Programada para acontecer nesta semana, a distribuição das vacinas contra a dengue desenvolvidas pelo Instituto Butantan foi adiada pela Secretaria Estadual de Saúde do RS (SES). A pasta identificou uma divergência nos dados dos imunizantes e por isso não fará a entrega aos municípios no momento. A medida segue determinação do Ministério da Saúde.
FAÇA PARTE DA COMUNIDADE DO DIÁRIO DE CANOAS NO WHATSAPP

Foto: José Felipe Batista/Instituto Butantan
Segundo a pasta, o número do lote informado na embalagem da vacina está diferente do número do lote informado no frasco. Essa discrepância foi notada nesta segunda-feira (23), durante a etapa de separação para o envio às cidades.
O Rio Grande do Sul recebeu 27.995 doses na semana passada. O problema também foi observado por outros estados da federação. Essa situação impede que as vacinas sejam distribuídas.
“As informações precisam estar totalmente alinhadas, tanto na carga física quanto no sistema, pois o lote que consta na nota de fornecimento deve ser exatamente o mesmo que está identificado no produto, em especial para que sejam monitoradas posteriormente a eficácia e a segurança da nova vacina”, destacou em nota.
A SES ainda reforça que a suspensão da distribuição é uma medida indicada pelo governo federal. “A orientação do próprio Ministério da Saúde é que seja suspensa temporariamente a distribuição até que a situação esteja corrigida.” Ainda não há previsão de quando será feita a distribuição aos municípios.
Dose única
O Estado recebeu as quase 28 mil doses da vacina Butantan-DV, desenvolvida pelo Instituto Butantan. O esquema vacinal é composto por uma dose única e deve ser aplicada inicialmente em cerca de 64,3 mil profissionais de saúde.
Além disso, o imunizante permitirá a ampliação do público-alvo, atingindo também a população de 15 a 59 anos. “A vacinação do público geral deverá ser implementada de forma gradual, conforme a disponibilidade de doses produzidas”, ressalta a SES.
LEIA MAIS: Vai chover no RS? Entenda como fica o tempo nesta terça-feira (24)
Mais vacinas para os jovens
Enquanto o imunizante do Butantan não chega, a vacinação segue para as crianças e adolescentes de 10 a 14 anos. As doses são da Qdenga, desenvolvida pela farmacêutica japonesa Takeda Pharma.
No início do mês, a Secretaria Estadual de Saúde ampliou a oferta da vacina para todos os municípios gaúchos. A distribuição inicial era de 61 mil disponíveis no estoque da pasta.
Nova Santa Rita, por exemplo, não foi contemplada com doses nessa nova ação de distribuição. “Nós não recebemos nessa remessa porque temos em estoque”, informa a administração municipal. Já Canoas não informou o recebimento.
“Os locais e as datas em que as doses estarão disponíveis à população serão definidos por cada prefeitura assim que os municípios receberem seu respectivo quantitativo de vacinas. Novas remessas serão realizadas para os municípios de forma gradual, conforme a disponibilidade de lotes encaminhados pelo Ministério da Saúde”, informa a SES.
VEJA TAMBÉM: Estudantes do ensino fundamental recebem kits escolares em Canoas
Esquema já imunizou mais de 6 mil jovens na região
Os imunizantes são principalmente destinados a crianças e adolescentes entre 10 e 14 anos. A aplicação envolve duas doses com intervalo de três meses entre cada uma. Essa estratégia é aplicada desde a metade do ano passado.
Em Canoas, foram aplicadas cerca de 5,8 mil vacinas, sendo 5,6 mil em crianças e adolescentes. Enquanto que em Nova Santa Rita, 472 doses foram aplicadas, sendo 464 em crianças e adolescentes no mesmo período. Ao todo, mais de 6 mil jovens foram imunizados na região, de acordo com o painel do Ministério da Saúde.
A vacina chegou a ser aplicada em outras faixas etárias, seguindo uma determinação da pasta federal. Conforme nota técnica, vacinas com prazo de um mês para vencer poderiam ser aplicadas na população fora do público-alvo. A medida só poderia ser adotada em doses remanescentes disponíveis para evitar perda.
Mas tem baixa procura pela segunda dose
O intervalo de uma dose a outra é de dois meses. Historicamente, a segunda dose acaba tendo uma procura menor do que a primeira, mas isso reduz a eficácia do imunizante. O cenário foi observado pela Secretaria Estadual de Saúde nos números totais do Estado.
Em Canoas e Nova Santa Rita, por exemplo, o esquema fica incompleto em mais da metade das crianças e adolescentes. A SES chama a atenção para a necessidade de cumprir com a estratégia proposta.
“A aplicação incompleta do esquema pode reduzir a eficácia da vacina, enquanto a conclusão das duas doses fortalece a resposta do organismo, diminuindo o risco de formas graves da doença e contribuindo para a redução da circulação do vírus no Estado”, destaca a secretaria.
Público de 10 a 14 anos em Canoas – 2025
1ª dose: 4.297 aplicações
2ª dose: 1.344 aplicações
Público de 10 a 14 anos em N. Sta Rita – 2025
1ª dose: 376 aplicações
2ª dose: 88 aplicações
Fonte: Ministério da Saúde