abc+

Saúde

"Estamos apavorados": Funcionários do CAPS de Canoas reclamam de pagamentos atrasados e incerteza sobre rescisões

Fim do contrato da Prefeitura com a IB Saúde, anunciado para o final do mês, causa impacto nas unidades

Publicado em: 07/01/2026 às 10h:47 Última atualização: 07/01/2026 às 11h:38
Publicidade

Foi em 2022 que o Instituto Brasileiro de Saúde (IBSAÚDE) passou a gerenciar os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) em Canoas por meio de uma parceria firmada com a Prefeitura.

Publicidade

Centrados no cuidado integral da saúde mental da população, as quatro unidades [Novos Tempos, Amanhecer, Travessia e Recanto dos Girassóis], desde então, atendem a uma média de 30 a 50 pessoas diariamente.

CAPS Novos Tempos, no bairro Marechal Rondon, teve atendimentos impactados devido à falta de pagamentos do pessoal | abc+



CAPS Novos Tempos, no bairro Marechal Rondon, teve atendimentos impactados devido à falta de pagamentos do pessoal

Foto: Paulo Pires/GES

CLIQUE E FAÇA PARTE DO GRUPO DE WHATSAPP DO DIÁRIO DE CANOAS.

O serviço prestado à população, entretanto, acabou sendo impactado nos últimos dias devido ao encerramento do contrato entre a empresa e a Administração. Isso porque há pagamentos em atraso para os profissionais.

Conforme denúncias passadas por agentes de saúde, a segunda parcela do 13º salário e o vale-alimentação do mês estariam em aberto. Além disso, a empresa já teria sinalizado não haver dinheiro para as rescisões.

Publicidade

“Estamos apavorados”, diz uma funcionária, que não quer se identificar e está grávida de oito meses. A trabalhadora de 34 anos vive a incerteza devido à situação da empresa, que não deu garantias sobre o pagamento integral das rescisões.

“Quem atuava nos CAPS sabe que sempre houve dificuldades para os profissionais. Que havia mais esforço do que estrutura necessária, mas agora piorou, porque já avisaram que não haverá condições de pagar a todos.”

Funcionária há dois anos e meio do CAPS, uma mulher de 47 anos observa que a falta de informações claras a respeito do que será feito nos próximos dias para quitar os vencimentos atrasados é o pior.

Publicidade

“A gente questiona, mas não recebe nenhum retorno de volta”, afirma. “Então, está complicado trabalhar, porque não sabemos nem se vamos receber no quinto dia útil, porque a empresa alega não haver mais dinheiro.”

Para a funcionária, é impossível que os atendimentos à população não sejam impactados, já que a falta de pagamentos e o clima de incerteza sobre a nova empresa que assume é enorme.

Publicidade

“É complicado trabalhar sem saber se receberá pelo empenho. Fora isso, já estão se justificando pelas rescisões, o que significa medo para quem tem contas a pagar nos próximos meses”, lamenta.

Pelos direitos

Um psicóloga contratada para atuar nos centros lembra que o trabalho nas unidades está muito atrelado à rotina mantida pela população atendida. Portanto, faz a diferença manter regularidade no pessoal.

“Seria importante até mesmo que a nova empresa a assumir recontratasse os profissionais que atuam em Canoas devido ao vínculo emocional que existe nos atendimentos. Porém, não há garantias”, observa.

Publicidade

Ela afirma não haver desassistência a quem procura os serviços, no entanto, a moral dos trabalhadores está em baixa desde que começaram os atrasos e os comentários sobre a falta de dinheiro para as rescisões.

“Há médicos, enfermeiros, técnicos, educadores, pessoal da limpeza”, aponta. “Todos estão preocupados somente na garantia dos direitos trabalhistas pelos serviços prestados.”

Publicidade

Sindicato apontou problemas

Em dezembro, após cobranças por parte de profissionais, integrantes do SindiSaúde-RS estiveram nos CAPS de Canoas. A visita até a unidade Novo Tempo, no bairro Marechal Rondon, causou preocupação.

A vistoria confirmou sucateamento das estruturas, falta de insumos básicos e problemas que comprometem tanto o atendimento quanto a segurança das equipes que atuam no local.

Publicidade

Ao se posicionar sobre o assunto, o SindiSaúde-RS apontou que a falta de recursos mínimos caracteriza um cenário de emergência na saúde mental do Município.

À espera de dinheiro

Por meio da assessoria de comunicação, o IB Saúde informou que aguarda repasses do Município para sejam garantidos os pagamentos aos trabalhadores que atuam nas unidades de Canoas.

O que diz a Secretaria de Saúde de Canoas

A Prefeitura de Canoas, por meio da Secretaria Municipal da Saúde, informa que o contrato com o IB Saúde para a gestão dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) da cidade se encerra no dia 26 de janeiro e o processo de contratação emergencial de uma nova empresa para a gestão dos CAPS canoenses está em aberto.

O IBSaúde já foi notificado pelo Município sobre o encerramento e também sobre a obrigação de manter todos os serviços previstos no contrato até a data final. A Secretaria Municipal da Saúde informa ainda que todos os pagamentos do município para a empresa estão em dia e não há valores em aberto.

Publicidade