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Entregadores de aplicativos promovem motociata para reivindicar melhor remuneração

Trabalhadores participam do Breque Nacional dos Apps nesta segunda-feira (31)

Publicado em: 31/03/2025 às 12h:17 Última atualização: 31/03/2025 às 14h:21
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Os entregadores e motoristas de aplicativo estão se mobilizando nesta segunda-feira (31) para reivindicar melhores condições de trabalho e de remuneração. O ato faz parte do Breque Nacional dos Apps, paralisação organizada em todos o país para chamar a atenção para os valores repassados aos trabalhadores pelas plataformas. 

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Entregadores de aplicativos participam do Breque Nacional dos Apps. Mobilização em Canoas foi na Avenida Getúlio Vargas



Entregadores de aplicativos participam do Breque Nacional dos Apps. Mobilização em Canoas foi na Avenida Getúlio Vargas

Foto: Paulo Pires/GES

Atualmente, a taxa de entrega varia entre R$ 3,80 a R$ 6,50, dependendo do aplicativo, de acordo com Sindicato dos Motociclistas Profissionais do Rio Grande do Sul (Sindimoto-RS). A proposta é aumentar a taxa mínima entre R$10 e R$ 15 até três quilômetros rodados. Um acréscimo que pode chegar a 130% na remuneração por entrega. 

“Isso está mais do que certo que é uma exploração. Isso é insuficiente para o orçamento da nossa família. Nós não conseguimos sustentar a nossa família com esse valor do nosso trabalho. É uma melhoria em valorização do nosso trabalho porque do jeito que está é desumano, é indigno”, define o delegado sindical do Sindimoto-RS, Douglas Benites.

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A mobilização começou em Canoas, na Avenida Getúlio Vargas, próximo a passarela da rua Domingos Martins, no Centro. O local é o ponto de descanso dos motoboys e motogirls da cidade por estar próximo a redes de fast-food, supermercados e postos de gasolina. O ato também reuniu trabalhadores Gravataí e Cachoeirinha, e demais municípios da região rumo a Porto Alegre. 

Motoboys e motogirls fizeram uma motociata em direção a Porto Alegre



Motoboys e motogirls fizeram uma motociata em direção a Porto Alegre

Foto: Paulo Pires/GES

O ponto de chegada é no Shopping Praia de Belas, em frente ao Hub do iFood, para uma nova manifestação. Todo o trajeto é acompanhando pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), Brigada Militar (BM) e Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC). 

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Junto com a paralisação, o sindicato convoca a população a não utilizar os aplicativos de entrega de comida, por exemplo, como forma de apoio aos trabalhadores e de pressão às plataformas. O Breque Nacional dos Apps está marcado para esta segunda e terça-feira (1º).

Reunião com empresa

Na parte da tarde, os trabalhadores devem se reunir com o aplicativo Uber, segundo o delegado sindical. O encontro extrajudicial será no Tribunal Regional do Trabalho  da 4ª Região (TRT4). “De todas as empresas que foram oficializadas, somente não adiou a mediação no tribunal. As outras empresas entenderam que precisam de mais tempo para entender o que está acontecendo. Já os trabalhadores entendem que é urgente a negociação”, afirma Benites. 

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Delegado sindical do Sindimoto-RS, Douglas Benites, ajuda a organizar a ação



Delegado sindical do Sindimoto-RS, Douglas Benites, ajuda a organizar a ação

Foto: Paulo Pires/GES

Toda a paralisação também conta com a participação dos motoristas de aplicativo. Para um dos representantes do sindicato dos motociclistas, esta parceria demonstra o que as categorias têm em comum. “Por uma questão das plataformas digitais, essas empresas atuais que não respeitam a legislação trabalhista, então nós vamos ter essa conexão. Até porque o ambiente de trabalho que nós compartilhamos é o asfalto, são as vias públicas. O que fica evidente é que a união faz a força”, completa.

“Roda muito e ganha pouco”, afirma motoboy

Para os trabalhadores, a remuneração não reflete o esforço de trabalho. “Faz cinco anos que eu trabalho como motoboy. Começo às 7, 8 horas, e só saio às 23 horas. Alguns ficam até de madrugada. É muito mais horas do que qualquer outro serviço. Roda muito e ganha pouco”, comenta o motoboy Matheus de Souza, 23 anos.

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Motoboy Jeferson da Silva trabalha como entregador desde os 17 anos



Motoboy Jeferson da Silva trabalha como entregador desde os 17 anos

Foto: Paulo Pires/GES

O motoboy de 45 anos, Jefferson Gustavo da Silva, está na lida desde os 17 anos e quer acreditar que a situação pode melhorar. “É uma categoria unida. Acho que pode mudar agora, o pessoal está se amostrando mais. Estamos esperando nossas promessas”, conta.

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Direto de Cachoeirinha, a motogirl Karolaine Jesus, 25 anos, concorda com as reivindicações. “Estamos buscando melhorias para a categoria. Outra demanda são os pontos de apoio. Não temos isso, não temos um lugar para carregar celular. Muitos dos lugares que trabalhamos não tem espaço para nós”, ressalta.

Ponto de apoio em Canoas

Em fevereiro, a categoria se reuniu com a Prefeitura de Canoas para apresentar suas demandas. Motoboys e motogirls pedem por ponto de apoio e bolsões nas vias públicas destinadas as motos. De acordo com o secretário de Mobilidade Urbana, Thiago Moysés, os projetos estão em andamento. Ainda não há prazo de entrega.

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As melhorias são aguardadas pelo motoboy William Silva Mariani, 33 anos. “Nós queremos que aqui seja o nosso ponto de base [Av. Getúlio Vargas]. Eles querem colocar nos shoppings, mas aqui é o lugar certo. Tem os restaurantes aqui. É um ponto aqui”, destaca. 

O que diz o iFood?

A plataforma afirma que segue atenta ao cenário econômico e que está estudando a viabilidade de um reajuste em 2025. “É importante ressaltar que, nos últimos três anos, os ganhos dos entregadores foram aumentados de várias maneiras”, ressalta. 

Em 2022, teve o aumento do valor mínimo da rota de R$5,31 para R$6,00 e do valor mínimo do quilômetro rodado de R$1,00 para R$1,50. No ano seguinte, a taxa mínima passou de R$6,00 para R$6,50. E no ano passado, a empresa introduziu um adicional nas rotas agrupadas de R$3,00 para cada entrega extra realizada.

“Quanto às rotas de bicicletas, reduzimos o raio de entrega em janeiro e padronizamos isso em todas as cidades do Brasil. Reduções adicionais poderiam resultar em uma queda na oferta para bicicletas e, consequentemente, impacto negativo nos ganhos. Vale lembrar que os entregadores podem rejeitar os pedidos sem nenhuma penalidade”, informa. 

Confira a mobilização

Entregadores e motoristas de aplicativo se mobilizam para motociata rumo a Porto Alegre
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