Foi uma cena de cinema: ao meio-dia do dia 18 de julho de 2025, o motorista de um Ford Focus* acabou crivado de balas após ser perseguido por atiradores na Avenida Engenheiro Irineu Carvalho Braga, no bairro Rio Branco, em Canoas.
Os atiradores estavam em um carro de luxo blindado e não descansaram até ver o Focus colidir com um ônibus que circulava na via. Só então o crime foi dado como encerrado. Eles deram meia volta e fugiram na contramão.

Foto: POLÍCIA CIVIL/REPRODUÇÃO
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Quase dois meses depois, a Polícia Civil organizou uma ação: a Operação Esquadro, que na manhã desta quarta-feira (10) levou à cadeia quatro suspeitos do crime e também de um assassinato, cometido dias antes, no bairro Fátima, em Canoas.
A ofensiva foi organizada pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa de Canoas, que levou pouco mais de um mês para identificar os envolvidos nos crimes. Todos eles pertencentes a uma facção criminosa do Vale dos Sinos.
Segundo a delegada Graziela Zinelli, titular da DHPP de Canoas, a apuração concluiu que a facção determinou a morte de um jovem 19 anos no Rio Branco e do homem de 29 anos que conduzia o Focus por conduta não condizente com a organização.
“Eles pertenciam a núcleos da organização criminosa”, explica. “Apresentaram condutas não condizentes com a hierarquia da facção e acabaram brutalmente assassinados a tiros.”
Foram cumpridos nove mandados de busca e apreensão nesta quarta-feira em Canoas e também em Novo Hamburgo. Embora não houvesse mandado de prisão expedido, três suspeitos acabaram presos. Dois porque estavam armados e outro por ser procurado pela Justiça.
“São todos criminosos fichados e considerados de alta periculosidade”, esclarece a delegada. “Há suspeita que seriam gatilho da organização e, ao que tudo indica, estavam envolvidos nos assassinatos.”
Chefe de facção preso no bairro Lomba Grande, em Novo Hamburgo
Um quarto criminoso foi preso no bairro Lomba Grande, em uma área rural de Novo Hamburgo. Ele é apontado como uma liderança da facção criminosa e suspeito de ordenar os assassinatos.
O homem de 30 anos destruiu o aparelho celular no momento em que a Polícia Civil executou a batida na propriedade. O aparelho ficou em pedaços instantes antes da prisão.
“Ele vai responder por obstrução da investigação ao destruir uma evidência que provavelmente o ligava aos crimes”, esclarece. “Porque a suspeita que temos é que ordenou os assassinatos.”
Nu na escadaria
A operação lançada pela Polícia Civil nesta quarta-feira contou com a parceria do 15º Batalhão da Polícia Militar (BPM) de Canoas, que ligou o sinal de alerta e reforçou o policiamento logo após o primeiro assassinato cometido pela facção no bairro Fátima. Somente um mês depois houve o segundo assassinato, no Rio Branco, bairro vizinho da área.
Foi durante a madrugada do dia 17 de junho que criminosos fortemente armados, se identificando como policiais, invadiram um condomínio no bairro Fátima, onde executaram um jovem de 19 anos com diversos tiros. O alvo dos atiradores estava dormindo e tentou escapar, mas não foi muito longe. Acabou alvejado, ainda nu, na escadaria do prédio no momento em que fugia.

Foto: POLÍCIA CIVIL/REPRODUÇÃO
Manos em Canoas
A ação criminosa organizada no dia 18 de julho acabou sendo gravada por uma câmera acoplada ao ônibus da empresa Sogal em que bateu o Focus perseguido por atiradores.
Por meio das imagens, a Polícia Civil identificou o veículo usado, um carro de luxo preto, blindado, que serviu de pista até a localização dos criminosos envolvidos.
A capacidade ofensiva dos criminosos, que não pouparam balas de pistola 9 milímetros durante as execuções, e o veículo blindado usado deixaram em evidência a presença da facção dos Manos em uma área antes controlada por outra organização em Canoas.
“Atiradores em carro de luxo blindado”, confirma Graziela. “Eles invadiram um prédio e executaram uma vítima no primeiro crime e cometeram o segundo assassinato à luz do dia e sem se preocupar em serem vistos, o que é pouco comum.”
Veja o vídeo
* Correção: Inicialmente, a reportagem dizia que ocarro era um HB20. A informação foi corrigida.