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Transporte

"Cenário em que veículos escolares disputam espaço com ônibus": Metroplan acompanha segundo dia de restrição para ônibus de Nova Santa Rita

Trabalhadores da cidade vizinha continuaram descendo a metros da Estação Canoas na manhã desta terça-feira (7)

Publicado em: 07/10/2025 às 10h:02 Última atualização: 07/10/2025 às 10h:06
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O segundo dia de operação da mudança na circulação dos ônibus, organizada pela Prefeitura de Canoas, no trânsito da área central, voltou a ser de restrição para o transporte oriundo de Nova Santa Rita.

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Na manhã desta terça-feira (7), novamente os ônibus da empresa Fátima, em desacordo com a determinação da Metroplan, deixaram os passageiros próximo ao portão do colégio Maria Auxiliadora, metros adiante da Estação Canoas.

Fiscalização da Metroplan acompanhou a operação na manhã desta terça-feira (7), em Canoas | abc+



Fiscalização da Metroplan acompanhou a operação na manhã desta terça-feira (7), em Canoas

Foto: LEANDRO DOMINGOS/GES-ESPECIAL

A operação foi acompanhada por fiscais da Metroplan, que encaminharão relatório à Superintendência sobre o que consideram um erro por parte da Secretaria de Mobilidade de Canoas.

Conforme um fiscal disse à reportagem, a nova configuração incide em um problema que acaba afetando até mesmo a saída de veículos escolares que entram e saem do pátio do Colégio Maria Auxiliadora.

“Criaram um cenário em que agora os veículos escolares disputam espaço com os ônibus para entrar e sair do Colégio”, esclareceu o agente Algério Delmiro, responsável pela fiscalização.

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Na avaliação do profissional, o ponto de parada da Estação Canoas pode absorver os ônibus da empresa Fátima, como determinado pela Metroplan, sem prejuízo aos usuários que vem de Nova Santa Rita.

“A Metroplan determinou que as empresas Sogal e Fátima dividissem o espaço e não há razão para a restrição”, confirma. “Tecnicamente é inadequado que se forme uma fila de ônibus a 100 metros do ponto de parada obrigatório”.

Reclamação

Para os trabalhadores que vêm de Nova Santa Rita, perdura a sensação de impotência diante da situação, já que é necessário somente correr mais para chegar até a Estação Canoas.

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“Não criam nada que ajude o trabalhador”, reclamou o operário Alaor Dias. “É uma palhaçada que eles mudem uma coisa para piorar a vida de quem depende de ônibus”, acrescentou o trabalhador de 44 anos.

Ônibus da empresa Fátima permaneciam parando à distância da Estação Canoas nesta terça-feira (7) | abc+



Ônibus da empresa Fátima permaneciam parando à distância da Estação Canoas nesta terça-feira (7)

Foto: LEANDRO DOMINGOS/GES-ESPECIAL

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Muitas broncas

As broncas continuam também por parte de moradores de Canoas desde o começo da mudança na segunda-feira (7). Operador de máquinas, André Luiz Azevedo, 34 anos, conta que agora precisa descer de um lado da Estação Canoas e correr até o outro lado para pegar um novo ônibus.

“Eu não sei por que eles têm que mudar uma coisa que só atrapalha quem precisa de ônibus”, argumenta. “Antes eu descia na Victor Barreto, mas agora me largam do outro lado e tenho que correr mais para não perder o transporte para o serviço”.

Já a auxiliar de serviços gerais Nara Gonçalves, 36 anos, reclama que, desde segunda-feira, os motoristas foram orientados a não abrir mais a porta da frente para descerem os passageiros, criando um grande empurra-empurra na hora de descer.

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“Eu saio do Mato Grande e chego no Centro em um ônibus lotado”, reclama. “Só que, mesmo sem pagar passagem, o motorista disse que não pode mais abrir a porta da frente do ônibus, o que é um absurdo, porque fica o povo todo se empurrando para descer por trás do ônibus”.

 

 

Ação contra a Prefeitura de Canoas

Na tarde desta segunda-feira (6), a Prefeitura de Nova Santa Rita protocolou uma ação civil pública no Fórum de Canoas, com um pedido de tutela de urgência a fim que seja determinado que o município de Canoas “se abstenha de impedir o uso compartilhado da parada de ônibus próxima ao terminal metropolitano situado na estação Canoas”.

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Segundo a Prefeitura de Nova Santa Rita, a ação descumpre o Ofício 051/2025, da Metroplan, prejudicando diretamente a proteção e a segurança dos moradores, gerando transtornos para quem depende do transporte público diariamente, seja para trabalho, estudo ou compromissos pessoais.

Prefeito de Nova Santa Rita, Rodrigo Battistella, após ouvir os relatos dos moradores que se valem do transporte, criticou a Administração de Canoas e o prefeito Airton Souza, que “proibiu”, os moradores de descerem no popular “paradão”.

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O que diz a Prefeitura?

Em nota, a Prefeitura de Canoas, por meio da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (SMMU), informa que como parte da reorganização das paradas de ônibus no Centro de Canoas, a partir desta segunda-feira (6), a linha intermunicipal Viação Fátima (Nova Santa Rita) passa a ter seu ponto principal na frente da Escola Maria Auxiliadora. A medida integra o conjunto de mudanças promovidas pela SMMU para otimizar o fluxo de passageiros e veículos na região central, especialmente na Avenida Victor Barreto.

A alteração foi definida, defende a Administração, a partir de estudos técnicos que identificaram a necessidade de redistribuir o volume de embarques e desembarques entre os pontos do Centro. Atualmente, a linha da Viação Fátima (Nova Santa Rita) representa 43 viagens diárias, transportando cerca de 1.500 passageiros por dia. Antes da reorganização, as linhas municipais faziam 375 viagens que paravam no Maria Auxiliadora, número que agora foi redistribuído, 160 dessas viagens foram transferidas para a Estação Canoas (Mathias Velho, Florianópolis, Vila Cerne, Porto Belo e Morart), fortalecendo a integração com o sistema Trensurb o restante se manteve em frente à escola Maria Auxiliadora.
Com a mudança, as 5 linhas com os maiores volumes de passageiros do lado oeste da Cidade, não realizam mais paradas no Golden Center, passando a atender exclusivamente a Estação Canoas (Guilherme Shell) e a Fundação Cultural.

Essa redistribuição, aponta a Prefeitura, visa reduzir os atrasos dos ônibus que circulam pela Br 116, que terão sua circulação impactada pela diminuição das pistas, de 5 para 3 por sentido, por conta das obras da trincheira da Domingos Martins, evitando congestionamentos na Victor Barreto e garantindo mais conforto e segurança aos usuários. O aumento da demanda também foi um fator determinante. Do ano passado para cá, o transporte público registrou um crescimento de 54% no número de usuários, o que exigiu uma nova configuração operacional para acompanhar o ritmo de expansão e garantir melhor atendimento.

Nos primeiros dias de implantação, fiscais da SMMU e da empresa Sogal estarão presentes nos principais pontos para orientar os passageiros e realizar ajustes, se necessário, conclui a nota.

Sem retorno

A reportagem contatou a empresa Sogal, visando saber o motivo pelo qual os motoristas foram orientados a não abrir mais as portas da frente dos ônibus para desembarcar passageiros na Estação Canoas. Até o fechamento desta matéria, entretanto, não houve retorno.

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