Após cinco meses, o Centro Humanitário de Acolhimento (CHA) Recomeço será fechado em Canoas. A transferência de 80 famílias (255 pessoas) será concluída até o dia 15 de dezembro para o CHA Esperança, que, atualmente, abriga 132 grupos familiares, o equivalente a 209 pessoas atingidas pela enchente de maio no município.
Segundo a gestora dos CHAs, a Organização Internacional para as Migrações (OIM), a medida é necessária para qualificar o serviço prestado e para ajustar a operação à capacidade da estrutura, que hoje conta com espaços suficientes para abrigar as pessoas que hoje vivem no CHA Recomeço.
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Foto: Paulo Pires/GES
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A estrutura de 9.000 m2, localizada na Avenida Araguaia, 1151, no bairro Igara, continuará funcionando até junho de 2025. O CHA Vida, em Porto Alegre, também foi renovado por igual período. Financiados pelo Sistema Fecomércio/Sesc/Senac, os espaços são uma iniciativa do governo do Estado do Rio Grande do Sul, em parceria com as prefeituras.
Após sete meses da tragédia climática, até esta quinta-feira (5), os CHAs Recomeço e Esperança totalizavam 464 pessoas remanescentes nos locais. A maioria das famílias está na fila para a compra assistida de um imóvel, pelo Programa Minha Casa Minha Vida – Reconstrução.
O casal Danúbia Nunes do Amaral, 29 anos, e Eduardo Amaral Júnior, 32, relatam que há 217 famílias acima deles na lista de espera da compra assistida. Os ex-moradores da Praia do Paquetá perderam tudo durante a inundação. Pais de três meninas, Sofia, 8, Aurora, 6, e Bella, 3, o casal fala sobre a experiência de convívio nos CHAs e a expectativa de ter um lar novamente.
“Essa é a nossa quarta mudança de espaço. Antes da abertura dos CHAs, passamos por dois abrigos. Estávamos desde julho no Recomeço, fomos transferidos para o Esperança nesta semana. Para nós será melhor porque aqui há divisão por alas. No recomeço nossa casinha ficava ao lado de outras, sem separação por ala. A segurança era um ponto de preocupação para nós”, explica Danúbia.
Diferente do CHA Recomeço, o Esperança possui dormitórios ao invés de casinhas. O local conta com 122 unidades divididas em quatro alas, entre grupos familiares, homens, mulheres e LGBTs.
“Esperamos que seja uma adaptação tranquila. Seguimos acompanhando o andamento da fila para conseguirmos um imóvel. Depois da enchente, nossa casa ficou inabitável. O trauma foi grande. Estamos na luta para que possamos morar em algum bairro no lado leste da cidade.”
No programa, as moradias são subsidiadas pela em até R$ 200 mil. Em contrapartida, a família que tiver imóvel próprio precisa doar o que foi atingido pela enchente à Prefeitura, que tomará providências para que o local não possa vir a ser ocupado novamente.
Desde o começo
Carlos Alberto Santos, 46 anos, está no CHA Esperança desde o início da abertura do local. O ex-morador do Mathias Velho fica na ala dos homens, a área é destinada família unipessoal, ou seja, composta por apenas uma pessoa.
“A casa que eu alugava ficou completamente submersa. O pouco que tinha se foi. Fiquei sem nada. Estou desempregado. Dependo do CHA para continuar sobrevivendo. Desisti do Aluguel Social [até R$ 1 mil concedido pela Prefeitura mensalmente], optei por continuar morando no CHA até quando permitirem ou até eu ser contemplado para a compra assistida de uma casa”, conta.
O canoense destaca que encontrou no CHA uma comunidade e até uma namorada. “Nos vemos nas áreas de uso em comum. Eu não posso entrar na ala só para mulheres e ela não pode entrar na ala só para homens. Respeitamos as regras. Fomos informados sobre a chegada do pessoal que estava no CHA Recomeço. Espero que não haja problemas de segurança”
Ao longo dos meses, Carlos revela que participou de cursos e oficinas profissionalizantes concedidas no CHA.
“Recebemos oficinas de culinária, para manipulação de alimentos, e cursos de empreendedorismo. Além de aprender, quando necessário, também sou voluntário para auxiliar nas tarefas do dia a dia.”
Climatizadores
Com a chegada no verão, o CHA Esperança finalizou a instalação de climatizadores. Nas próximas semanas, a estrutura deverá ventiladores. Segundo a OIM, todos os aparelhos são colocados em áreas estratégicas de uso comum. A OIM explica que por razões de segurança, nenhum dormitório possui tomada.