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QUALIDADE DE VIDA

Canoas é a cidade que mais evoluiu no saneamento básico, aponta ranking

Corsan aumenta em 102,65% o investimento no tratamento de água na cidade

Taís Forgearini
Publicado em: 13/11/2025 às 17h:05 Última atualização: 13/11/2025 às 17h:05
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O acesso ao saneamento básico ainda é um dos principais desafios das cidades. Para cumprir a meta ambiciosa (e necessária) para universalizar o conjunto de serviços, o País almeja contemplar 99% da população com acesso à água potável e 90% com coleta e tratamento de esgoto até o ano de 2033. Atualmente em revisão, o Plano Nacional de Saneamento Básico (Plansab), do Ministério das Cidades (MCid), estima que será necessário o investimento de R$ 882,4 bilhões.

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No Rio Grande do Sul, o município de Canoas subiu 12 posições na 17ª edição do Ranking do Saneamento, realizado anualmente pelo Instituto Trata Brasil em parceria com a GO Associados. A lista contempla as 100 cidades mais populosas do Brasil. Com cerca de 348 mil habitantes, Canoas ocupa a 67ª posição no ranqueamento, que utiliza indicadores mais recentes do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (Sinisa), ano-base 2023, publicado pelo MCid.

Apesar dos avanços, ainda 416 famílias canoenses vivem em áreas irregulares que dependem de caminhão-pipa para encher suas caixas d'água | abc+



Apesar dos avanços, ainda 416 famílias canoenses vivem em áreas irregulares que dependem de caminhão-pipa para encher suas caixas d’água

Foto: Paulo Pires/GES

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“O Ranking do Saneamento também apontou Canoas como a única cidade da Região Sul entre os cinco municípios brasileiros que mais evoluíram no saneamento básico. No último ano, ampliamos o investimento médio em saneamento básico de R$ 81,80 para R$ 166,01 por habitante em Canoas, ou seja, melhoramos os indicadores de qualidade dos serviços de água e esgoto oferecidos à população”, destaca a gerente de Relações Institucionais da Região Metropolitana da Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan), Renata Weisheimer Rohde. O aumento é de 102,65%.

Investimento

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Para ela, a posição alcançada por Canoas reflete os investimentos realizados pela Corsan, como a implementação e manutenção de redes, instalação e reestruturação de estações de bombeamento de esgoto, limpeza e manutenções periódicas em grades e tampas das tubulações, e recuperação de bombas, motores e painéis das estações de tratamento.

“No sistema de esgotamento sanitário, por exemplo, já foram aplicados mais de R$ 156,7 milhões em dois anos, desde que o Grupo Aegea assumiu o controle da Companhia. Já no sistema de abastecimento de água, entre julho de 2023 e setembro deste ano, foram investidos cerca de R$ 36 milhões em obras como execução de redes, aquisição de bombas, instalação de geradores e equipamentos, automação da estação de tratamento, perfuração de poços tubulares profundos, troca de painéis de controle e reformas”, explica.

Corsan planeja aplicar R$ 1,5 bilhão no RS

Dos 497 municípios do Estado, 317 são atendidos pela Corsan. De acordo com a empresa, para cumprir a meta de universalização do saneamento básico, a companhia planeja investir R$ 1,5 bilhão por ano até 2033. “Seguimos com investimentos nas cidades gaúchas, com foco na qualidade dos serviços e desenvolvimento. Todos os projetos da Corsan, tanto para abastecimento de água como para coleta e tratamento de esgoto, estão direcionados à universalização do saneamento básico previsto pelo Marco Legal do Saneamento, estabelecido por lei federal.”

