Com a proposta de mostrar o que há de mais inovador e interessante sendo feito em sala de aula, a feira de ciência e tecnologia Futur.E estreia a sua primeira edição no Centro de Eventos da Fiergs, em Porto Alegre. O evento deve reunir cerca de 27 mil participantes, entre estudantes do Sesi e Senai, e visitantes. As apresentações dos trabalhos, competições de robótica e atividades culturais seguem até esta sexta-feira (3).
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Foto: Paulo Pires/GES
Mas quem esteve no pavilhão nesta quinta-feira (2), viu um espaço lotado de ideias, cores e muito conhecimento. Para cada lado que se olhava, se via robôs, máquinas, pinturas e a curiosidade de querer aprender algo diferente.
Mas é no setor dedicado aos alunos do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), que se vê a relação entre teoria e prática e as propostas de soluções para questões enfrentadas pelos empresários. Uma deles vem de Canoas, com os estudantes Lorenza Dias, 19; Vitor Miranda, 18; e Kauê Campos, 17.
“Uma empresa entrou em contato com a gente, falando sobre a necessidade de separar o alumínio e o polietileno de chapas de ACM. Fizemos uma máquina pequena e compacta para isso. Ela permite fazer essa separação. Assim, esses componentes podem ser reutilizados”, explica a estudante de eletrônica.
A máquina levou cerca de um ano para ser desenvolvida e agradou o empresário, segundo os estudantes. “O equipamento vai reduzir alguns custos e pode se pagar em dois anos. A ideia dele agora é ser um ponto de recolhimento destas chapas”, comenta Vitor que estuda para ser um eletricista industrial.
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Foto: Paulo Pires/GES
Para os alunos de Canoas, ter essa experiência que mistura seus conhecimentos com uma demanda do dia a dia foi enriquecedora. “Quando estamos em sala de aula, aprendemos bastante. Mas é muito gratificante ver que o aprendizado serve na vida real”, destaca Lorenza.
“Ter esse contato com um profissional é muito importante e vai além do que aprendemos na nossa área”, frisa o estudante de elétrica industrial Kauê.
Ideias que pensam no meio ambiente
As inovações são marcantes por proporem soluções que pensam em diferentes áreas, principalmente o meio ambiente. A pesquisa, e a prática, desenvolvida pelos alunos do Senai de Igrejinha segue essa linha de pensamento sustentável.
O trabalho do Eduardo Souza, Bruna Gomes, Sara Oliveira, ambos de 17 anos, e Daniela Silveira, 19, dá novas destinações a resíduos industriais, principalmente ao couro utilizado na fábrica da Usaflex. A pesquisa mobilizou os cursos de confecção de calçados e de assistentes de administração e de produção.
“A empresa nos apresentou um alto custo no descarte correto destes materiais e nos deu a possibilidade de conseguir criar um projeto em como transformar esses resíduos em oportunidades para novos produtos”, conta Daniela.

Foto: Paulo Pires/GES
Assim, os estudantes pensaram em um catálogo cheio de opções como necessaire, estojos, porta cartão, porta absorvente, chaveiros, entre outros. Todos eles contam sempre com o logo da marca.
A proposta reduz os custos com descarte do material, calcula Eduardo. “Eles têm um gasto de R$2 mil por mês, que seria aproximadamente 10 mil toneladas de couro. É bastante coisa. Anualmente, é R$ 24 mil. Com o nosso projeto, isso passaria para R$ 600 ao mês e R$ 7,2 mil por ano. Tendo uma redução de 70% no gasto com o descarte.”
A ideia é que a confecção destes novos produtos não interfiram na linha de produção e sejam disponibilizados aos colaboradores. E de fato foram. A Usaflex levou adiante e produziu necessaires para presentear no Dia das Mães e no Dia dos Pais.
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Trabalho em equipe sempre
Os estandes estão separados por escolas de diferentes municípios gaúchos, mas todos em algo em comum: é feito a muitas mãos e de variadas formações. A estudante de eletromecânica Vivian Balensiefer Haas, 22 anos, se juntou com os colegas do curso de automação Vitor Taketa Dorneles, 18, e Pietro Flores Ribeiro, 17, para construir um dispositivo de torque.
O projeto dos jovens da escola Senai de Sapucaia do Sul também ajuda na demanda de um negócio local. “A nossa proposta é auxiliar a empresa Transmaq que trabalha com motorredutores na cidade. O Torque Vision, que é o nosso projeto, é um dispositivo aferidor que mede com exatidão o torque de saída do redutor”, esclarece Vivian.
Os motorredutores são eixos utilizados em engrenagens, ou seja, promover a rotação de um sistema. Este tipo de equipamento é usado em elevadores, esteiras, portas elétricas, por exemplo. “Dentro destes dispositivos, é necessário força e não velocidade para funcionar. O nosso dispositivo mede essa força”, destaca a aluna.

