Após o não recebimento dos salários atrasados, os médicos terceirizados do Hospital Universitário de Canoas (HU) decidiram restringir a oferta de procedimentos eletivos, cirurgias e internações. A paralisação começou na sexta-feira (31). Segundo a Prefeitura de Canoas, os valores atrasados do mês de novembro serão quitados até o dia 15. O acordo foi firmado em uma reunião com representantes da categoria médica no HU, no sábado (1º).
No entanto, o Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers) espera ter uma nova reunião nesta terça-feira (4), à tarde. “Julgamos ser de suma importância. [As restrições] podem terminar tranquilamente, assim que a Prefeitura entender que é preciso pagar. Todos precisam receber pelo fruto do seu trabalho”, afirma o presidente da entidade, Marcelo Matias.
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Foto: Simers/Divulgação
De acordo com a categoria, a remuneração de novembro, que deveria ter sido paga em janeiro, não foi depositada. Com mais um atraso, os médicos contratados como Pessoa Jurídica (PJ) decidiram pela paralisação.
“Os médicos continuam atendem os pacientes internados. Já as cirurgias eletivas desta terça-feira não sabemos como vai ser. Pode ter um restrição, redução. Ficamos sabendo que um grupo de anestesistas recebeu o pagamento, é um forma da Prefeitura garantir as cirurgias”, comenta Matias.
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Em nota, a Prefeitura de Canoas afirma que está trabalhando para colocar as questões pendentes em dia. “Já realizamos mutirões de cateterismos e de mamografias, as cirurgias já estão andando, pagamos uma parte do que estava em atraso com os médicos e agora firmamos este compromisso para o dia 15”, disse o prefeito Airton Souza.
A Associação Saúde em Movimento (ASM), administradora do hospital, informou que não vai se manifestar sobre a paralisação dos médicos.
Situação parecida no HPSC
Os médicos do HU não são os únicos com os salários atrasados. Profissionais que trabalham no Hospital de Pronto Socorro de Canoas (HPSC) também estão sem receber os valores dos meses de novembro e dezembro. Apesar da situação, seguem trabalhando sem paralisação.
De acordo com o Simers, uma assembleia na última sexta-feira (31), determinou o prazo de 48 horas – a contar a partir desta segunda-feira – para a direção técnica do hospital acertar a situação dos pacientes e das escalas dos médicos. “Caso não seja resolvido, corre o risco de ruptura dos contratos dos médicos”, alerta o presidente do sindicato.
Recurso estaduais
Com o intuito de ajudar a resolver a situação, o governo do Estado deve repassar R$ 1,9 milhão para a Saúde de Canoas, nos próximos dias. Dentro deste valor, cerca de R$ 1.468.784,34 será destinado ao HU, enquanto que R$ 441.908,16, para o HPSC. A informação foi confirmada pela Secretaria Municipal de Canoas. A pasta ainda relata que o repasse deve ser feito antes do dia 15 de fevereiro com o intuito de aliviar as dívidas do município na área da Saúde.
Reunião com hospitais
Nesta segunda-feira (3), o prefeito Airton Souza se reuniu com as equipes do HU, HPSC e Hospital Nossa Senhora das Graças (HNSG). Na sexta-feira (31), a Secretaria de Saúde já tinha promovido um encontro para debater a cooperação entre as três instituições. “Foi um encontro para traçar estratégias de melhoria dos serviços prestados à comunidade”, explica o secretário Eduardo Bermudez.