Escolhido para o comando da maior entidade empresarial de Canoas, a Câmara de Indústria, Comércio e Serviços (Cics), o empresário Dautro Ribeiro, 63 anos, compartilha sua trajetória profissional, os desafios e planos para a gestão 2026–2027 da entidade reconhecida como um pilar essencial no fomento ao desenvolvimento econômico e social.

Foto: Taís Forgearini/GES-Especial
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Formado em Ciência Contábil, Ribeiro atua na cidade desde 1990. A relação dele com a Cics começou em 2002, quando atuou como tesoureiro do então presidente Zenon Leite Neto. Após seis anos na diretoria, afastou-se para focar em sua empresa e na docência, retornando em 2019 como vice-presidente de Serviço e, posteriormente, vice-presidente administrativo financeiro.
Com foco na comunicação e no associativismo, o novo presidente enfatiza o fortalecimento da comunicação da Cics, tanto digitalmente quanto fisicamente. Ribeiro afirma que a Cics muitas vezes não é bem compreendida, especialmente nos bairros.
Entre os planos, tem como meta esclarecer o papel da entidade na comunidade e aumentar significativamente o número de associados, visando dobrar a base atual de mais de 500 empresas associadas, desde Microempreendedor Individual (MEI) até pequenas, médias e grandes empresas, como multinacionais.
Para o empresário, a relação com a administração municipal é essencial para conectar o poder público com as necessidades do empresariado canoense. O presidente expressa o desejo de recuperar a posição econômica de Canoas, que já foi a segunda cidade em Produto Interno Bruto (PIB) do Rio Grande do Sul. Atualmente, o município ocupa a terceira posição, perdendo para Porto Alegre e Caxias do Sul.
Em entrevista ao Diário de Canoas, o presidente avalia o cenário empresarial do município, demandas e projeções para os próximos dois anos à frente da Cics. A posse está prevista para março de 2026.
Confira a entrevista
DC – Como o senhor avalia o atual cenário empresarial de Canoas?
Ribeiro – Nos últimos anos, teve pandemia, depois teve a enchente em 2024. Nos bairros, o impacto ainda é bastante sentido pelo setor empresarial. Eu vejo que o empresário canoense é muito resiliente. Tivemos alguns empresários que ficaram muito abalados, saíram, quebraram, isso acontece. No entanto, passado o tempo, a gente vê que as coisas vão mudando.
A gente vê algumas empresas que foram afetadas 100% no seu patrimônio, nas suas instalações voltaram, mas não ficaram no patamar onde estavam. Os empresários quiseram ir além. Então, reconstruíram as suas empresas e até aumentaram as suas instalações, por exemplo.
Nós tivemos no ano passado muito aumento de impostos. Isso desanima o empreendedor. No local, tivemos a questão do ISSQN. A Cics foi atuante na busca de não aumentar por motivos óbvios. Ficamos decepcionados com o aumento para vários setores. Contudo, a abertura e chegada de novas empresas é um ponto positivo. A redução da criminalidade é uma ótima notícia para o ambiente de negócios, porque faz as empresas ficarem mais à vontade para se instalar na cidade.
DC – Quais são as principais demandas do setor empresarial na cidade?
Ribeiro – Precisamos ter um ambiente de negócios mais ágil. Alvarás que saiam rápido e serviços públicos mais ágeis para a instalação de empresas no município.
É fundamental destravar o PCI [Parque Canoas de Inovação], revitalizar praças e áreas comerciais negligenciadas. Por exemplo, são diversos negócios que sofrem com acúmulo de lixo, ausência de manutenção dos espaços públicos e falta de estacionamento no entorno. Existe uma máxima: “No parking, no business” [Sem estacionamento, sem negócio]. As passarelas do trem também precisam de uma revitalização, são locais de ampla circulação e importantes ambientes de negócios.
O apoio governamental federal, estadual e municipal é necessário, não queremos aumento de nenhum tipo de imposto. A mera discussão sobre um aumento de imposto, como o ICMS ou ISSQN, pode paralisar investimentos e contratações por meses, gerando um atraso para o município. Os empresários querem ver vontade política e querem ser protagonistas do desenvolvimento aqui na cidade.
DC – Para sua gestão na presidência, quais são as metas e planos?
Ribeiro – Formei a maior equipe diretiva da história da Cics, com 22 vice-presidentes – o máximo permitido pelo estatuto. A visão central é transformar a entidade em um palco de bons negócios e um ambiente agradável para fazer negócios.
Vamos defender a liberdade de empreender para fazer bons negócios, para investir e criar ambientes de trabalho que tornem a cidade pujante. A Cics, com 86 anos de história, continuará sendo o ambiente onde a gente discute situações. As dores dos empresários são as nossas dores.
Vamos monitorar e discutir o impacto da reforma tributária. Queremos manter um diálogo constante com o poder público para influenciar pautas importantes e garantir um ambiente favorável a investimentos. O compromisso da Cics é continuar sendo a voz do empresariado de Canoas para a comunidade. Por meio de programas, também vamos fortalecer a capacitação de jovens que estão entrando no mercado de trabalho. Além de ampliar a comunicação e o associativismo.