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Esporte

"Canoas já foi maior": Reni Bertolla completa 40 anos na presidência da Liga Canoense de Futebol

Considerado o guardião e a memória futebolística da cidade, presidente mantém viva a chama do esporte

Publicado em: 22/04/2026 às 09h:54 Última atualização: 22/04/2026 às 13h:52
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As novas gerações Z e Alfa talvez não saibam, mas Canoas já foi chamada de a “terra do esporte” e, neste cenário, o futebol atraía atletas amadores de cidades distantes somente para jogar na “cidade do avião”.

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Sim, o futebol amador de Canoas movimentou durante décadas homens, mulheres e crianças para campos de futebol. E essa história tem como protagonista a Liga Canoense de Futebol (LCF).

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Aos 85 anos, Reni Israel Bertolla é a força motriz da Liga Canoense de Futebol (LCF) | abc+



Aos 85 anos, Reni Israel Bertolla é a força motriz da Liga Canoense de Futebol (LCF)

Foto: LEANDRO DOMINGOS/GES-ESPECIAL

Se a Liga permanece viva e organizando torneios, é devido ao empenho de pessoas que mantêm a chama acesa. Entre elas, há Reni Israel Bertolla, que completa, neste ano, 40 anos como presidente da entidade.

Seu Reni, aos 85 anos, representa a resistência do esporte diante das adversidades. Defende a missão de fazer futebol com pouco dinheiro e muita força de vontade. Isso porque não há incentivo à “várzea”.

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Se antigamente a bola reinava soberana no chamado “país do futebol”, hoje o esporte parece mais uma atividade diante de tantas outras que existem para preencher o tempo da molecada.

“Antigamente, o menino crescia e ganhava uma bola”, lembra. “Era o brinquedo que acompanhava durante boa parte da vida. Hoje, a realidade é outra. E nosso empenho precisa ser maior para atrair a gurizada.”

Esperança

Após uma pandemia e as enchentes que interromperam as disputas em Canoas, a Liga conseguiu garantir seis competições do começo ao fim no ano passado, o que, diante do quadro, já é considerado uma vitória.

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Para se ter uma ideia do tamanho que o futebol amador já teve na cidade, a Liga Canoense chegou a organizar até 18 competições em um só ano, abrangendo desde torneio dente de leite até as tradicionais disputas entre “coroas”.

“Em resumo, hoje os clubes bancam a arbitragem e cabe à Liga garantir as premiações necessárias e organizar o certame”, explica o presidente. “É uma retomada com a esperança em dias melhores para o nosso futebol.”

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Arquivos da Liga possuem fichas cadastrais de atletas ao longo da história em Canoas | abc+



Arquivos da Liga possuem fichas cadastrais de atletas ao longo da história em Canoas

Foto: LEANDRO DOMINGOS/GES-ESPECIAL

Modernidade

Quem entra na sala do presidente da Liga, Reni Bertolla, encontra-o em uma escrivaninha onde está pousada uma rústica máquina de escrever, instrumento usado para criar as fichas dos atletas inscritos em competições.

Mas como é que seu Reni, tão apegado ao passado, poderia adaptar a Liga Canoense de Futebol aos novos tempos de redes sociais e postagens que são a realidade das novas gerações?

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A resposta é simples: se adaptando, ora. Porém, contando com colaboradores na hora de coordenar mídias e alcançar o público mais jovem, conforme explica o integrante da diretoria Luis Alberto Tavares.

“A Liga Canoense de Futebol está no Instagram, sim”, explica Luis. “Seu Reni é presidente, mas desse departamento eu mesmo cuido”, esclarece o 1º Tesoureiro da Liga. “Ali a gente avisa dos jogos, posta imagens e resultados.”

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A comunicação na Liga acabou sendo reforçada por um jornalista experiente, ele explica. A ideia é aumentar o diálogo especialmente com o público mais jovem e assim continuar a atrair guris bons de bola.

“Temos que tentar fazer com que a gurizada passe menos tempo com o aparelho celular na mão”, brinca Luis. “Começamos o ano organizando competições com veteranos, mas em breve esperamos colocar a meninada em campo de novo.”

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Poder público

Embora tenha se tornado presidente da LCF em 1986, antes disso, em 1984, Reni Bertolla já fazia parte da diretoria. Ele diz que uma coisa não mudou durante todo o período: a falta de apoio do poder público.

Na avaliação do experiente Reni, o esporte parece secundário para muitos políticos. O experiente presidente vê que a bola inserida em um contexto dispensável na hora de conversar sobre recursos.

“A gente nota que em outros lugares o futebol é abraçado até pelo contexto social, mas não aqui. Metade dos campos da cidade desapareceu por falta de incentivo nos últimos anos, sem que o poder público agisse”, lamenta.

Nemézio Miranda de Meirelles, à esquerda, é figura lendária do futebol, em Canoas | abc+



Nemézio Miranda de Meirelles, à esquerda, é figura lendária do futebol, em Canoas

Foto: ARQUIVO/GES

História

Foi em 1942 que um ex-militar da aeronáutica chamado Nemézio Miranda de Meirelles, então à frente do Futebol Clube Canoense, criou a Liga Canoense de Futebol.

A ideia surgiu dos esforços do Clube Canoense com o Esporte Clube Brasil, Sport Club Oriente, Grêmio Esportivo Niterói e Frigorífico Brasil (hoje Frigosul) ao promoverem o primeiro torneio oficial na cidade.

Bastou uma década para que o número de clubes triplicasse e o futebol de Canoas passasse a atrair atletas amadores oriundos de Portão, Montenegro, São Leopoldo e Porto Alegre.

“Canoas já foi maior”, afirma o presidente Reni Bertolla. “Ainda recebemos pessoas oriundas de outras cidades para jogar, mas nada comparado com antigamente, quando ônibus cheios saíam do interior para participar das nossas competições.”

Veja o vídeo

Reni Bertolla completa 40 anos na presidência da Liga Canoense de Futebol

 

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