Em Canoas, o faturamento da conta de água tem gerado dúvidas e reclamações nos canais de atendimento da Corsan, gerida pela Aegea Saneamento. Questionamentos relacionados ao consumo e cobrança estão entre os mais citados pelos clientes da companhia.

Foto: Paulo Pires/GES
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Segundo a gerente de Relações Institucionais da Corsan, Renata Weisheimer Rohde, mudanças na roteirização de leituras, tarifa de conexão domiciliar à rede de esgoto e vazamentos ocultos podem alterar os valores de cobrança.
“Alguns clientes tiveram um período de leitura maior, de até 47 dias, em vez dos usuais 30 dias, resultando em contas com valores mais altos naquele mês. No entanto, o valor cobrado correspondeu ao consumo real. O processo foi regularizado em fevereiro”, explica.
Conforme dados da Corsan, Canoas tem 58,72% de cobertura de esgoto, com 33 mil imóveis já conectados à rede. Contudo, 6,5 mil imóveis factíveis, ou seja, aptos a fazer a conexão, ainda não realizaram o processo.
Mediante a disponibilidade de conexão e notificação da Corsan, os clientes têm um prazo de 30 dias para realizar a ligação intradomiciliar (conexão do esgoto da casa à rede pública disponível). Clientes que optam por não se conectar à rede de esgoto passam a pagar uma “tarifa de disponibilidade”, equivalente a 140% do valor do metro cúbico de água.
“Essa tarifa não é uma multa, mas um incentivo à conexão, pois a não conexão prejudica o sistema e os benefícios ambientais e de saúde. A cobrança ocorre mensalmente até que a conexão seja realizada”, ressalta Renata.
Para os imóveis aptos que já realizaram a conexão, a cobrança da tarifa é 70% do valor do metro cúbico de consumo de água.
“A meta é atingir a cobertura total de esgoto em Canoas até 2033, conforme o prazo contratual e o novo marco legal do saneamento. A colaboração da população na conexão é fundamental para a efetividade do sistema.”
De acordo com a gerente, vazamentos ocultos e aumento do consumo em períodos de temperaturas mais altas também contribuem para o aumento da conta de água.
“Vazamentos não visíveis podem levar a um consumo de água muito maior do que o percebido pelo cliente, resultando em contas elevadas. O hidrômetro registra o consumo real, mesmo que seja por vazamento. Outro ponto que deve ser observado é o aumento natural no consumo de água pela população durante o verão.”
Importância do protocolo
Para a gerente, é crucial que a população utilize os canais oficiais da Corsan para registrar suas demandas e obter um número de protocolo. A solicitação garante que o chamado entre no sistema de operações integradas da companhia, que funciona diariamente, sendo automatizado para agilizar o atendimento.
“Muitas reclamações chegam à Corsan via terceiros sem um protocolo oficial, isso atrasa a resolução das demandas. Pedimos que a população registre o problema em nossos canais oficiais, seja de forma on-line ou presencial”, reforça Renata.
Os canais de relacionamento da Corsan disponíveis são pelo WhatsApp ou ligação gratuita pelo 0800 646 6444, com opção de atendimento por videochamadas, ou aplicativo Corsan, Agência Virtual pelo site cliente.corsan.com.br.
Pedido de CPI
Um grupo de vereadores de Canoas apresentou um pedido de abertura de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a prestação de serviços da Corsan (grupo Aegea) com o Município.
Liderado pelo parlamentar Emílio Neto (PT), o grupo necessita de sete assinaturas para que a CPI seja instaurada. Atualmente, seis vereadores já assinaram, são eles: Emílio Neto (PT), Gabriel Constantino (PT), Leandrinho (PRD), Eric Douglas (União Brasil), Jefferson Otto (PSD) e Rodrigo D’Avila (Novo).
“Estamos na busca da sétima assinatura. A população não aguenta mais. Há muitas reclamações sobre os serviços prestados. O atendimento ao cliente é insatisfatório. Cobranças indevidas, falta de água recorrente, intervenções que prejudicam a pavimentação das vias, são alguns dos motivos”, diz Neto.
Ainda de acordo com o vereador, a CPI possibilitará a solicitação de laudos e perícias técnicas para análise dos serviços realizados na cidade.
“A sociedade precisa de uma resposta. A água é municipal. Canoas foi a última cidade a autorizar a privatização. Hoje, a empresa tem um lucro mensal milionário. Se ficar provado que o contrato não está sendo cumprido, ele pode ser rompido.”
Em Canoas, a privatização da água e esgoto ocorreu com a venda da Corsan ao grupo Aegea em julho de 2023, após o estado assinar o contrato de transferência, encerrando a gestão da estatal Corsan. A cidade está inserida no plano de investimentos da nova gestão, que busca universalizar o saneamento até 2033.
Canoas assinou aditivo contratual em 2021, alinhando-se ao Novo Marco Legal do Saneamento, que visa 90% de tratamento de esgoto e 99% de água potável até 2033.