Foto: Paulo Pires/GES
A pesquisa foi desenvolvida ao longo de três meses e misturou conhecimentos, erros e acertos. “A parte que mais tivemos dificuldade foi na parte dos cálculos. Na parte da construção e de projetar essa ideia demoramos um pouco, mas foi tranquilo. Como é um grupo, conseguimos trabalhar junto e não ficou tão maçante assim”, relata Pietro.
“Foi uma confecção totalmente nova. Eu trabalhei com os meninos que são da área da inovação e foi uma visão totalmente diferente da que eu tenho dentro da eletromecânica. É um projeto gratificante que está nos permitindo participar da feira”, conta Vivian.
E estar no Futur.E também tem sido um aprendizado. “É muita gente aqui e isso me deixa nervoso. Mas, ao mesmo tempo, é um projeto que sabemos tudo, nós que fizemos, que montamos. Apesar de saber tudo, ainda dá um nervosismo. É uma mistura”, brinca Vitor.
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Oportunidade de aprendizado
O trabalho em equipe também está presente em uma das atrações mais populares da feira: a competição de robótica. Com as arquibancadas lotadas, equipes de oito estados brasileiros participam de torneio que envolve habilidade, estratégia e agilidade. A disputa é aberta para instituições para além do Sesi e Senai.
Os participantes trabalham toda a parte de engenharia, programação, mecânica, elétrica e até inglês. Além disso, toda o aprendizado que vem da disputa e da troca de experiências com os demais participantes.
O mentor Eric Fortes, 26 anos, da The Brazilian Trailblazers – equipe de robótica de Gravataí com 20 anos de história – observa a importância de eventos como este. “Ter uma competição aqui, tão perto, em que podemos trazer todos os integrantes é muito importante e muito especial. O pessoal está gostando bastante e é uma oportunidade que raramente tem. Estamos aproveitando ao máximo.”
A equipe do Eric fica perto de Porto Alegre, diferentemente do grupo da Amanda Lessa e do Miguel Cardoso, ambos de 16 anos. A Brazilian Storm veio de São José dos Campos, São Paulo, para participar do torneio.

Foto: Paulo Pires/GES
A equipe é formada por estudantes do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP), mas com sede na Escola Estadual Professor Alceu Maynard. Os adolescentes falam das trocas, da curiosidade por outras culturas, mas citam principalmente todo o conhecimento que se adquire na competição.
“Aprendemos muitos, desde as partes técnicas como controle, mecânica, eletrônica, até mesmo a parte de trabalho em equipe. Quando você tá na quadra, você não está sozinho. Tem que ter um time para conseguir fazer parte de tudo isso”, ressalta a aluna do curso de automação.
Já o Miguel, que estuda mecânica, chama atenção para o emocional. “Na partida, também entra a parte de relacionamento. É aprender a lidar com as emoções mesmo perdendo, com as coisas saindo do controle. Ou até mesmo comemorando todo o nosso esforço que colocamos no nosso trabalho. Então, a competição aborda tudo isso.”
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Veio para ficar
Esta é a primeira edição do Futur.E, que acontece até amanhã (3) no Centro de Eventos da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs). O espaço fica no bairro Sarandi, em Porto Alegre.
A iniciativa é voltada para toda uma comunidade: estudantes, familiares, professores, empresários, industriários e o público geral. A coordenadora de Tecnologias do Serviço Social da Indústria (Sesi), Fernanda Arusievicz, entende que o evento promove uma mistura de experiências.
“Temos cultura, teatro, robótica, pesquisa que estamos trazendo para a comunidade como um todo para que todos possam vivenciar o que vivenciamos no nosso cotidiano, nas escolas e unidades. É compartilhar a experiência de uma educação transformadora, inovadora.”
E não será a única edição. “A ideia é sim fazer nos próximos anos, um evento contínuo. Fazemos esse evento para trazer um pouco da nossa experiência enquanto sistema Fiergs com tecnologia e inovação. Tem ensino médio, EJA, Sesi e Senai”, completa.