Você conhece a ideia do monumento que tem na Praça Emancipação, no Centro de Canoas? E a história da Praça do Avião, que se chama Santos Dumont? Sabia que a Praça da Bandeira já foi um grande ponto de convivência?
Foi respondendo a essas perguntas que os alunos da Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Guajuviras aprenderam um pouco da história da cidade. A turma participou do primeiro passeio guiado no projeto Conhecendo Canoas nesta sexta-feira (12). O trajeto percorreu pontos do Centro que todo mundo passa, mas que pouco gente realmente enxerga.

Foto: Nicole Goulart/Especial
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O projeto-piloto se resumiu às praças Emancipação, Avião e Bandeira. O responsável por disseminar um pouco mais de conhecimento sobre o município foi o Chefe da Unidade de Museu e Arquivo Histórico de Canoas, Airan Milititsky Aguiar.
“O que acontece muitas vezes é que as pessoas acham que conhecem a cidade por ter nascido aqui. Mas na verdade, desconhecem uma série de aspectos fundamentais da história do município. A gente viveu essa história, mas grande parte da sociedade canoense veio de fora, veio no interior. As pessoas chegam aqui muitas vezes e não se situam que local é esse. A importância é fazer com que as pessoas possam conhecer a própria urbanização do município, de como é que se dá a identidade cultural canoense”, explica.
E como pessoas que passam, mas que pouco sabiam, ou lembravam, sobre a história desses lugares estão as alunas do 6º ano Emily Helena da Silva dos Santos, 13 anos, Sofia de Melo da Silva, 12, e Sofia Alessandra Reis Batista, 11.
“Eu achei muito legal, bem explicativo mesmo”, destaca Emily. “Eu já conhecia de passagem, mas estava curiosa para saber o que ele ia falar sobre o avião”, conta Sofia Alessandra.
Debaixo do caça que simboliza a praça, Sofia lembra que já tiveram aulas sobre a história da cidade na escola, mas o passeio foi diferente. “Acho que é um complemento. Ele disse coisas novas”, observa.
Todas as alunas são moradoras do Guajuviras. Isso é um grande detalhe na opinião do diretor da escola, Alex Totti Soares, que acompanhou o passeio. “O pessoal do bairro vem pouco para o Centro. Isso é uma coisa também importante de registrar. A criança, o adolescente, tem pouco percepção desse espaço. Eles só vêm acompanhados dos pais. Muitos relatam que não conhecem o Centro. Por isso é importante esse aprendizado”, observa.
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Praças contam a passagem do tempo
A proposta de roteiro desenvolvido pelo Airan busca uma ordem cronológica, como cada espaço foi levado ao outro ao longo dos anos. Isso tudo porque a urbanização da cidade está atrelada à linha do trem, questões econômicas e políticas. As praças refletem essa história.
Praça da Bandeira
“A cidade vai começar a se formar enquanto um pequeno vilarejo na parte alta da Santos Ferreira. Naquela região, estava a primeira igreja matriz do município, o padroeiro São Luiz Gonzaga. Por uma série de motivos, entre eles a instalação do trem, a igreja foi movida para a Praça da Bandeira”, explica.

Foto: Nicole Goulart/Especial
Com o início da urbanização, Canoas tinha pequenos núcleos em desenvolvimento. Um deles ligava cinema, prefeitura, Café Imperial e igreja matriz. Nisso, a Praça da Bandeira se tornou um ponto de convivência entre os canoenses.
“Quem queria se relacionar, ver pessoas, fazia o que? Andava na praça. Era o shopping do século XX, era assim que as pessoas se conheciam. E é nessa área aqui que, de alguma maneira, começa a organizar a cidade de Canoas”, destaca Airan.
Praça da Emancipação
Enquanto a cidade se desenvolvia do outro lado do dentro, o espaço em frente a Prefeitura de Canoas ainda demorou a ter atenção. “Essa parte aqui da prefeitura só vai ser urbanizada nos anos 1940. E esse prédio da Prefeitura que vocês conhecem, só vai ser construído em 1954. Ou seja, se o município de Canoas foi em emancipado em 1939, somente 15, 16 anos depois, vai ser construído o prédio próprio da prefeitura”, relembra.

Foto: Nicole Goulart/Especial
O prédio foi construído pelo então Sady Schiwitz, que também dá nome ao auditório no Paço Municipal. A ideia veio após dois incêndios acometerem instalações alugadas, fazendo com que documentos se perdessem. Com o prédio, veio também a praça.
Em dos seus espaços, está o monumento “O Futuro”, do artista Cassiano, feito em 1998. A peça possui quatro elementos e uma interpretação poética feita pelo autor.
“A base é um livro. E em cima dele tem um barco, uma canoa, com três seres: um é pensante; o outro está remando, fazendo um trabalho braçal; e o terceiro aponta para a frente. Então, podemos dizer o seguinte: o trabalho intelectual aliado ao trabalho manual aponta para o futuro de uma canoa sobre o mar da história”, detalha o guia do passeio.
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Praça do Avião
Já na Praça do Avião, os estudantes aprenderam que ela se chama Santos Dumont em documentos oficiais. Além disso, foi inicialmente construída para homenagear os irmãos lassalistas até a vinda da Base Aérea.
“Por uma série de motivos, o governo brasileiro entendeu que nessa região de Canoas era importante ter uma Base Aérea do Exército. A Aeronáutica ainda não era uma pasta específica. E as pessoas vieram e não queriam ser mandadas, mas sim mandar. Elas não queriam mais serem subordinadas a Porto Alegre ou Gravataí”, conta.

Foto: Nicole Goulart/Especial
Nesse momento, Canoas já tem um movimento emancipatório. O avião na praça faz referência a essa presença que movimenta a cidade até hoje. São pelo menos seis monumentos com avião em Canoas.
“Pouca gente sabe, mas é um dos últimos caças que foram para a Segunda Guerra Mundial. É de origem inglesa. Quando ele para o Brasil, nos anos 1950, já é um caso para consertar. Então, quando foi instalado já não tinha mais condições de uso”, relata Airan.
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Edição piloto
De acordo com o secretário de Cultura e Turismo, Caio Flávio Quadros, o projeto tem como objetivo fortalecer a identidade cultural através do conhecimento da história. “Falta um sentimento de pertencimento”, define.
“É uma oportunidade das pessoas conhecerem e da gente conseguir proporcionar esse conhecimento dos equipamentos públicos, dos prédios tombados, um pouco da nossa história”, reforça o secretário.
A proposta, organizada pela Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, deve acontecer uma vez ao mês e também por agendamento. Mais informações no telefone (51) 3425-7702 ou no e-mail cultura@canoas.rs.gov.br.