Até Frank Sinatra gravar o primeiro LP, em 1946, os discos não possuíam conceitos. O americano inaugurou uma era na indústria ao reunir uma série de canções a 78 rotações por minuto nos bolachões.
Agora, como uma coisa tão antiga quanto o disco de vinil, que depende de uma vitrola para ser ouvido, poderia atrair uma geração acostumada a ouvir música com um simples toque no aparelho celular?

Foto: Paulo Pires/GES
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Aos 72 anos, Cláudio Berzagui tem a resposta. Ele é o proprietário da Prisma Discos, loja instalada no coração de Canoas há mais de três décadas, especializada na venda de discos, fitas K7, DVDs, etc.
“Há uma parcela desta nova geração que não se contenta em observar tudo pela tela do aparelho celular”, explica. “Eles querem mais. Anseiam pela sensação física de um disco, como ele é concebido, com encarte e pôster, igualzinho antigamente”.
Cláudio aponta que são jovens na faixa etária entre 14 e 17 anos que procuram discos de divas pop como Taylor Swift, Olivia Rodrigo, Lana Del Rey e Ariana Grande, agora também uma grande estrela de cinema.
“Eu já vendi três só do novo álbum da Olivia Rodrigo”, aponta. “São discos caros, porque importados. Não são produzidos no Brasil. Então, há clientes que encomendam. Entram na loja pedindo a Taylor Swift”, brinca.
Curiosamente, os mesmos adolescentes interessados em divas da cultura pop possuem um conhecimento que os leva a questionar o dono da loja sobre Chico Buarque, Caitano Veloso e Gal Costa.
“Sempre depositei esperança na juventude”, diz. “Os jovens estão mais esclarecidos e, como o acesso à informação é rápido, acabam buscando aqui na loja aquilo que não está na internet. Atendo sempre com o maior prazer”.
Ponto de encontro
A Prisma Discos está instalada no segundo piso de um prédio na Rua Tiradentes 130, a poucos metros do Calçadão e da Estação Canoas da Trensurb. A loja funciona de segunda a sexta-feira, das 10 às 19 horas. E aos sábados, das 10 às 18 horas.
Com aproximadamente dez mil itens entre discos, CDs, K7s, DVDs, Blu-ray, além de outros objetos relacionados à história da música, a Prisma mantém as portas abertas desde 1986.
“A Prisma hoje é um ponto cultural”, afirma Cláudio. “Sobrevivemos a crises e uma pandemia. Porque a boa música nunca morre”.