Entre máquinas, linhas e tecidos, a chance de criar algo do nada, com as próprias mãos, enche os olhos de costureiras de todas as idades. Muitas começam pela influência das avós, mães e tias, mas procurar um curso de costura para se especializar é fincar o pé na profissão, ou no hobby.
“Eu gosto muito da área da moda e é um incentivo para ir atrás do meu sonho”, assim define Amanda Ramos da Silveira, 25 anos, uma das estudantes do curso de costura e modelagem do Senac Canoas. A jovem se interessa pelas roupas desde criança, quando tinha entre 9 e 10 anos, vendo a avó costurar.
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Foto: Paulo Pires/GES
“Quando eu era pequena, morava perto da minha avó e ela era muito ativa. Eu tinha casaquinhos, bonecas, tudo feito por ela. Como ela tá com Alzheimer, me deu a máquina. É uma coisa muito importante para mim, é uma parte dela, e eu não esperava por isso”, conta emocionada.
Amanda é moradora de Porto Alegre e vem a Canoas três vezes por semana para as aulas. Ela já fez curso de produção de moda e quer ter sua própria marca no futuro. “Eu gosto do estilo streetwear, mas também sou romântica. Gosto muito de vestidos”, afirma.
Os desfiles de moda também influenciaram a estudante, que agora vê as aulas como uma oportunidade de realizar suas próprias criações. “Estamos montando uma bolsa. Estou animada com isso, é a minha primeira costura”, relata Amanda.
Anos de prática
Se para Amanda são os primeiros passos, para Elisete Silva da Silva, 60 anos, é a oportunidade de melhorar aquilo que faz há anos. “Eu trabalho na área, faço prestação de serviços para um pessoal da moda. Comecei com tricô manual, também dou aulas, mas preciso ter um diferencial para complementar”, explica.
A também moradora de Porto Alegre pega o trem às 8 horas para não chegar atrasada na aula, que começa às 9h15, no Centro de Canoas. O esforço vale a pena. “Eu faço casaquinhos para crianças e com forro. Também faço bolsas, mas eu não tenho a técnica de colocar o zíper, então levo muito tempo fazendo. Aprendo isso aqui, os detalhes, o acabamento, que fazem a diferença. Ganhamos tempo quando sabemos fazer”, destaca.
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Foto: Paulo Pires/GES
Elisete começou no tricô com nove anos e dá aula desde os 20. Com toda essa experiência, ela ainda quer mais. “Me sinto maravilhosa aqui. Nunca sabemos de tudo e cada professor ensina uma coisa diferente, como eu também ensino. Cada um tem um jeito de passar. Também tem a troca com as colegas e isso é muito bom.”
O que Elizete também quer aprender a fazer é modelagem, que é a projeção das peças de roupas. Os itens vendidos atualmente nas lojas não refletem seu estilo e necessidade. “Com 60 anos, é difícil achar uma modelagem para nós, é tudo justo e apertado. Tenho problema no verão, de achar algo mais leve e folgado. É difícil também encontrar uma costureira que faça o corte, geralmente é só reparos”, comenta.
Nas aulas, as alunas aprendem sobre as máquinas domésticas e industriais, desde a largura e ponto até a passagem de costura. Também realizam exercícios de reprodução de costura aberta, fechada, de união e acabamentos. Junto com a costura, o curso oferece conhecimentos básicos em modelagem, como saias, blusas e calças.
Um professor dedicado
O curso é oferecido no Senac Canoas há pelo menos seis anos. Desde 2022, o currículo conta com a parte de modelagem, tornando-se um dos poucos que possui ambas as áreas.
As aulas são ministradas pelo professor Ramon Rodolfo, que assim como as alunas, se interessou pela costura e não largou mais. “Comecei a fazer umas peças, me arriscando e acabei me apaixonando. Quando entrei na faculdade, não sabia fazer quase nada. Mas fui aprendendo e me tornei monitor, ajudando os colegas”, relembra.

Foto: Paulo Pires/GES
“Já trabalhei com modelagem em uma empresa de varejo, mas sentia falta de passar o que eu sei. É muito satisfatório acompanhar o sonho do aluno, de fazer a 1ª peça. E quando consegue, eu vibro junto”, afirma enquanto ajuda as estudantes com a costura da bolsa.
A moda muda o tempo todo e isso move o professor a também continuar aprendendo e ensinando. “Eu gosto de experimentar, fazer algo que nunca fiz, que é complicado. Fazer, desfazer, desmanchar e costurar de novo. Gosto quando elas vêm com os projetos finais porque é um desafio pensar em ensinar de forma didática aquilo que estou vendo pela primeira vez”, ressalta.
“Aprender e realizar o sonho”
Nas aulas, as alunas aprendem sobre as máquinas domésticas e industriais, desde a largura e ponto até a passagem de costura. Também realizam exercícios de reprodução de costura aberta, fechada, de união e acabamentos.
Junto com a costura, o curso oferece conhecimentos básicos em modelagem, como saias, blusas e calças. No final do curso, as estudantes trabalham em projeto final com peças próprias.
“Têm pessoas que buscam porque querem ingressar na moda, outras porque já trabalharam a vida inteira e agora querem seguir um sonho. Também têm pessoas que vêm indicadas por tratamentos terapêuticos para ocupar a mente, fazer uma coisa nova. Temos desde adolescentes até mais de 80 anos que estão aqui para aprender e realizar o sonho”, completa o professor.