
Foto: PAULO PIRES/GES
A mais nova batalha aconteceu em maio do ano passado, quando a carioca precisou fugir da casa em que vivia no bairro Rio Branco, quando as águas do dique invadiram o terreno e ameaçaram sua vida. De lá para cá, as dificuldades aumentaram.
Aos 44 anos, perdeu a independência e precisou de muito apoio para voltar a conseguir um lar. Foi graças ao suporte de amigos e admiradores do esporte que ela conseguiu dar a volta por cima.
“Assim como a maioria, eu saí de casa somente com a roupa do corpo”, recorda. “Cheguei no Rio Grande do Sul em 2021 e nunca pensei que passaria por algo parecido. Foram necessárias algumas horas para que tudo acabasse debaixo d’água”.
Hoje estabilizada em uma pequena casa no bairro São Luís, Krystal, que soma mais de 300 medalhas como atleta paralímpica, celebra um recomeço. Ela acaba de garantir uma parceria com a academia do Clube dos Empregados da Petrobrás (Cepe) para retornar à atividade física.
“É um recomeço após um ano atípico”, explica. “Estou muito feliz pela oportunidade de poder treinar na academia do Cepe e garanto me doar o máximo para que esta parceria seja benéfica para ambos”.
Estrutura
Com enorme experiência e durante anos competindo se valendo de patrocínios da iniciativa privada, Krystal hoje depende de colaborações para competir. Antes da parceria com o Cepe, garantiu voluntários como treinador e guia para as corridas.
Ela carece, no entanto, de estrutura. Isso porque, mesmo que tenha ganho roupas, agasalhos e até materiais para casa após o período das cheias, faltam camisetas, shorts, tênis e equipamentos que acabaram submersos quando tudo acabou debaixo d’água.
“Hoje recebo o equivalente a um salário-mínimo como ajuda, que não cobre nem as despesas de aluguel e coisas para casa, além de uma cesta básica, então digamos que estou sobrevivendo, um dia após o outro, com dificuldade, mas expectativa é boa e acredito que a situação possa melhorar”.
Dificuldade
Como forma de se sustentar, Krystal fez cursos de culinária e está se especializando em confeitaria, já mirando vendas durante o período da Páscoa que se aproxima. Acabou tendo que lutar novamente contra o preconceito.
“Eu sou uma mulher cega, então luto contra o preconceito desde a adolescência”, afirma. “Como uso muito as redes sociais para tudo, acabo escutando um monte de coisas, inclusive agora, quando dizem que eu não poderia cozinhar”.
Quem experimentou as receitas de Krystal, aprova. Isso porque, ela brinca ao dizer, basta uma panela e os ingredientes adequados para garantir o bom resultado, sendo a falta de visão, neste caso, somente um detalhe.
“Eu misturo os ingredientes e manuseio tudo na cozinha como qualquer outra pessoa”, defende. “Então me surpreende que alguém diga que não posso cozinhar. Afinal, minha panela é igual a que todo mundo tem em casa”.
Preparação
Responsável pela academia e gestor esportivo do Cepe, o professor Marcos Pires Cavalheiro explica que comandará pessoalmente o processo de recondicionamento físico de Krystal até que ela esteja em plena forma novamente.
Ele conta que se sensibilizou pela postagem da atleta, por meio das redes sociais, e decidiu que iria ajudá-la. O auxílio, ele garante, não será apenas físico. Haverá também suporte bem longe das esteiras e anilhas.
“Ela passou um tempo parada, então será montado um programa de recondicionamento para a atleta, mirando fortalecer a musculatura”, esclarece. “Em paralelo a isso, temos muita experiência na elaboração de editais e projetos para atletas. Queremos também ajudar nesse sentido”.
Cavalheiro lembra que o Cepe abrigou centenas de pessoas durante o período mais crítico das cheias no ano passado. A visão social e humanista do clube se estende a atletas em dificuldades como o caso de Krystal.
“Foi impossível não me sensibilizar pelo apelo dela nas redes sociais”, salienta. “Canoas e o Estado passaram por muitas dificuldades no ano passado, de modo que fornecer o espaço e a estrutura adequada para que ela se recupere é uma satisfação muito grande”.
Contato
Quem estiver disposto a conversar com a Krystal e quiser colaborar com o retorno da atleta, seja por meio de patrocínio ou doações, pode entrar em contato com ela pelo WhatsApp (51)99464-4115. Também é possível acompanhá-la ou contatá-la por meio do Instagram no perfil @atletakrystaloficial.