O problema do gosto ruim da água, percebido por consumidores, nas últimas semanas, levou à procura, considerada incomum para esta época do ano, por bombonas de 20 litros de água mineral, em Canoas.
A situação é observada em cada quadrante da cidade, conforme constatou a reportagem ao circular por distribuidores que estão instaladas nos bairros Fátima, Niterói, Mathias Velho e Igara.

Foto: LEANDRO DOMINGOS/GES-ESPECIAL
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Microempresário que vive em Porto Alegre, mas possui empresa em Canoas, Vitor Batisti comprou, de uma só vez, nove bombonas devido às reclamações de operários da água “imbebível” na empresa.
“Não dá nem para discutir, porque moro em Porto Alegre e água que sai das torneiras lá também não há condições de ingerir”, explica. “O negócio é investir para não se incomodar depois.”
À frente de uma distribuidora, Alberto Perez conta que a movimentação atrás de bombonas cresceu surpreendentemente nas últimas duas semanas, a ponto de ser necessário pedir reforço de água para a capital.
O preço médio é R$ 9 por recarga e R$ 30 pago pela bombona de 20 litros, valores que não é necessário subir, já que muito da água consumida estava em estoque adquirida pela empresa.
“Em geral, o que chegam aqui dizendo é que a água está muito ruim e não dá para usar nem na comida e no chimarrão”, salienta. “Estamos aproveitando para vender mais bombonas.”
Enchente
Atendendo em uma revenda no bairro Mathias Velho, Carlos Leonardo Siqueira, 31 anos, diz escutar reclamações de que a água está ruim até para tomar banho e escovar os dentes, algo que não ouvia desde o período das cheias.
“Desde 2024, depois que a água baixou e a gente pôde voltar para casa, que eu não ouvia reclamarem da água tão ruim assim. Na época, havia justificativa, porque a rede inteira estava com problema, mas agora não sei opinar o que deu.”

Foto: LEANDRO DOMINGOS/GES-ESPECIAL
Parecido com o verão
Proprietário de uma das maiores distribuidoras da cidade, Sérgio Leandro Koenig confirma ter triplicado a distribuição de bombonas nos últimos dez dias diante do problema gerado no consumo.
Na avaliação do experiente empresário, o movimento observado nestes primeiros dias de maio em Canoas é semelhante somente àquele visto em períodos de desabastecimento, quando há falta de água.
“A gente entende que, no ápice do verão, quando os rios secam e não há captação suficiente, crescem os pedidos”, afirma. “Porém, é de surpreender que, em maio, com os rios cheios, a demanda tenha aumentado tanto. Tenho dois carros na rua em entregas sem parar.”
Aumento de preços
Dono de uma distribuidora de água no bairro Niterói, Idair Pesenti permanece cobrando os mesmos preços de sempre, mesmo diante do aumento da demanda, vendendo a R$ 12 a recarga da bombona de 20 litros, sendo a mais pedida.
“Fiquei sabendo que alguns pontos estão excedendo a cobrança, mas mantenho o meu preço de sempre”, diz. “Não vejo por que da necessidade de querer faturar mais agora pelo consumo, já que é uma época em que, em geral, a gente costuma faturar menos.”
Reclamações
Enquanto as distribuidoras ganham com as vendas, as reclamações perduram. Moradora do Fátima, Cláudia Engel, 54 anos, dá bronca de que vive de “água da pedra” desde que se tornou insustentável beber a água em casa.
“É brabo pagar pela água e não poder consumir”, desabafa. “A gente até começou a usar um filtro, mas está horrível. Não dá para entender o que aconteceu. Muito ruim mesmo o gosto da água.”
Corsan
Em nota, a Corsan esclarece que toda a água distribuída passa por rigoroso controle de qualidade em todas as etapas do abastecimento, desde a captação em rio para tratamento, até a distribuição, em conformidade com as diretrizes do Ministério da Saúde e os parâmetros da Portaria GM/MS 888/2021.
Em relação às reclamações sobre gosto da água na Região Central, a Companhia informa que foram realizadas análises na rede de abastecimento e todos os resultados apontaram que a água está dentro dos padrões de potabilidade e própria para consumo.
A Corsan segue monitorando continuamente o sistema e reforça que a água distribuída é segura para consumo. Clientes que identificarem alteração podem solicitar verificação e análises por meio do aplicativo Corsan, site corsan.com.br ou telefone 0800 646 6444, com ligação gratuita.