Sem enredo sobre religiões de matriz africana, negros e comunidade LGBTQIA+. Estas teriam sido as exigências apresentadas pela Secretaria Municipal de Cultura e Turismo em reunião com a Associação das Escolas de Samba de Canoas.
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A denúncia de preconceito veio a público após publicação de nota de repúdio da Federação Nacional das Escolas de Samba (Fenasamba), nesta terça-feira (18). A exigência da administração municipal foi feita como contrapartida para ceder o espaço do Parque Eduardo Gomes para desfiles, em abril.
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Foto: Alisson Moura/PMC
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A reunião foi comandada pelo secretário de Cultura, Pinheiro Neto, e aconteceu dias após a pasta informar que não irá investir no Carnaval de 2025. Os recursos que seriam utilizados no espetáculo cultural serão destinados à quitação dos salários de médicos.
Em nota, a Fenasamba denunciou o preconceito e a intolerância religiosa praticada pela Prefeitura, colocando-se à disposição das escolas de samba canoenses para apresentar uma denúncia no Ministério Público (MP). Confira a íntegra do posicionamento mais abaixo.
O que diz a Prefeitura de Canoas
A administração municipal informou através de um comunicado que, mesmo sem a destinação do recursos, está apoiando a realização dos desfiles no Parque Eduardo Gomes. “O prefeito Airton Souza ressalta ainda que a atual gestão da Prefeitura é comprometida em governar para todos os canoenses e preza pela liberdade, o que inclui a livre manifestação artística, cultural e religiosa no Carnaval”, diz.
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Em 2023, ainda quando ocupava cargo de vereador de Canoas, Airton Souza envolveu-se em uma polêmica parecida. Ele foi autor da moção de repúdio ao show da Mc Pipokinha, que se apresentaria em uma casa de festas da cidade. Contudo, o show foi cancelado após a cantora debochar do salário de professores em vídeo que viralizou nas redes sociais e gerou críticas sociais.
Veja a íntegra da nota da Fenasamba
A Federação Nacional das Escolas de Samba – FENASAMBA manifesta seu mais veemente repúdio à atitude do Secretário Municipal de Cultura e Turismo de Canoas, Pinheiro Neto, que em reunião com a Associação das Escolas de Samba de Canoas disse que a Prefeitura da cidade cederia o Parque Eduardo Gomes para a realização dos desfiles, em abril, sem recursos públicos, mas que as entidades carnavalescas não poderiam apresentar enredos sobre temas de religiões de matriz africana, negros e comunidade LGBTQIA+.
Tal atitude, além de revelar um inaceitável preconceito e intolerância religiosa, é crime, tipificado no artigo 208, do Código Penal Brasileiro – “estabelece que é crime “escarnecer de alguém publicamente, por motivo de crença ou função religiosa; impedir ou perturbar cerimônia ou prática de culto religioso; vilipendiar publicamente ato ou objeto de culto religioso”.
A FENASAMBA se coloca à disposição da Associação das Escolas de Samba de Canoas para formalizar uma denúncia no Ministério Público contra essa atitude criminosa e preconceituosa do Secretário Municipal de Cultura e Turismo e do Prefeito da cidade.
O Carnaval, a maior manifestação cultural do povo brasileiro, é uma festa preta, de resistência, de preservação de nossa ancestralidade, democrática e inclusiva. Não iremos permitir que atitudes como essas calem nossa voz e silenciem nossos tambores.