abc+

FEMINICÍDIO

"Vida da Patrícia foi ceifada": Caso de médico acusado de matar enfermeira com sorvete batizado tem primeira audiência

Familiares e amigos da vítima realizaram uma manifestação pacífica em frente ao Fórum da Comarca de Canoas

Taís Forgearini
Publicado em: 30/06/2025 às 17h:32
Publicidade

Nesta segunda-feira (30) ocorre no Fórum da Comarca de Canoas a primeira audiência de instrução sobre o caso de feminicídio de Patricia Rosa dos Santos, 41 anos. No início da tarde, familiares e amigos realizaram uma manifestação pacífica em frente ao fórum.

Publicidade

Com faixas e cartazes, o grupo reforçou o pedido por justiça e a realização de um júri para julgar o suspeito pela morte da enfermeira, o médico André Lorscheitter Baptista, 48.

Familiares e amigos de Patricia realizam manifestação



Familiares e amigos de Patricia realizam manifestação

Foto: Paulo Pires/GES

CLIQUE E FAÇA PARTE DO GRUPO DE WHATSAPP DO DIÁRIO DE CANOAS

Ao todo, 12 testemunhas de acusação foram chamadas para prestar depoimento na primeira audiência, entre elas, a irmã mais velha de Patrícia, Priscila Rosa dos Santos. Ela foi responsável por procurar a Polícia Civil para denunciar o caso ocorrido no dia 22 de outubro de 2024.

Durante a manifestação, o pai de Patrícia, João Carlos dos Santos, 72, relatou o sentimento de perda e tristeza.

Publicidade

“Queremos justiça. A mãe da Patrícia está acamada. Ela não tem condições nem de participar de uma manifestação. Está em tratamento psiquiátrico. É muito sofrimento. Mas, não vamos desistir. Não há nada que ele [acusado] possa dizer que justifique o que foi feito”, ressaltou o aposentado.

A irmã mais nova de Patrícia, Bruna Tainá Rosa dos Santos, 30, destacou a luta da família.

“É mais um passo importante na nossa trajetória por justiça. Estamos confiantes de que a verdade permanecerá mediante a tantas provas, que corroboram e apontam o réu como autor da morte da minha irmã. A nossa família segue praticamente destruída. A única coisa que nos mantém em pé é a luta incessante por justiça.”

Publicidade

Emocionada, Carine Ruas Bernardo, 45, falou sobre a saudade que sente da amiga. “A Patricia transbordava amor pela vida, pela família, pelo trabalho. Era uma pessoa de fé. Nosso objetivo é lutar pela condenação com pena máxima. Tudo que aconteceu com ela foi muito injusto.”

Amiga há mais de 15 anos de Patricia, Rita Bidarte, 48, salientou a importância de celeridade no processo.

Publicidade

“Ele tem que continuar preso e ir a júri. É difícil assimilar o que aconteceu. A vida da Patrícia foi ceifada. Ela era saudável, não tinha nenhum problema de saúde.”

O que diz a defesa

O advogado de defesa de André Lorscheitter Baptista se manifestou por meio de nota, confira:

“A defesa técnica do Dr. André Lorscheitter Baptista, representada pelo advogado Luiz Felipe Mallmann de Magalhães, vem, mais uma vez, prestar esclarecimentos à imprensa e à sociedade em virtude do início das oitivas no processo criminal e pela manifestação no Fórum de Canoas.

Publicidade

O Dr. André segue em luto pelo falecimento de sua esposa e compartilha a angústia sentida pelos seus familiares e amigos. Mesmo assim, reitera sua inocência, a qual será devidamente comprovada ao longo do processo criminal. Sua defesa segue acompanhando os desdobramentos do caso, confiantes de que, ao final, a inocência do acusado será plenamente reconhecida.

Quanto às oitivas realizadas no dia de hoje, ressaltamos que se tratam unicamente da coleta de depoimentos das testemunhas de acusação e que as testemunhas de defesa serão ouvidas em momento posterior ainda não agendado, bem como o próprio acusado que será interrogado ao final da instrução.

Publicidade

Por fim, o Dr. André reafirma sua confiança no sistema de Justiça e sua disposição em continuar exercendo seu direito de defesa de maneira firme e respeitosa. Sua conduta ao longo de todo este processo tem sido pautada pela transparência e pela convicção de que a verdade prevalecerá”, diz o comunicado.

Relembre o caso

Foi na manhã do dia 22 de outubro que a irmã de Patrícia procurou a Polícia Civil para denunciar o caso. A denúncia serviu de combustível para que a Polícia Civil chegasse à casa da vítima, instantes antes de o corpo ser recolhido por uma funerária.

Publicidade

Patrícia teve o óbito registrado pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) por ataque cardíaco, no entanto, os policiais encontraram na casa indícios de que ela havia sido assassinada.

O trabalho da perícia e a consequente apuração revelaram que o homem vinha dopando a vítima por meio de medicação colocada no sorvete. Com Patrícia dormindo, dosava medicação para induzir o ataque cardíaco, revelaram os laudos.

“Foi tudo premeditado para matar a mulher e escapar impune”, afirmou o delegado Arthur Hermes Reguse. “Se a irmã não tivesse o lampejo de correr até a polícia, o laudo de ataque cardiorrespiratório seria aceito. Só que ela era uma jovem enfermeira sem nenhum histórico cardíaco.”

Prisão

O médico e marido da vítima está preso desde o dia 29 de outubro de 2024, sob a suspeita de dopar a enfermeira por meio de medicação colocada em sorvete e a aplicação de medicamento para induzir o ataque cardíaco, que vitimou Patricia, segundo a Polícia. O réu está confinado na Penitenciária Estadual de Canoas (Pecan).

Registro profissional suspenso

Em março deste ano, acusado de matar a esposa em outubro de 2024, o médico André Lorscheitter Baptista, 48 anos, teve o direito de exercer medicina suspenso pelo Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio Grande do Sul (Cremers). A decisão foi homologada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) e segue em vigor.

Publicidade