi a primeira visita ao espaço, mas não será a última. “Eu quero voltar sim”, destaca.
Não foi a estreia da Claudia Antunes, mas foi a primeira vez no zoológico depois muitos anos, como observa a professora. “Está muito interessante. Fazia tempo que não vinha aqui. Para os alunos é importante e para as mães também ter esse tipo de atividade. E elas [as guias] explicaram tudo muito bem.”

Foto: Nicole Goulart/Especial
O impacto no desenvolvimento social dos alunos é destacado pela supervisora Andreia Valasco. “É principalmente por eles saírem do ambiente escolar e se inteirarem mais em um ambiente público, onde eles conseguem se deslocar. Não é só um passeio. Eles aprenderam muitas coisas junto com as famílias”, frisa.
Uma dessas famílias também a do André da Rosa, 18, que veio acompanhado da mãe, Andreia Teresinha da Rosa. “Tem muitas crianças que infelizmente não tem condições de passear porque ficam abrigadas só com as avós ou só com as mães. Aí tem outros filhos também e não tem condições de dar um passeio e a questão da condução também. É bom porque vai agregar para o desenvolvimento deles. O Mini Zoológico ele é bom porque é compacto e as crianças tem a possibilidade de prestar mais atenção, de ver mais os bichos”, observa.
Visita guiada
As escolas e universidades interessadas em uma visita guiada podem entrar em contato com Minizoo para agendamento. As atividades são marcadas de acordo com a agenda pré-estabelecida do local para não ter conflito de horário com os outros trabalhos. O contato pode ser feito pelo telefone (51) 997871078.