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À espera de ajuda

Aos 72 anos, dona Alice cuida de mais de 50 gatos, em uma pequena casa, no Centro de Canoas

Trabalho voluntário foi iniciado na época das enchentes, segundo a professora aposentada. Os doadores de ração, porém, sumiram

Publicado em: 12/08/2025 às 14h:57 Última atualização: 12/08/2025 às 19h:00
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Quem circula pela Rua Cândido Machado, no Centro de Canoas, pode notar a quantidade de gatos que podem ser vistos na área sobre telhados, em cima dos muros ou andando de um lado para o outro da movimentada via.

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O que todos eles têm em comum? Todos os gatos da área se alimentam no mesmo lugar: uma pequena casa de alvenaria que pertence a professora aposentada Alice Goulart Fernandes. Aos 72 anos, ela cuida de mais de 50 gatos.

Alice alimenta mais de 50 gatos, que são vistos no pátio e dentro de casa | abc+



Alice alimenta mais de 50 gatos, que são vistos no pátio e dentro de casa

Foto: PAULO PIRES/GES

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E que ninguém diga que dona Alice sonhava em viver cercada de felinos; pelo contrário, teve somente cães ao longo da vida. E sobre a quantidade de animais em casa, ela mesma lembra de cuidar, no máximo, de dois cachorros.

A história de Alice mudou lá em 2023, quando uma vizinha querida morreu, deixando órfãos nada menos que 15 gatos. Ela passou a cuidar e tratar os animais. Alimentava e cuidava de eventuais machucados.

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Foi durante as enchentes de 2024, entretanto, que essa história mudou novamente. Do dia para a noite, a água tomou metade de Canoas e a professora, conhecida pelo carinho com os animais, passou a receber mais gatos em casa.

“Eles vinham e traziam dois, cinco ou 12 gatos de uma só vez”, lembra. “Só que na época eu recebia muita ração também. Então conseguia cuidar direitinho e alimentar a todos, sem problema nenhum.”

Com o passar do tempo, pessoas que ajudavam doando quilos de ração sumiram. Hoje, a aposentada gasta mais de R$ 2 mil por mês para alimentar os felinos, conforme relata.

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“Deixaram os bichinhos, alguns diziam que voltariam para buscar, mas, na verdade, nunca voltaram”, lamenta. “Faço o que é necessário, mas está complicado, porque eu não tenho dinheiro para estar comprando ração toda hora.”

Adoções

Dona Alice mora em uma casa com a irmã de 84 anos e mais o sobrinho que tem 60 e cuida da mãe. Nenhum deles tem saúde para correr atrás dos felinos que circulam pelo pátio e pela casa.

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“Eu cuido, alimento, dou água e trato das feridas, quando aparecem machucados”, diz. “Só que não sei por quanto tempo vou conseguir manter este ritmo, porque não param de aparecer mais gatos.”

Ela lembra que, durante um período, estava conseguindo adoções constantes para os filhotes que nasciam. Com o passar do tempo, entretanto, até mesmo isso se tornou inviável.

“No início, se nasciam seis filhotes, eu conseguia que pessoas adotassem quatro, restavam dois”, explica. “Com o tempo, o número foi baixando e hoje em dia parece que ninguém mais quer ter um gatinho em casa.”

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Amizade

Na hora das refeições, é difícil não se impressionar ao ver a aposentada alimentando até mesmo 30 gatos com potes de ração. A cena é curiosa ainda porque há um cão que circula no meio dos gatos.

O nome do cão é Sultão e, segundo dona Alice, mantém uma ótima relação de amizade com os felinos, sem que sejam vistas brigas em casa ou no pátio, por onde circulam em harmonia o cão e gatos.

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“Nunca vi problema”, diz. “Sultão é manso e os meus gatinhos só querem brincar, além de serem alimentados no horário. Não tem essa coisa de cão e gato brigando aqui em casa.”

Para ajudar

Quem estiver disposto a ajudar a Alice com ração ou na adoção dos animais que ela mantém em casa, pode procurá-la pelo WhatsApp. O telefone para contato é o (51)99182-9090.

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