A Copa do Mundo 2026 chegou ao fim neste domingo (19), consagrando a Espanha como bicampeã mundial. Mas é em Canoas que uma grande festa entre os países acontece. A Escola Estadual de Ensino Médio (EEEM) Affonso Charlier, no Harmonia, promove a Feira das Nações nesta segunda-feira (20) reunindo toda a comunidade escolar.
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Foto: Paulo Pires/GES
E a chuva não diminuiu a empolgação dos estudantes. Com bandeiras, trajes típicos, tinta no rosto e muita música, cerca de 500 alunos apresentaram as culturas de diversos países como Brasil, Argentina, Estados Unidos, Inglaterra, França e Marrocos. O projeto foi desenvolvido enquanto acontecia os jogos do mundial e agora se encerra com as apresentações.
A estudante do primeiro ano Gabriela Reis, 16 anos, conta que foi grande preparação. “Foi muita dedicação de todos. A gente elaborou bastante, fizemos um roteiro de como que ficariam as coisas e a gente foi organizando, cada um foi ajudando.”
A turma da estudante trouxe a cultura, culinária e o futebol da Inglaterra. “Eu já tinha me aprofundado um pouco sobre a Inglaterra. Mas eu aprendi muito, principalmente sobre a parte que eu peguei que era os pontos turísticos. Eu aprendi muito sobre as cabines e que a primeira que eles inventaram foi em 1920. Eu não sabia disso”, comenta.
Aprendendo um pouco mais sobre o país, a aluno do primeiro ano também passou a simpatizar com a seleção inglesa na Copa. “Claro que eu estava torcendo pelo Brasil, mas nós fomos eliminados. Ai eu fui assistindo e percebi que eles eram realmente um time muito bom. Eu acabei me apaixonando”, afirma.
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Zumba, Axé, Cumbia, Hip-Hop e Zamba
Uma das grandes marcas da Copa do Mundo de 2026 foram as músicas: desde o tema do mundial cantado por Shakira e Burna Boy até as playlists das seleções. E foram os ritmos de cada país que animaram os estudantes, professores e famílias na Feira das Nações.
As turmas da Affonso Charlier dançaram ao som de ritmos típicos de cada países. As coreografias misturam zumba, axé e cumbia, passaram pelo hip-hop e pop até chegaram na zamba. A dança foi apresentada pela dupla Letícia Felipe Silva, 16 anos, e João Cardoso, 17, representando a Argentina.

Foto: Paulo Pires/GES
“A gente tinha pensado em dançar chamamé ou no tango que são dois ritmos tradicionais da Argentina. Mas ai decidimos pela zamba. O João é de CTG, então ajudou bastante com a coreografia. A gente ensaiou por uma duas, três semanas”, relata Letícia.
A preparação teve resultado. Não teve quem não gostou do sapateado das botas com esporas, rodopios e cortejo da dupla. “Foi muito divertido. É uma cultura diferente, a zamba faz parte do folclore argentino. Foi legal montar a coreografia, ensaiar e dar um show, como o pessoal está dizendo”, destaca João.
A satisfação é também de fazer um trabalho completo que movimentou a instituição. “Quando eu fiquei sabendo que ia ter feira, eu fiquei muito ansiosa porque era meu sonho ter alguma coisa aqui na escola. A gente preparou muita coisa e foi muito legal aprender sobre esse país”, completa Letícia.
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Canarinho é sensação
Cada turma, responsável por cada país, também tinha que ter a mascote de suas seleções. E ser o nosso canarinho foi função do Pedro Henrique da Silva Furtado, 15 anos. O estudante do primeiro dançou, correu com a bandeira do Brasil e animou a escola.
“Representar essa figura, sem sombra de dúvidas, é a melhor oportunidade da minha vida. Quando falaram em quem ia ser, já falaram no meu nome. Como me amam muito, vai ter ser”, brinca o canarinho.
Fazer o trabalho para a feira da escola também foi um momento de aprender a trabalhar em grupo. “Eu gosto de fazer as coisas sozinho, mas eu tive que aprender, tive que aperfeiçoar isso mais para poder trabalhar com os meus colegas mesmo. No final deu certo e foi muito bom”, destaca Pedro.
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Motivar os alunos
A Feira das Nações na EEEM Affonso Charlier foi organizada pela professora de Espanhol e Artes Sandra Kilian e pelo professor de Educação Física Bruno Flores. A proposta vem para motivar os alunos a estarem na escola que foi atingida pela enchente de 2024.
“A nossa comunidade foi severamente afetada e os alunos e suas famílias perderam tudo. A gente observa que eles viam para a escola totalmente desmotivados e se queixavam que toda aula era cópia e mais cópia, que não tinha nada de novo”, relata a professora Sandra.
Conversando com os colegas, veio a ideia de usar a Copa do Mundo como gancho para um trabalho em equipe que passa por diversas áreas do conhecimento. A proposta também exige que os estudantes falem em público e mostrarem o que sabem.

Foto: Paulo Pires/GES
“E hoje a gente observa que a grande maioria dos alunos têm muita dificuldade em apresentar e em se expressar. O protagonismo juvenil ele precisa imperar. A escola ela não pode ficar só baseada em teorias. A prática também precisa entrar, a prática precisa também estar presente”, comenta Sandra.
Ao longo de um mês, enquanto os jogos do mundial aconteciam, os alunos desenvolveram seus projetos. As seleções foram escolhidas entre as que tinham muitos títulos e diferentes continentes, explica o professor Bruno.
“Eles fizeram tudo sozinho, ver que eles tiveram essa autonomia, essa criatividade, poderem decidir tudo do jeito deles. Isso me deixa muito orgulhoso, muito feliz e me faz acreditar numa educação diferente. É muito bem ver eles envolvidos e motivados assim”, ressalta.