Entre os meses de janeiro a abril de 2026, Canoas contabilizou 16 doações de córneas. O serviço de captação realizado no Hospital Nossa Senhora das Graças (HNSG) contempla pessoas que aguardam na fila de espera em todo o Rio Grande do Sul, que atualmente possui aproximadamente 1,2 mil pacientes.

Foto: Paulo Pires/GES
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O trabalho do HNSG é realizado em parceria com a Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, referência em transplantes de córnea no Estado.
“O hospital faz a captação e encaminha para a Santa Casa. Lá, eles seguem a ordem de espera e urgência para realizar os transplantes. Cada doação pode mudar a vida de até duas pessoas”, explica Chicarolli.
Realizada exclusivamente após o falecimento, a doação de córneas necessita de autorização formal da família para ser feita a retirada dos tecidos oculares. Pela lei brasileira, não há documento em vida que substitua a validação dos familiares.
“Após a morte do paciente, o hospital avalia o histórico médico. Se a córnea estiver saudável e apta para o procedimento de transplante, é feito contato com a família. A autorização da doação precisa ser obrigatoriamente feita por um familiar.”
Segundo o diretor técnico, o procedimento cirúrgico para a retirada das córneas necessita ser feito em até 6 horas após o óbito. Nos primeiros quatro meses do ano, 36 famílias foram entrevistadas no HNSG. Deste total, 16 famílias autorizaram a doação de córneas.
“Após a abordagem e autorização, uma equipe técnica realiza a cirurgia de remoção em ambiente controlado e estéril. O procedimento preserva totalmente a estética do doador, não deixando marcas aparentes. As córneas doadas entram no sistema de fila única, respeitando os critérios de tempo de espera e urgência médica.”
No Rio Grande do Sul, a fila de transplante de córnea é única e gerenciada pelo Sistema Nacional de Transplantes (SNT) através da Central Estadual de Transplantes (CET/RS).
De acordo com o HNSG, ter problemas comuns de visão, como miopia, astigmatismo, hipermetropia, glaucoma ou catarata, não impede a doação, pois essas condições não afetam a estrutura da córnea transplantada.
Diferentemente de outros órgãos, a doação de córnea não exige compatibilidade de grupo sanguíneo, o que amplia as possibilidades de atendimento aos pacientes que aguardam por esse tipo de transplante.