Contando com uma Área de Preservação Permanente (APP), o Parque da Figueira tornou-se um importante ponto de lazer para a população do bairro Fátima desde a inauguração oficial em 2014.
Com entrada pela Rua Dom João Becker e pela Cairu, o espaço, com o passar dos anos, ganhou importância devido ao número de condomínios construídos no bairro. Se antes havia um, hoje existem seis.

Foto: PAULO PIRES/GES
Com academia ao ar livre, praça, campo de futebol, pista para corrida e até um córrego, o parque costumava servir para piqueniques e churrascos durante os finais de semana, mas há meses está “abandonada”.
Conforme os moradores, os problemas começaram após a enchente de 2024, mas se tornaram piores nos últimos meses, quando o excesso de lixo e o mato tomaram conta do lugar. Ficaram inviabilizadas, assim, as atividades.
Liliane da Silva Pinto, 44 anos, costumava deixar o filho, o pequeno Guilherme, brincar no parque. Porém, agora ele tem medo de animais peçonhentos escondidos no mato a quase um metro de altura.
“Se ele chutar uma bola, ela se perde”, reclama. “Pior que isso, se correr pode pisar em algum animal e criar um problema. Está abandonado, então, enquanto estiver assim, o melhor é deixar ele sem vir.”
A questão levantada pela engenheira Camila Pereira, 38 anos, nem diz respeito a qualquer tipo de lazer. Ela aponta que o Figueira representa uma importante travessia para quem circula no bairro.
“Eu queria somente passar pelo parque sem o capim batendo nas pernas enquanto caminho”, diz. “Olha, não sei a quanto tempo não fazem uma capina, mas é complicado a falta de interesse na limpeza da cidade.”
Preocupação
Liderança comunitária no Fátima, Diedison de Souza aponta que o problema não é um caso isolado. Por circular na cidade, observa o desgaste de espaços públicos devido à falta de organização para a limpeza adequada.
“Para quem é morador, entristece a gente observar a falta de cuidado em determinados pontos. Nosso parque mesmo, está virado só em mato e lixo, mas há outros pontos da cidade que estão assim”, salienta o trabalhador de 36 anos.
Responsável pela segurança privada de uma empresa, Gustavo Selbach, 48 anos, ressente-se do espaço onde antes costumava correr à vontade em dias de folga, mas, de igual maneira, comenta não ser o único endereço “jogado às traças” em Canoas.
“Tudo meio jogado às traças”, opina. “Última vez que fui até o Parcão [Parque Eduardo Gomes] estava uma sujeira só. Eu não sei como é o cronograma deles, mas antigamente funcionava e hoje parece que ninguém dá bola.”
Água suja
Outro problema apontado pelos moradores diz respeito à sujeira acumulada em um córrego localizado na entrada do Parque da Figueira, pela Rua Cairu, ao ladinho do Asun Supermercados.
Moradora antiga do bairro, Elisa Barbosa, 67 anos, lembra de uma série de ações organizadas, até mesmo por vereadores da cidade, para limpar a água no local, impedindo o acúmulo de lixo.
“Com o passar do tempo, esqueceram o bairro Fátima”, lamenta a aposentada. “Essa água já foi limpa que dava até para se espelhar, mas hoje parece de esgoto. Dá nojo só de olhar.”
Melhorias em abril
Canoas possui cerca de 124 praças e parques municipais distribuídos pela cidade, oferecendo áreas de lazer, esporte e convivência para os moradores. A Prefeitura organiza manutenções frequentes em mais de 100 dessas áreas, com ações de revitalização dos espaços.
Por meio da assessoria de comunicação, a Secretaria Municipal de Serviços e Zeladoria Urbana (SMZSU) informa que o bairro Fátima está no cronograma de limpeza do mês de abril. Os trabalhos incluem manutenção e melhorias nos espaços públicos, conforme planejamento da Secretaria.