O município de Rio Bonito do Iguaçu, no Paraná, tornou-se protagonista de uma das maiores tragédias climáticas da história recente do Brasil. As imagens da destruição impressionam, porém somente quem está na cidade tem a dimensão do drama.
Foi na última segunda-feira (10) que a Prefeitura de Canoas decidiu encaminhar para o local um grupo formado por cinco integrantes da Secretaria Municipal de Defesa Civil e Resiliência Climática. O objetivo era auxiliar naquilo que fosse necessário.

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Segundo o secretário Vanderlei Marcos, quase uma semana depois, o panorama observado permanece de destruição quase completa. Porém, hoje existe um otimismo que inexistia quando o grupo chegou ao local para ajudar no trabalho de reconstrução.
“É um cenário de guerra”, explica. “É como se tivessem largado bombas que destruíram tudo. No entanto, a ajuda chegou de várias partes e hoje a população está mais otimista sobre a reconstrução, o que era impossível de se pensar há uma semana.”
O secretário esclarece que o grupo de canoenses auxiliou, em um primeiro momento, no restabelecimento de serviços públicos essenciais que acabaram afetados. Assim, removeram destroços e reconstruíram telhados visando a reestruturação da máquina pública.
“A ideia era que chegássemos para somar na coordenação dos trabalhos, então estamos coordenando um grupo de 40 pessoas que trabalham na recuperação de unidades de saúde e escolas”, aponta. “São locais para atendimento e abrigo da população, essenciais diante do cenário.”
Vanderlei aponta 14 máquinas envolvidas no processo. Isso porque a demolição e consequente remoção de material é muito importante para abrir caminho à reconstrução. Quando chegaram, era difícil até circular por determinadas áreas atingidas.
“Em solo gaúcho, enfrentamos microexplosões que nos deram certa noção da força destruição do vento, porém a escala que atingiu Rio Bonito do Iguaçu é assustadora. Continuamos o serviço de limpeza, porque só assim é possível que equipes e população se movimentem entre um espaço e outro.”

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Retribuição
A presença dos canoenses em Rio Bonito do Iguaçu é simbólica, explica Vanderlei Marcos. Acontece que, há um ano, os paranaenses estavam em Canoas, auxiliando na reconstrução da cidade após as enchentes que deixaram metade do Município debaixo d’água.
“O prefeito [Airton Souza] considerou positivo estendermos as mãos em retribuição à solidariedade mostrada pelos paranaenses em Canoas. A ideia era estender a mão assim como estenderam para os gaúchos”, diz.
Ao colaborar em solo paranaense, no entanto, o grupo da Defesa Civil de Canoas trabalha em sintonia com a necessidade real de qualificação e preparação diante do quadro cada vez mais grave mostrado pelo clima no Brasil e no mundo.
“É claro que ninguém quer que Canoas passe por algo semelhante ao que aconteceu em Rio Bonito do Iguaçu”, frisa. “Porém, é importante estarmos cientes que o clima no mundo mudou. Toda a preparação e estrutura são necessárias diante da tragédia. Voltaremos para Canoas com experiência na bagagem.”
Qualificação
Na avaliação do secretário Vanderlei Marcos, após o retorno a Canoas será necessário continuar investindo na qualificação dos profissionais e melhoria da estrutura existente para enfrentamento de mudanças climáticas.
“É preciso continuarmos investindo em qualificação e preparação para este cenário”, argumenta. “Não há garantias sobre o amanhã quando o assunto é previsão do tempo e precisamos estar prontos para os piores cenários.”
Devastação e morte
No final da tarde do dia 7 de novembro, um tornado atingiu Rio Bonito do Iguaçu, no centro-sul do Paraná, com ventos que atingiram a velocidade de 330 km/h. Quase 90% da cidade acabou destruída.
Sete pessoas morreram na cidade e uma em Guarapuava, cidade vizinha. No total, pelo menos 835 ficaram feridas e precisaram de atendimento médico, conforme a Secretaria de Estado de Saúde.
Segundo o governo do Paraná, cerca de 30% do que sobrou das edificações terá que ser demolido devido à estrutura estar comprometida. Os outros 70% passarão por reformas. O Estado já autorizou a construção imediata de 320 casas emergenciais.