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INVERNO CHEGANDO

Com cerca de mil pessoas vivendo nas ruas, Canoas reforça rondas e acolhimento nas noites frias

Albergue Municipal tem conseguindo atender a demanda do período, com triagem periódica e entrevistas

Publicado em: 16/06/2026 às 14h:21 Última atualização: 16/06/2026 às 14h:22
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Com a proximidade do inverno, a situação de quem vive nas ruas em Canoas fica ainda mais complicada. Pelas ruas do Centro, é possível observar muita gente se valendo de marquises e calçadas para tentar se proteger do frio.

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Rondas de acolhimento noite adentro aumentaram devido à queda da temperatura nas últimas semanas  | abc+



Rondas de acolhimento noite adentro aumentaram devido à queda da temperatura nas últimas semanas

Foto: PMC/REPRODUÇÃO

Um levantamento divulgado pela Secretaria Municipal de Assistência Social apontou que a cidade possui aproximadamente mil pessoas vivendo em situação de extrema vulnerabilidade nas ruas.

O quadro acabou agravado devido à recessão causada pela pandemia por coronavírus, ainda em 2020, e à posterior tragédia climática, em 2024. A saber, até a pandemia, Canoas não possuía mais que 400 pessoas vivendo em situação de rua.

O aumento de 150% é condizente com a realidade do país. No Brasil, a população em situação de rua cresceu cerca de 88% entre 2020 e 2026, conforme apontamento do Observatório Brasileiro de Políticas Públicas apresentado neste ano.

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Reforço nas abordagens

Diante do cenário, a Prefeitura de Canoas reforçou as abordagens durante a noite voltadas ao atendimento de pessoas em situação de vulnerabilidade social em pontos considerados importantes.

O coordenador do Albergue Municipal de Canoas, Jalmirez Júnior, explica que as rondas acontecem em pontos considerados de maior concentração de pessoas em situação de rua em Canoas. Todos bastante conhecidos, como a Praça da Emancipação, em frente à Prefeitura de Canoas; as imediações da Estação Canoas; e debaixo das marquises da Caixa Econômica Federal, Banrisul e Banco do Brasil.

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“Vamos até o local e conversamos com eles”, afirma. “A maioria até aceita a abordagem, mas não quer vir para o abrigo. Preferem ficar na rua, onde se sentem livres e não precisam obedecer a qualquer regramento.”

Segundo o coordenador, o Albergue Municipal tem conseguido atender à demanda do período, com triagem periódica e entrevistas a cada um dos que ingressam no espaço.

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Além da oferta de acolhimento noturno com alimentação, e higiene adequada, há encaminhamentos e acompanhamento pela rede socioassistencial, o que ajuda no entendimento da população carente que está circulando por Canoas.

“Observamos que a grande maioria não é oriunda de Canoas. Eles vêm de cidades vizinhas ou mesmo do interior do Estado. Em geral, chegam após uma desavença em casa devido a uma crise envolvendo drogas e álcool”, esclarece.

Diagnóstico

Conforme apontamento da Secretaria de Assistência Social, aproximadamente 75% das pessoas atendidas são oriundas de outros municípios, o que reforça o aspecto dinâmico da circulação da população mais vulnerável.

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“Não atendemos a ninguém no Albergue Municipal que está na rua devido à tragédia que aconteceu lá em 2024, durante as enchentes”, explica. “Nosso perfil é de pessoas que circulam pelas cidades. Hoje estão em Canoas; amanhã em Sapucaia. Assim por diante.”

Movimento na entrada do Albergue Municipal, a partir das 19 horas, é intenso diariamente  | abc+



Movimento na entrada do Albergue Municipal, a partir das 19 horas, é intenso diariamente

Foto: PAULO PIRES/GES

Comida

A dúvida não é apenas de quem possui residências fixas, mas igualmente de comerciantes e lojistas: a que se deve o acréscimo observado no Centro? A resposta vem de uma pessoa que vive há anos sem um teto para chamar de seu.

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Renato Silva, 50 anos, vive “abandonado” por parentes há dez anos, nas imediações da Paróquia São Luiz Gonzaga. Nota o aumento de pessoas vivendo na área em proporção às doações que surgem desde as enchentes, em 2024.

“Aumentou o voluntariado e a maioria chega em Canoas em busca de comida”, explica. “Há dias em que voluntários aparecem com comida. Às vezes, é gente da igreja ou de alguma ONG. Tem muita gente com fome que acaba permanecendo por aqui para conseguir comer.”

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Antigo morador de Canoas que perdeu a casa, ele mesmo busca abrigo para dormir atrás de um estabelecimento próximo à Estação Canoas, bem longe da aglomeração devido ao risco que existe de ser atacado.

“Há brigas e roubos”, conta. “A gente precisa estar sempre se cuidando, porque é muita gente estranha que aparece. À noite, o perigo é maior. Muitos vêm de longe e, como não têm nada a perder, podem ser perigosos.”

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Estrutura

Canoas conta atualmente com estrutura permanente de atendimento, incluindo Albergue Municipal, Restaurantes Populares e ampliação de vagas no inverno, além da atuação integrada com as secretarias municipais de Saúde e de Desenvolvimento Econômico e Inovação, com encaminhamentos para atendimento terapêutico, qualificação profissional e acesso a oportunidades de emprego.

O Albergue Municipal está localizado na Avenida Rio Grande do Sul, 1770, no bairro Mathias Velho, em Canoas. A casa tem capacidade de atendimento de até 100 pessoas. A entrada é marcada para ocorrer entre 19 e 20 horas, com permanência até 7 da manhã do dia seguinte. Estão incluídos banho, jantar e café da manhã no pernoite. O contato deve ser feito por ligação ou WhatsApp pelo número (51) 98255-1389.

O secretário de Assistência Social, Denis Konrad, salienta a importância das ações de acolhimento executadas de forma permanente, visando, prioritariamente, a proteção à vida.

“Nosso trabalho acontece diariamente, ampliando a proteção e o acolhimento às pessoas em situação de vulnerabilidade”, afirma. “Por meio das equipes da Assistência Social, da Abordagem Social e também da Ronda Social.”

 

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