Enquanto muitos olham ao redor para contar uma história, a canoense Laura Viegas, 23 anos, decidiu transformar os seus próprios anseios em cinema. A história traz uma mulher que precisa terminar um quadro, mas tem um bloqueio criativo e se sente sufocada em sua própria casa.
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Foto: Nicole Goulart/Especial
A diretora do curta-metragem “Submersa”, gravado no ano passado, viveu a mesma situação. “A personagem lida com esses problemas, com essa ansiedade, e foi até metalinguístico porque eu estava passando por isso enquanto escrevia o curta. Então, acabou sendo uma terapia esse processo”, conta.
“Esse curta também é algo bem pessoal, faz uns oito anos que estou com essa história na cabeça, desde o ensino médio. É algo bem psicológico sobre como nós mulheres lidamos com as coisas nas nossas cabeças, inseguranças”, destaca. O curta foi feito como trabalho de conclusão no curso de Produção Audiovisual, na Unisinos, em São Leopoldo.
A produção é uma das 13 obras selecionadas para participar da mostra universitária na 3ª edição do Festival de Cinema de Canoas (Fecic). E a categoria estreante no evento tem maioria feminina: nove produções foram dirigidas por mulheres, assim como a da Laura.
Participar de momentos como este é uma oportunidade de mostrar o trabalho e seguir no ramo. “Estou ansiosa. Espero que o público se identifique, principalmente o público feminino, que é o meu objetivo. É um curta muito visual, trabalhamos com a fotografia, direção de arte, e espero que toque o coração das pessoas”, completa.
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Ternura no título, ternura na produção
Foi atenta aos detalhes que Maria Luiza Ferreira dos Santos, 20 anos, contou a história de Teresa. No curta-metragem “Ternura”, a menina fez um bolo de aniversário para Jesus no Natal. A narrativa traz diversos símbolos católicos, como o escapulário e a própria inspiração por trás.
“Ela vem da Santa Teresinha de Lisieux e da sua teologia da Pequena Via: as pequenas coisas te santificam. É uma santa que eu me aproximei muito e decidi trazer. É bem terno, por isso se chama ternura”, destaca a diretora que veio de São Paulo para estudar cinema de animação na Universidade Federal de Pelotas (Ufpel).
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Foto: Nicole Goulart/Especial
A obra é uma animação 3D e para a estudante é uma chance de trabalhar com o que mais gosta. “Fazemos muitos trabalhos reflexivos, adultos, mas esquecemos um pouco da animação infantil, que é de onde viemos, que é onde tudo começa. Eu tento resgatar isso em todos os trabalhos da faculdade e o que eu pretendo trabalhar”, comenta.
Assim como o curta-metragem da Laura, Maria Luiza colocou um pouco de si na sua produção. “Eu sou católica, então nas minhas histórias eu trago um pouco disso, da minha religião e do que eu acredito. São os meus princípios, as minhas virtudes, e acho incrível poder me expressar a minha fé assim, principalmente em animação infantil.”
Chamem os universitários
A mostra que reúne produções feitas no ensino superior começou nesta sexta-feira (26) com a exibição de seis curtas-metragens. A segunda parte do programa foi neste sábado (27), no Teatro do Sesc Canoas, no Centro. A categoria reuniu obras de animação, ficção e documentário de oito instituições diferentes.
Assim como as mostras municipal, estadual e estudantil, a universitária também é competitiva. Ou seja, os melhores curtas serão premiados. A solenidade será neste domingo (28), a partir das 19h30, também no Sesc Canoas. Veja aqui a programação.
Confira a categoria universitária
- Posso Contar Nos Dedos (12’), Victória Kaminski – Ufpel (2024)
- A Balada de um Artista em Extinção (14’), Vitz Almeida e Maurício Bremm – Unisc (2024)
- Ternura (2’45”), Maria Luiza Ferreira dos Santos – Ufpel (2025)
- Porto Macabra (15’), Ju Costenaro – Puc-RS (2025)
- Prato Principal (8’), Rebeka Paula e Pitagora Nardi – UniRitter (2025)
- Minha Querida Bruxinha (9’), Brenda Magalhães – Ufpel (2025)
- Submersa(14’), Laura Viegas – Unisinos (2024)
- Desperta (2’), Laura Becker – Unisinos (2024)
- Carcarás (13’), Gabriello Alvarez – Puc-RS (2024)
- Espaço de Transição (5’), Bruno Ramos Martins – Ufpel (2025)
- Confio (18’), Giovanna Plentz – Universidade Feevale (2024)
- Ça me va (7’), Wellington Lucas Rocha de Souza | FSG (2025)
- Ervilhas (6’), Catherine Pires Pedroni – UCS (2025)
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