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CANOAS

Com muito verenyky e danças, almoço comemora os 34 anos de independência da Ucrânia

Celebração reuniu ucranianos e descendentes na Paróquia Ortodoxa Ucraniana Santíssima Trindade neste domingo

Publicado em: 24/08/2025 às 16h:24 Última atualização: 24/08/2025 às 17h:09
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Ucrânia é mais que um lugar no mapa, é memória, afeto e tradição que une uma comunidade no bairro Niterói, em Canoas. Neste domingo (24), ucranianos e descendentes comemoram os 34 anos de independência do país natal. A celebração, no salão da Paróquia Ortodoxa Ucraniana Santíssima Trindade, reuniu cerca de 100 pessoas com muita fé, comida e música. 

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Grupo Folclore Ucraniano Solovey se apresentou no almoço festivo no bairro Niterói | abc+



Grupo Folclore Ucraniano Solovey se apresentou no almoço festivo no bairro Niterói

Foto: Paulo Pires/GES

A independência, celebrada neste domingo, aconteceu em 1991 após um plebiscito que confirmou a declaração de soberania da Ucrânia feita pelo parlamento um ano antes. O almoço para marcar a data serviu carne de panela, carne de porco assada, verenyky, holubtsi e saladas. E foi animado pela apresentação de dança do grupo Folclore Ucraniano Solovey e coral. Mais cedo, uma missa foi celebrada na paróquia.

A festividade é uma forma de preservar as tradições e a cultura de diferentes famílias que vieram para o Brasil fugidas da Segunda Guerra Mundial, quando o país era uma das repúblicas da União Soviética.

Uma delas é a família da Maria Kohut, 84 anos, nascida na Ucrânia, próxima a fronteira com a Polônia. Ao 11 meses de idade, foi para a Alemanha, e aos sete anos se mudou para o Brasil. A comunidade manteve a cultura de sua família presente enquanto crescia num país diferente. 

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“É muito gratificante para nós ter esse lugar. É uma cultura que não se esquece porque vem dos nosso pais. É uma coisa que continuamos conservando, guardando aquilo dentro de nós. É muito importante”, ressalta. 

Encontro de gerações

O espaço de convivência existe há mais de 70 anos, sendo o único no Estado, segundo a presidente da comunidade, Swetlana Urbanskyy.

“A maioria é de descentes. Nossa atividade aqui é a preservação através da dança, dos bordados e da culinária. É junto com a Igreja Ortodoxa, mas nem todos são ortodoxos e participam porque é a comunidade.”

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Folclore Ucraniano Solovey se apresentou na celebração da independência | abc+



Folclore Ucraniano Solovey se apresentou na celebração da independência

Foto: Paulo Pires/GES

Os irmãos Alexandre e Eduardo Velychko são exemplos. O pai é ucraniano, mas os dois nasceram no Brasil e se envolvem com a cultura. “O nosso grupo de folclore foi fundado nos anos 1990e hoje temos entorno de 30 dançarinos. E tem ensaio toda a semana e viajamos para vários lugares”, conta Alexandre, dançarino e administrador de 47 anos. 

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“Eu nasci e cresci aqui. Gostamos daqui e tentamos manter. Apesar da nossa cultura ser pouco reconhecida, nós tentamos trazer a família, reunir e manter. Não deixar morrer”, destaca Eduardo, 42 anos, que trabalha como mecânico automotivo. 

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Registro da história

A trajetória dessas famílias é tema de um trabalho que vem sendo desenvolvido pela assistente social Hania Reszetiuk, 59 anos. A moradora do bairro Niterói e descendente de ucranianos está organizando um livro que traz a história da comunidade e da paróquia em Canoas. 

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“Eu vou chegar na pessoa e dizer: me conte a sua vida. E vou registrar. Depois pode acontecer qualquer coisa, mas eu vou ter o relato histórico. Tudo isso é memória. Meu pai é imigrante, minha avó veio com muitos filhos, então tudo isso fica para quem vem depois”, afirma. 

Hania lembra que essas famílias construíram o espaço que agora serve para a manutenção da cultura ucraniana e que precisa ter preservado. “Eu gostaria de passar isso como um exemplo de garra e valorizar o ser humano acima de tudo”, completa. 

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País em guerra

A celebração é pela independência, mas o momento não permite tantas alegrias. Atualmente, a Ucrânia se encontra em uma guerra com a Rússia desde 2021. O conflito é lamentado pelo descendentes que residem no Brasil e que tem parentes e conhecidos no país.

“É muito triste. Eu tenho primos lá que estão sofrendo. Falta remédio, dinheiro, comida, as faculdades estão fechadas. O lugar em que eu nasci, muita coisa já foi destruída. É muito triste e não sei como vai ficar isso”, lamenta a ucraniana Maria, uma das poucas imigrantes da comunidade na cidade. 

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