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EDUCAÇÃO

Estudante de Canoas é medalhista de ouro em olimpíada de Inteligência Artificial e se classifica para competição na China

Ícaro Silva da Rosa Linck Fróes, 17 anos, conta como foi participar das provas e os preparativos para a competição internacional

Publicado em: 28/07/2025 às 15h:39 Última atualização: 04/03/2026 às 15h:04
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“As olimpíadas podem traçar o caminho da tua vida de forma muito significativa.” É assim que Ícaro Silva da Rosa Linck Fróes, 17 anos, vai sair de Canoas em direção a China nos próximos dias. O estudante do Colégio La Salle foi medalhista de ouro e destaque com a melhor pontuação na 1ª Olimpíada Nacional de Inteligência Artificial (ONIA) e se classificou para a competição internacional em Pequim.

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Estudante Ícaro Silva da Rosa Linck Fróes, 17 anos, foi medalhista de ouro na ONIA | abc+



Estudante Ícaro Silva da Rosa Linck Fróes, 17 anos, foi medalhista de ouro na ONIA

Foto: Paulo Pires/GES

E nesse caminho ele não está sozinho. Dois estudantes de São Paulo e um, do Paraná, também se classificaram para a Olimpíada Internacional de IA (IOAI), a ser realizada entre os dias 2 e 8 de agosto.

Para chegar até esse status, foi necessário passar pelas quatro fases da competição nacional que trataram de letramento digital, aprofundamento técnico, tarefas práticas e treinamento para a IOAI. As provas foram aplicadas entre dezembro do ano passado e abril deste ano. 

“As primeiras fases, principalmente as duas primeiras, são de letramento digital. Elas são mais para pessoas que nunca tiveram contato antes e começam a aprender. Ou seja, a olimpíada visa abranger o máximo de pessoas possível, mesmo quem nunca teve experiência antes. Essas primeiras foram bem tranquilas, todas objetivas com questões de marcar e não precisa de conhecimento anterior”, conta.

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Já a última etapa ainda foi dividida em três fases que, para o aluno do 3º ano do ensino médio, foram as mais complexas, mas que lhe renderam a medalha. “Para mim a parte mais difícil foi na quarta fase, a primeira e a segunda etapa que eram teóricas. Foi mais difícil porque, particularmente, eu tenho mais afinidade com a prática, com programar mesmo. As provas que envolviam teoria, que tinham que assinalar questões no papel, por exemplo, foi mais difícil do que programar por si só. Eu não tenho tanta afinidade com decorar nome de conceito”, comenta.

O bom desempenho veio pela experiência em programação. Aprendendo por conta própria desde os 12 anos, Ícaro acredita que esse foi o seu diferencial na competição. “Acho que foi muito sobre prática. Eu treinei bastante e a fase que selecionava as pessoas para a internacional era a prática, não era teórica. E eu já tenho prática com programação”, observa.

“Desde pequeno, o meu pai já me mostrou computador. Eu sempre gostei, desde criança eu jogava muito no computador. E, em algum momento da minha infância, eu queria criar jogos. Dai eu aprendi a programar, fazer jogo e acabei expandindo para outras áreas. Hoje em dia, eu quero me especializar em IA mesmo”, frisa.

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E esse desejo passa pelas olimpíadas. O caminho até a China começa em São Paulo e ainda para no Qatar. O embarque deve ser no dia 31 de julho.

“Acho que isso vai mudar a minha vida em vários aspectos, vai me dar confiança e espero servir de inspiração para outras pessoas que pensam ‘ah, ninguém na minha escola ou na minha cidade fez algo assim, então eu não vou ser o primeiro a conseguir’. É algo que se eu tivesse pensado assim eu não teria nem tentado e não teria conseguido. Talvez nesse sentido de tentar as coisas mesmo que parecem impossíveis de certa forma”, destaca.

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Mais do que ChatGPT

Quando se fala em Inteligência Artificial, a famosa IA ou AI, muitas referências podem vir a cabeça. Desde o clássico filme homônimo de 2001, dirigido por Steven Spielberg, até o boom das ferramentas de conversa nos últimos anos.

Mas para Ícaro, este universo vai além e foram as competições que expandiram seus horizontes. “Depois eu comecei a olimpíada e fui avançando, eu vi quantas portas podem abrir além do ChatGPT. Muita gente pensa que IA é só ChatGPT e ponto final. Mas tem muito mais que isso e a olimpíada abrange muito mais que isso. Eu fui fazendo, abrangendo mais coisas e me apaixonando cada vez mais pela área”, ressalta.

A olimpíada trabalha com as três principais áreas da IA, de acordo com o estudante: visão computacional, aprendizado de máquina e processamento de linguagem natural. Setores independentes e interligados que atraem a curiosidade e fascínio de quem se interessa.