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PPP do esgoto tem 55% de cobertura

Desde 2020, a Corsan possui Parceria Público-Privada (PPP) com a Ambiental Metrosul para esgotamento sanitário em Canoas. O contrato possui vigência por 35 anos. “Em Canoas, atingimos 55,68% de cobertura de esgoto [até dezembro de 2024]. O objetivo é alcançar a meta nacional até 2033. No bairro Mato Grande, temos a Estação de Tratamento de Esgoto com concepção de sistema de lodos ativados. A segurança hídrica também concentra esforços. Temos em operação no sistema da cidade 46 Estações de Bombeamento. Com uma vazão média de 240 litros por segundo, conseguimos 20,736 milhões de litros diários.”

De acordo com a gerente, o investimento de R$ 10 milhões destinado pela Corsan para a compra de geradores de energia elétrica aumentou a segurança no abastecimento de água. “Foram adquiridos 13 equipamentos. Oito foram instalados na Estação de Tratamento de Água [ETA] no bairro Rio Branco e cinco na ETA Niterói. Os geradores são essenciais no combate ao desabastecimento de água durante fenômenos climáticos adversos.”

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100% de abastecimento de água

Segundo dados oficiais da Corsan, Canoas possui 100% da cidade com cobertura de água. No entanto, Renata reconhece que áreas consideradas irregulares, como moradias e loteamentos construídos sem aprovação da Prefeitura, não entram no cálculo. “A regularização fundiária é fundamental para que a Corsan possa atender a esses locais. É um tema complexo. Estamos em contínuo contato com a Prefeitura e demais órgãos competentes. Sem a regularização das moradias, não é possível incluir na cobertura realizada pela nossa companhia. Esperamos que, em um futuro próximo, todas as áreas ainda irregulares sejam regularizadas”, diz Renata.

Conforme a Secretaria Municipal de Serviços e Zeladoria Urbana, cerca de 416 famílias têm suas moradias que não possuem ligação direta com a rede de abastecimento de água. As residências são abastecidas por meio de caminhões-pipa em diferentes bairros. A Prefeitura de Canoas é responsável pela contratação do serviço de abastecimento.

“A ação garante o acesso à água potável a moradores de áreas onde o serviço ainda não chega, assegurando melhores condições de higiene e qualidade de vida. Atualmente, cerca de 416 famílias são atendidas diariamente em diferentes bairros da cidade. O abastecimento é feito de forma regular, conforme a demanda das comunidades e o monitoramento das equipes da Secretaria”, diz a nota da Prefeitura.

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“Não tenho mais esperanças”

Jaisson Barros Medeiros, 21 anos, mora com a esposa e duas filhas, de 2 e 4 anos, à margem da BR-386, a Tabaí-Canoas. O ajudante de carga e descarga conta sobre o dia a dia em uma casa que não possui saneamento básico. “Infelizmente, minha família e eu estamos abaixo do mínimo. Se o caminhão-pipa não passar, ficamos sem água. Sou morador há dez anos e há uma década escuto promessas vazias. Não tenho mais esperanças de que o nosso loteamento seja regularizado. Meu sonho é ser contemplado no Compra Assistida, estou na fila. Não temos nada. Ligação de água, esgoto tratado e recolhimento de lixo não fazem parte da nossa realidade”, desabafa.

Jaisson Medeiros mora com a família às margens da BR-386 | abc+



Jaisson Medeiros mora com a família às margens da BR-386

Foto: Paulo Pires/GES

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Medeiros explica que cada residência possui uma caixa d’água. Os reservatórios foram ligados pelos moradores até as torneiras e chuveiros das casas. “São cerca de 50 famílias. Cada uma precisou comprar a sua caixa d’água e fazer a ligação com canos. A minha caixa é como a da maioria, ou seja, pequena. A capacidade é de 500 litros. Tenho duas crianças. Vai tudo em um dia. Essa água não é apropriada para beber. Eu compro água mineral. A parte do banho também é horrível, porque não tem pressão adequada. Geralmente, o caminhão-pipa passa de segunda a sexta-feira. Às vezes no sábado também, mas no domingo nunca. Se não economizar de um dia para o outro, fica sem”, desabafa.

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