No dia a dia, geralmente usamos o termo canoense para se referir aos moradores e não somente a quem nasceu aqui. Mas de onde vem essas pessoas que escolheram Canoas para viver, estudar e trabalhar?
De acordo com os resultados preliminares do Censo 2022, a população da cidade é formada por estrangeiros, brasileiros naturalizados e cidadãos de todas as regiões do Brasil.
A divulgação dos dados foi feita nesta sexta-feira (27), casando com o aniversário da cidade.
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Foto: PAULO PIRES/GES
Entre os pouco mais de 347 mil moradores, 460 são naturalizados brasileiros e outros 2.533 são estrangeiros, segundo as informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Ao todo, a soma dos números representam 246% de aumento em comparação com os dados de 2010. Como os dados são preliminares, não há informações sobre a nacionalidade específica deste grupo.
Mas para além dos estrangeiros, Canoas é formada por brasileiros que vieram de outras regiões brasileiras. Desde o último censo, o número de moradores que nasceram no Sudeste, Centro-Oeste, Nordeste e Norte cresceu 74%.
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Especificamente na região Sul, a quantidade de paranaenses cresceu, enquanto que a de catarinenses diminuiu. Já os nascidos no Rio Grande do Sul, somam um pouco mais de 326 mil moradores da cidade, entre os canoenses de nascença e os de coração.
Quase uma década de história
Sair de seu estado ou país de origem nem sempre é uma tarefa fácil ou possui uma motivação positiva. Muitos decidem mudar de cidade em busca de melhores condições de vida e oportunidades de emprego e estudo para si e sua família – não só oferecidos na cidade, mas também em municípios vizinhos.
E teve quem veio para Canoas e ficou. Há pelo menos dez anos, 51.727 moradores vieram de outras partes do Brasil e do exterior e permaneceram na cidade. Lembrando que os dados foram coletados em 2022.
Exceto Acre, Amapá e Paraíba, os canoenses de coração vieram de todos os estados brasileiros. Entre eles, Santa Catarina, São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia se destacam com os maiores quantidades de moradores que se mudaram de lá para cá.
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Números da migração em Canoas 2010 – 2022
Norte: 306 – 1.544
Nordeste: 1.961 – 3.584
Sudeste: 3.369 – 4.949
Sul: 315.545 – 333.546
Centro-Oeste: 650 – 894
País estrangeiro: 864 – 2.933
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Moradores também já residiram em outros países
Uma das informações divulgadas pelo IBGE, é onde os canoenses já residiram antes de se estabelecerem na cidade. São pessoas que não moraram no Brasil por cinco anos ou mais antes de 2017 – considerado a data base na pesquisa. Ou seja, não estavam em Canoas antes de 2012.
Nossos moradores passaram ou nasceram na Argentina, Austrália, Bolívia, Cabo Verde, China, Colômbia, El Salvador, Estados Unidos, Guiné-Bissau, Haiti, Holanda, Peru, Portugal, República Dominicana e Venezuela.
Muitos vieram em busca de novas oportunidades, como foi o caso dos haitianos após o terremoto em 2010; e os venezuelanos, em 2018, após a crise humanitária vivida no país.
Força de trabalho e fecundidade em discussão
A migração impacta nos sotaques, sabores, ritmos e visões de mundo. Mas além de contribuir culturalmente, também impacta na força de trabalho presente no município. Com a queda nos números da fecundidade, os imigrantes – quem reside num lugar diferente do que nasceu – são vistos como uma solução para a demanda no mercado de trabalho.
A tendência é observada no mundo inteiro e com os dados divulgados pelo IBGE é possível dimensionar a questão em todos os cantos do Brasil. Para o coordenador do Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra), Leonardo Cavalcante, a questão precisa ser discutida.
“Existe um grande debate entre os estudos migratórios. Até que ponto a gente pode colocar no imigrantes a responsabilidade por essa baixa fecundidade. Agora, nós vemos a curva decrescente no Brasil e existe um grande debate. Tem autores que defendem que sim, a imigração pode ajudar a recompor a taxa de déficit de fecundidade nos países. Mas tem outros grupos de autores que dizem que não, é muita responsabilidade”, expõe.