Para quem deseja parar de fumar, Canoas possui dez Unidades de Saúde (US) que ofertam o tratamento por meio do Programa Nacional de Controle do Tabagismo. Criado pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca), o programa, disponível gratuitamente, visa reduzir a prevalência de fumantes e a consequente morbimortalidade relacionada ao consumo de produtos derivados do tabaco.

Foto: PAULO PIRES
Atualmente, as unidades que contam com o serviço são: US Caic, Guajuviras, Olaria, São José, São Vicente, União, Harmonia, Niterói, Mato Grande e Fátima. Segundo a coordenadora das Doenças Crônicas não Transmissíveis e Política de Alimentação e Nutrição, Regina Salete Grings, para acessar o tratamento, a pessoa precisa fazer a solicitação em uma dessas unidades de saúde.
“O paciente passa por uma avaliação. É feito um diagnóstico do grau de dependência. O médico realiza a descrição. O número de vagas disponíveis varia entre as unidades. Geralmente, a pessoa entra na lista de espera. Ela é chamada conforme são abertos novos grupos de acompanhamento”, explica.
Conforme a coordenadora, o tratamento, nos primeiros três meses, é feito com adesivos antitabagismo e bupropiona (medicamento frequentemente usado para auxiliar no tratamento do tabagismo).
“Além da medicação, os encontros de acompanhamento são essenciais. No primeiro mês, eles são semanais, no segundo, quinzenais e a partir do terceiro, são mensais. A partir do quarto mês, o uso da medicação finaliza e a pessoa segue participando, uma vez no mês, dos encontros com profissionais de saúde. Os encontros podem ocorrer na unidade de saúde ou em associações. A duração é de um ano.”
Regina frisa que é indispensável a pessoa não fumar durante o uso da medicação.
“Pode ocorrer um excesso de nicotina no organismo. Os adesivos já possuem o elemento na composição para a pessoa perder a vontade de fumar gradativamente. Infelizmente, existe uma alta taxa de desistência. A maioria não conclui o tratamento após o período da medicação”, salienta.
Neste ano, cerca de 150 pessoas iniciaram o tratamento. No entanto, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) não soube informar quantas pessoas aguardam na lista de espera, qual a taxa de desistência, nem quanto tempo a pessoa fica na fila aguardando uma vaga.
De acordo com a coordenadora, a expectativa é ampliar o serviço para todas as unidades de saúde até o fim de 2025.
“Os profissionais que trabalham nas unidades de saúde necessitam de capacitação especial. É uma exigência do Inca. Tivemos um processo de capacitação em maio. Todo o tratamento é custeado pelo governo federal.”
Superação
Fumante desde os 17 anos, a moradora do bairro Guajuviras, Elizângela de Sales Ferrão, 43 anos, conseguiu acesso ao tratamento no início deste ano.
“Conclui a etapa dos três meses com medicação. Agora sigo participando das reuniões mensais em grupo. Já não tenho mais vontade de fumar. Não foi fácil. A medicação e o esforço pessoal são essenciais. Minha saúde melhorou. O cansaço e a falta de ar reduziram. Faço caminhadas regulares. Minha meta é correr”, revela.