Com o objetivo de capacitar voluntários e agilizar a resposta a eventos climáticos extremos, a Prefeitura de Canoas inaugurou o primeiro Núcleo Comunitário de Proteção e Defesa Civil (Nupdec) neste sábado (14) no bairro Mathias Velho. A iniciativa é da Secretaria Municipal da Defesa Civil e Resiliência Climática em parceria com a Associação Voluntários para o Serviço Internacional Brasil (AVSI Brasil).
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Foto: Paulo Pires/GES
Localizado nas dependências da Associação da Horta Comunitária União dos Operários (Hocouno), o espaço conta com capas de chuva, capacetes, boias, lanternas, botas, geradores, rádios e demais materiais necessários para agir em situações extremas. Mas para tudo isso funcionar em prol da comunidade, a capacitação se faz necessária.
Para isso, mais de 20 voluntários passaram por aulas teóricas também neste sábado. Resgate e salvamento de pessoas e animais, primeiros socorros e preparo psicológico fazem parte da formação deste grupo. São moradores que se colocaram a disposição da comunidade e que foram indicados pelas associações de bairro para ocupar esse espaço. Além disso, cada um deve ter a sua função dentro do núcleo, como acolhimento ou resgate.
O treinamento continua no dia 28 de junho com uma simulação. A atividade deve contar com o apoio das secretarias municipais da Saúde, Segurança Pública e Mobilidade Urbana, além da própria Defesa Civil e Corpo de Bombeiros.
Para o secretário da Defesa Civil, Vanderlei Marcos, essas ações também fazem parte da prevenção e resposta a eventos extremos. “O sistema de proteção não é somente as obras dos diques que estão sendo feitas, não somente a recuperação das casas de bombas ou outras obras de drenagem. Mas sim, também, o preparo da nossa população. Países que já vivem com essa cultura, como Japão e Holanda, conseguem ter menos danos porque tem uma população com essa cultura de prevenção e treinamento”, ressalta.
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Conhecer as necessidades
Além do Nupdec no bairro Mathias Velho, outros nove centros serão inaugurados em Canoas, seguindo as subprefeituras. A proposta é que cada núcleo atenda as necessidades da sua região. A próxima a ser aberta atende os bairros São José e Igara, cuja capacitação deve estar voltada para a resposta a sinistros envolvendo as empresas de gás e a Refinaria Alberto Pasqualini (Refap). Ainda não há data para a abertura.
A Defesa Civil entende que através dos núcleos será possível identificar famílias atípicas, pessoas com dificuldade de locomoção ou com deficiência visual, ou seja, grupos que precisam de um suporte maior na hora de um resgate, por exemplo. O monitoramento e levantamento de informações das peculiaridades dos bairros também abrangem animais de grande porte.
No Mathias Velho, o núcleo utiliza as dependências da horta comunitária, cujo espaço foi indicado pela própria população. Segundo os moradores, a água chegou a bater 1,20 m de altura, menor do que outras partes do bairro.
Para o assessor de projetos da AVSI Brasil, Heli Mansur, essa identificação da comunidade com o lugar ajuda na atuação dos voluntários. “É um espaço de referência que não alagou tanto. Isso é importante para um grupo capacitado e unido que vai ser responsável pelo primeiro atendimento”, frisa. A entidade trabalha com as associações de bairro e buscou a pasta municipal para desenvolver o trabalho.