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Ícaro cursa o 3º ano do ensino médio no Colégio La Salle Canoas, no Centro | abc+



Ícaro cursa o 3º ano do ensino médio no Colégio La Salle Canoas, no Centro

Foto: Paulo Pires/GES

Na própria competição, Ícaro descreve com muita animação sua parte favorita, que foi na última fase. “Tínhamos que fazer um fine tuning (ajuste fino). Pegamos um modelo pré-treinado e adaptamos ele com uma tarefa. Esse modelo é o YOLO (You Only Look Once), atualmente chamamos de estado da arte, ou seja, o melhor modelo de detecção de objetos. Era pegar o modelo que é bom em reconhecer coisas no geral e adaptar ele para reconhecer um salgadinho, um refrigerante. Eramos testados sobre o quão bom o nosso modelo era em reconhecer essas coisas.”

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Esse espaço de provas e provações também é de conhecimento. Não somente Ícaro, mas todos os competidores puderam aprender mais esse assunto que se desenvolve cada vez mais.

“Eu aprendi praticamente tudo o que eu sei de IA. Quando eu comecei, eu tinha uma noção, talvez um pouquinho além do comum, mas não muito também. Aprendi basicamente tudo de visão computacional, tudo de processamento de linguagem natural eu aprendi. Eu sabia, antes de começar, o básico de regressão linear. O resto eu aprendi tudo na olimpíada basicamente, fazendo e estudando os conteúdos e tudo mais.”

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Preparativos

A fase presencial da competição internacional é no início de agosto, mas as provas já começaram. Em casa ou em laboratórios de informática, os estudantes já estão resolvendo os problemas postos pela olimpíada.

“Estamos focando nas tarefas de casa. Estudar elas bem e ter o melhor desempenho possível porque elas são bem difíceis, mais do que as da nacional. Estamos nos adaptamos a elas para conseguir chegar na internacional já bem adaptados. Em casa, podemos fazer com pesquisas, podemos fazer juntos, mas presencialmente não tem consulta nem nada”, esclarece Ícaro.

E em Pequim, a concorrência é grande. “É complicado, principalmente os russos. Eles são muito bons. Ano passado, na internacional, eles ganharam de muito longe. Não estão muito altas as expectativas, mas espero conseguir talvez um bronze”, afirma.

Para além das máquinas e telas de computador, a viagem também é uma oportunidade de conhecer quem guia essas ferramentas. “Além da competição em si, vai ter uma imersão cultural muito grande. Conhecer pessoas na área de todo o mundo, conhecer pessoas de outros países que também se classificaram. E conhecer a China, deixando a competição de lado, vai ser uma experiência única”, define.

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Caminho até aqui já trouxe certezas

Não resta dúvidas sobre a direção que quer seguir: a graduação será em Ciências da Computação. E não teve outras opções analisadas. E como dito anteriormente pelo estudante, a ideia é se especializar em IA.

A área ainda divide opiniões e traz incertezas sobre o futuro em muitos âmbitos da nossa sociedade, como política, trabalho, relacionamentos, privacidade etc.

Como alguém que já está inserido neste mundo, Ícaro também expõe sua opinião. “Eu acho que se usado da forma correta, é uma ferramenta que vai nos levar mais longe. A Inteligência Artificial, por exemplo, já é aplicada na Medicina há muitos anos, e muita gente nem sabe disso. É uma questão das pessoas usarem da forma certa. Às vezes, o problema não é da ferramenta, mas sim quem usa ela.”

Além de querer cursar Ciências da Computação, o jovem já sabe e se prepara para estudar fora do país. E para um futuro um pouco mais distante, ou não, ele também já tem certeza do que impacto que quer ter.

“Em algum momento da minha vida eu gostaria de contribuir para alguma descoberta. Eu quero fazer pesquisas. Existe o termo estado da arte, que é o tem que de melhor, como o Yolo que é o estado da arte da detecção de objetos. Eu quero colaborar para descobrir algum novo estado da arte de alguma coisa na área”, projeta.

IA é para quem quiser

Mas algo mais próximo no futuro está a contribuição com os estudos de quem se interessa pelo assunto. O estudante integra o Núcleo Olímpico de Incentivo ao Conhecimento (Noic), entidade sem fins lucrativos que organiza materiais didáticos gratuitos para diversas olimpíadas.

A organização está reunindo conteúdos sobre inteligência artificial, visando as próximas competições nacionais e internacionais. “É uma ideia de democratizar o conhecimento para quem às vezes não tem condições de ir para escola boa. São materiais de alta qualidade e de graça”, acrescenta.

Sobre a ONIA e IOAI

A Olimpíada Nacional reuniu alunos de 18 estados brasileiros, distribuiu 177 medalhas e 58 menções honrosas. Entre os premiados, 27% são meninas. A competição é organizada pela plataforma digital EduSpace; pelo Hub de Inovação em Inteligência Artificial da Universidade Federal de Pelotas (H2IA/UFPel); e pelo Instituto de Inteligência Artificial do Laboratório Nacional de Computação Científica (IIA/LNCC).

Já a Olimpíada Internacional é organizada pela Larei Foundation. Nesta segunda edição, 60 países estão inscritos para participar ou serem observadores da competição. A primeira edição foi no ano passado, na Bulgária, reunindo aproximadamente 200 estudantes de 32 países, vindos de seis continentes.

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