Você já pensou em ser jurado de uma premiação mundial de cinema? Pois saiba que tem canoense realizando este feito. O jornalista Rodrigo de Oliveira, 42 anos, é um dos selecionados para ser votante na 83ª edição do Globo de Ouro, premiação que agracia produções do cinema e da televisão.
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Foto: Divulgação
Escrevendo sobre o tema desde 2003, Rodrigo sempre acompanhou as premiações como o próprio Globo de Ouro e o Oscar, mas achava que votar nos filmes e séries era algo muito distante. “O Globo de Ouro mudou nos últimos anos. Abriu espaço para pessoas de fora. E vi que alguns colegas estavam se candidatando. Em fevereiro me inscrevi e mandei produções traduzidas”, conta.
E foi ai que o crítico de cinema, acostumado a analisar e opinar sobre produções cinematográficas, viveu o seu próprio plot twist. “Achei que o resultado saia em abril, maio, como alguns colegas me disseram. Então, pensei que não ia dar mais e dei o assunto por encerrado. Só que na semana passada, veio o e-mail dizendo que fui pré-selecionado. Foi uma grande surpresa. Mas comemorei mesmo quando saiu a lista no site”, relata.
Seleto grupo
A lista com os 387 votantes de 99 países foi divulgada no final do mês passado. Junto com Rodrigo, mais três gaúchos decidem os vencedores: Stephani Espindola (Emerlad Corp), Matheus Machado (Matinê Cine&TV) – ambos escolhidos neste ano também – e Miriam Spritzer que atua no júri desde 2022. Ao todo, 38 jornalistas e críticos brasileiros integram o colegiado.
O Globo de Ouro foi criado em 1944 e desde então busca premiar o melhor da televisão e do cinema mundial. Neste ano, foi incluída a categoria Melhor Podcast. As nomeações e premiações são feitas por este corpo de jornalistas independente. Em janeiro, a atriz Fernanda Torres foi agraciada com o prêmio de Melhor Atriz na categoria Drama.
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Trabalho reconhecido
O jornalista, morador do bairro Estância Velha, produz desde 2016 a revista digital Almanaque21 que trata exatamente do universo de filmes e séries que estreiam no cinema ou nas plataformas de streaming. Lá, ele expõe seus análises e opiniões. Foram os textos publicados na revista que embasaram a seleção para o Globo de Ouro.
“Acredito que isso coroa esse momento da revista. São quase dez anos. É uma revista que vem crescendo com o tempo. E eu mandei ela. Não é rede social, é revista. Fiquei feliz com essa chancela que o Globo de Ouro deu.”
Para se inscrever como votante é necessário ser um jornalista de entretenimento experiente, participando de festivais de cinema como júri e falando sobre os últimos lançamentos e tendências no setor.
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Experiência conta e muito
O trabalho do Rodrigo foi se desenvolvendo junto com a internet, passando da era dos blogs para sites especializados que se mantém hoje, como o Papo de Cinema. Seus comentários também ganharam espaço na Rádio da Unisinos, onde se formou como jornalista e tem uma especialização em Cinema.
Foi esse conhecimento que abriu as postas da Associação de Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul (Accirs) e da Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine). No ano passado, lançou o livro O Cinema de Jorge Furtado.
Além disso, já cobriu e foi júri do Festival de Cinema de Gramado, Olhar de Cinema, Fantaspoa, Mostra Internacional de Cinema e Prêmio Guarani de Cinema Brasileiro.
O jornalista acredita que toda experiência pode agregar, mesmo sendo um outro sistema de votação. “O júri de festival é por pares, diferente do Globo de Ouro em que eu voto sozinho. Mas nisso, eu tenho a experiência do Guarani que eu voto desde 2015, mais ou menos”, observa.
E a quantidade de produções também é diferente. “Vai ser um desafio maior. Eu vejo coisas que saem no Brasil. Mas eu vou ter acesso a produções que ainda não vieram para cá. Vou ter que rearranjar as coisas para conseguir cumprir. É um desafio bom de ter”, brinca.
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Fazer um bom trabalho
São mais de 20 anos trabalhando com o mesmo assunto e se dedicando a esta área. Ao longo desse período, Rodrigo não apenas conquistou o seu espaço na crítica, como também desenvolveu os seus critérios.
“Eles são variados, mas o primordial para mim é uma história bem contada. Atuações naturalistas me conquistas, mas também aquelas que são mais exageradas que a história pede. Mas cada produção é única e é preciso avaliar cada uma de um jeito”, comenta.
O desafio é grande, mas é o que ele quer. “Estou animado. Quero fazer um bom trabalho. Quero ser o mais honesto possível. Assistir o máximo que eu puder, estar atualizado e votar honestamente nos melhores seguindo os meus critérios”, completa.