O número de jovens aprendizes contratados no Rio Grande do Sul registrou crescimento expressivo em 2025. De janeiro a maio, foram firmados 6.663 contratos de aprendizagem, um aumento de 20% em relação ao mesmo período do ano passado, quando o Estado contabilizou 5.331 vínculos.

Foto: LEANDRO DOMINGOS/GES-ESPECIAL
Os dados são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego. O resultado positivo reflete a efetividade da Lei da Aprendizagem (Lei 10.097/2000), que obriga empresas de médio e grande porte a destinarem de 5% a 15% de suas vagas para aprendizes.
A legislação abrange jovens de 14 a 24 anos, que devem estar matriculados na escola ou terem concluído o Ensino Médio. Os contratos duram até dois anos e garantem direitos trabalhistas, como carteira assinada, salário proporcional, férias, 13º, FGTS e vale-transporte.
Para muitos, essa é a porta de entrada no mercado de trabalho. É o caso da jovem Tamires Santos dos Santos, que mora em Canoas e hoje trabalha na Biblioteca Pública Municipal João Palma da Silva.
A jovem com 16 anos iniciou a experiência profissional em um período conturbado. Moradora do bairro Mathias Velho, viveu a experiência traumática das cheias no ano passado. O emprego na Biblioteca funcionou como um recomeço.
“Foi traumatizante o que aconteceu no ano passado”, lembra. “Eu estava cada vez mais tímida e retraída desde a enchente, mas o trabalho na Biblioteca mudou tudo. Hoje eu consigo sentar e conversar com alguém sem dificuldade.”
Estudante do 1º ano da Escola Estadual Affonso Charlier, Tamires, graças à experiência adquirida como Jovem Aprendiz, já pensa em novos voos. Ela quer avançar os estudos de Administração e continuar a trabalhar com o público.
“Eu lembro que li no Instagram sobre o programa Jovem Aprendiz e comentei com a minha mãe”, recorda. “Só não imaginava que seria tão bom e me impulsionasse a trabalhar e estudar mais.”
Formação com impacto social
A formação teórica dos jovens aprendizes é oferecida por entidades qualificadoras, como a Renapsi, que por meio de tecnologia social Demá Aprendiz oferece formação teórica e acompanha as atividades práticas dos participantes nas empresas. Atualmente, a tecnologia atende cerca de 1.900 jovens no Rio Grande do Sul, promovendo qualificação profissional e inclusão social.
Desenvolvido pela Renapsi, organização da sociedade civil, o Demà Aprendiz tem como missão transformar a vida de jovens em situação de vulnerabilidade, com formação alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU. O programa também oferece acompanhamento psicossocial e cursos complementares em áreas como tecnologia, inteligência emocional, educação financeira e outras frentes de preparação para o mercado de trabalho.
“Muitos jovens chegam com necessidades que vão além da formação profissional. Nosso compromisso é oferecer um ambiente que acolhe, valoriza e promove o desenvolvimento integral. Quando criamos essas oportunidades, abrimos caminhos reais de transformação”, destaca Aline Ferreira, Diretora Executiva da Renapsi.
Como participar
Interessados em ingressar no programa devem realizar cadastro no site renapsi.org.br/sou-aprendiz. O processo inclui uma etapa de autoconhecimento com testes de perfil comportamental e, posteriormente, o acesso a vagas compatíveis. Após a seleção, os candidatos participam de um período preparatório de 10 dias antes do início do contrato com a empresa.