Embora aparentemente sem nenhum problema de saúde no nascimento, o pequeno Bernardo da Costa Siqueira acabou diagnosticado com Histiocitose de Células de Langerhans (HCL), um tipo de câncer raro que torna o paciente sensível a infecções graves até com a menor das lesões.
O problema deu início ao drama vivido pelo casal Jéssica e William Rodrigues Siqueira, que passou a ter uma rotina intensa entre idas e vindas ao Hospital da Criança Conceição, em Porto Alegre, onde o tratamento à criança é garantido.

Foto: PAULO PIRES/GES
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Devido à gravidade da condição do filho, Jéssica precisou deixar o trabalho para cuidar integralmente do bebê. Com 1 ano e 7 meses, Bernardo não pode, por exemplo, estar em uma creche com outras crianças, ela explica.
“Qualquer lesão que ele tem acaba com um hematoma muito diferente do que aconteceu com outras crianças”, esclarece. “Por causa do câncer nos ossos, a mínima lesão afeta as células, infecciona rapidamente e agrava a imunidade dele, que é baixa.”
Foi para dar melhores condições ao pequeno que o pai de Bernardo passou a se revezar em dois empregos. William era um auxiliar de cozinha durante a noite, mas passou a ser motoboy durante o dia para complementar a renda, conta Jéssica.
Eis que o drama vivido pela pequena família Siqueira se tornou maior no meio da tarde do último dia 11, quando a motocicleta guiada por William acabou sendo atingida por um veículo na Avenida das Canoas, no bairro Harmonia, em Canoas.
“Fiquei sem chão”, diz Jéssica. “Não dá para dizer que a gente estava vivendo bem, mas estávamos conseguindo nos virar e o tratamento para o Bernardo estava sendo cumprido direitinho à risca.”
Sem o marido para garantir o leva e traz para o Hospital Conceição e com os boletos e o aluguel em risco, Jéssica viu a estabilidade ruir devido à ausência de uma renda mensal fixa.
“Meu marido se virava. Trabalhava muito e, à noite, dormia com o Bernardo bem grudado no peito. Agora, meu filho fica procurando o pai e eu estou sem dinheiro até para o aluguel”, desabafa.

Foto: REPRODUÇÃO
Doações
Desde a morte do marido, Jéssica conta que houve um esforço de amigos e parentes para que se criasse uma vaquinha que garantisse algum subsídio com o qual ela pudesse contar nas próximas semanas.
O resultado, entretanto, acabou sendo abaixo do esperado. Ela não conseguiu o dinheiro e luta pela aprovação de um BPC (Benefício de Prestação Continuada) que possa ajudá-la, ao menos, a sair da estaca zero.
“Eu preciso de algum tipo de ajuda”, afirma. “Eu não consigo me erguer por conta própria. Não depois do que aconteceu. O diagnóstico do Bernardo; a morte do meu marido; eu mesma acabei doente. Tem coisa demais acontecendo.”
Investigação
A Polícia Civil confirmou a abertura de inquérito para apurar as circunstâncias que vitimaram o trabalhador de 33 anos, que morreu durante acidente no bairro Harmonia.
Auxiliar de cozinha e entregador, William Rodrigues chegou a ser socorrido e encaminhado para a emergência do Hospital Nossa Senhora das Graças, porém chegou na casa de saúde com morte cerebral e teve o óbito registrado horas depois.
O caso envolvendo a morte acabou sendo assumido pela 1ª Delegacia de Polícia de Canoas, que confirmou inquérito para apurar as circunstâncias da morte.
O delegado Marco Guns preferiu não comentar o assunto, por se tratar de uma apuração em estágio preliminar, mas garantiu que as testemunhas já estão sendo contatadas para depor a respeito.
Atenção garantida
A Prefeitura de Nova Santa Rita informou que está ciente do caso e que prestará auxílio à mãe e à criança diante do que aconteceu. Logo que Jéssica deixar a casa do pai, onde está vivendo provisoriamente, haverá uma Visita Domiciliar (VD) de assistentes sociais objetivando prestar os encaminhamentos necessários para ela e o bebê.
Para ajudar
Quem quiser entrar em contato com a Jéssica para auxiliar o pequeno Bernardo, pode encaminhar uma mensagem de WhatsApp para o telefone (51) 99959-7690.