A vida dos ursos polares, ancestralidade, a germinação do feijão, folclore e reciclagem são assuntos aleatórios, mas todos eles se encontram nos estandes e banners da 13ª edição da Feira Municipal Científica e Tecnológica (Femucitec) de Canoas. Os estudantes de 32 escolas apresentaram os seus trabalhos de pesquisa nesta terça (19) e quarta-feira (20) no ginásio do Parque Eduardo Gomes, no bairro Fátima.
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Foto: Paulo Pires/GES
Entre os diversos temas, estava o trabalho da aluna do 4º ano Lara Rafaelly de Moura, 10 anos. “O Mundo Visto do Meu Lugar” foi desenvolvido na sala de recursos da Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Ícaro, no Fátima, e traz a perspectiva de Lara, enquanto criança e cadeirante sobre inclusão e acessibilidade na cidade.
“Eu quero mostrar a minha criatividade, o jeito que eu faço as coisas, mesmo os meus colegas já me conhecendo”, conta Lara. Entre todas as tarefas da pesquisa, a estudante teve a sua parte favorita. “Desenhar, eu gostei mais de desenhar a Frida Kahlo”, destaca.
A professora Fernanda Roque teve a ideia de desenvolver o trabalho junto com a Lara. “Todo mundo já conhece ela desde o 1º ano. Por já conhecerem, às vezes, não prestam atenção em como ela é capaz, como ela consegue, dentro das dificuldades, de fazer as coisas do jeito dela. Nesse sentido, eu quis fazer esse projeto com ela. Dá o protagonismo para ela e conscientizar a escola sobre inclusão”, afirma.
“Na sala de recursos, eu comecei a fazer um projeto com ela. Falar de inclusão, acessibilidade ao redor da casa dela, onde tem lugares acessíveis. Vimos vídeos de animais com deficiência e também fez um texto com digitação de voz. É para ela também se sentir pertencente”, conta.
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Feira também é cultura
Em outro estande, a musicalidade do pandeiro, do atabaque e do reco-reco é que chamam a atenção de quem passa. Os estudantes da Emef João Palma da Silva trouxeram um pouco da ginga da capoeira para a Femucitec.
Um deles é o Juan Dias, 10 anos, que apresenta sobre os instrumentos, os graus da corda, abadás e os mestres. “Eu me sinto bem, me sinto confortável na capoeira porque não é uma luta, muito menos uma dança. É como se fosse uma família. Eu aprendi a não ter vergonha e a enfrentar o que me dá vergonha”, frisa.

Foto: Paulo Pires/GES
A pesquisa foi desenvolvida a partir das aulas feitas na escola junto com a disciplina de Educação Física, como explica a vice-diretora Caroline Maciel. “Nós procuramos trazer e fazer com que os alunos conheçam a dinâmica da capoeira como esporte, além da função da cultura afrobrasileira que é a nossa origem. E também porque temos muitos núcleos de capoeira aqui no Rio Grande do Sul”, destaca.
“Além do esporte, é cultura. Tem os instrumentos, a parte do samba de roda, tem o maculelê, parte toda teatral da puxada de rede. É tudo junto. Eles estão vivenciando isso há um ano já e também fizeram um diário”, relata a professora de capoeira, Paula Guaraldi.
Sobre a Femucitec
A feira é organizada pela Secretaria Municipal de Educação (SME), desde 2013, com a proposta de disseminar a prática de pesquisa científica entre professores e estudantes das escolas municipais, desde a educação infantil até o ensino fundamental. Alunos das salas de recursos e da Educação de Jovens e Adultos (EJA) também podem participar.
Nesta 13ª edição, 32 escolas enviaram seus trabalhos, sendo 26 Emefs e seis Escolas Municipais de Educação Infantil (Emeis). Ao todo, a feira contou 110 pesquisas inscritas nas áreas de Linguagens e ciências Humanas, Exatas e Naturais.