“A leitura engrandece a alma.” É com as palavras do filósofo francês Voltaire que a 5º edição da Pernambook ganha forma, palavra, cor e textura na Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Pernambuco, no bairro Niterói. Ao longo desta semana do livro desenvolvida na instituição, os 570 alunos se engajaram na criação de trabalhos de literatura, artes e cultura.
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Foto: Paulo Pires/GES
As produções preencheram o ginásio da escola que foi aberto à comunidade nesta sexta-feira (18) para marcar o encerramento da semana. Quem visitou o espaço pôde conferir de perto as releituras dos quadros Os Girassóis e A Noite Estrelada, de Van Gogh; livros escritos pelos próprios alunos; e biografias de escritores, como Ana Maria Machado. Além de aprender um pouco sobre criaturas folclóricas, a exemplo do Curupira, Ogopogo, Jurupari, Pamola, Dzúlum, entre outros.
No meio de tantos trabalhos, o Daniel de Moreira Cruz, 8 anos, achou o seu: um livro de rimas. Orgulhoso, ele mostra página a página o seu texto com desenhos. “Quem tem coroa, mas não é rei. É o abacaxi”, lê o estudante do 3º ano. “A professora deu para a gente o livro. Eu gostei de fazer, de pintar”, conta.
A colega de turma, Maria Luisa Cardoso Machado, 8, também queria mostrar sua produção. “Eu gostei de fazer, gostei de pintar, gostei de fazer tudo”, diz enquanto mostra seu livro de capa rosa. Pela primeira vez escrevendo um livro, a estudante sente orgulho do próprio trabalho. “Gostei de ser escritora. Vou mostrar para os meus pais”, completa.
Prestigiar o trabalho dos colegas
A feira estava aberta à comunidade, mas o ginásio não deixou de ser frequentado pelos próprios alunos que lotaram o espaço. O momento também foi apreciar o trabalho feito pelas turmas de outros anos, como fizeram a Bruna Souza, 13, e a Ryanna Truylio, 14.
As alunas do 8º ano estavam elogiando os desenhos feitos pelos colegas do 4º. “Eu achei muito legal. Acho que faz muito bem para as crianças”, destaca Bruna. “Estou achando muito interessante o que eles fizeram”, comenta Ryanna.
Já em sua turma, as estudantes desenvolveram um trabalho sobre o Diário de Anne Frank e gostaram da experiência. “Hoje em dia, nós não lemos muitos livros. Então, foi bom para aprender mais sobre a 2ª Guerra Mundial”, frisa Bruna.
Questionada se deu vontade de ler, Ryanna responde que “mais ou menos”, indicando que seu gosto pela leitura ainda precisa crescer. “Foi legal fazer o trabalho. Eu só não gosto muito de ler,. Mas se é algo que me interessa, eu leio sem problemas.”
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Do livro para as telas
Mas são telas de pintura. E de mulheres negras importantes para a história. Essa foi a atividade desenvolvida pelas turmas do 5º ano dentro do Projeto Leitura Livro (PLL). Os estudantes aprenderam sobre figuras femininas graças à obra Narrativas Negras – Biografias Ilustradas de Mulheres Pretas Brasileiras, construído pelo Coletivo Narrativas Negras.
Com adereços, tecidos e texturas, as pinturas coloridas da mostra Rainhas da Nossa História – Mulheres que Inspiram foram expostas na biblioteca da escola. Uma ala da exposição deu espaço para personalidades como Elsa Soares, Daiane dos Santos, Dandara dos Palmares, Benedita da Silva.
Mas uma é especial para a escola: Carla Iracema Amaral, pedagoga e professora na Pernambuco. A homenagem é para mostrar que mulheres negras e fortes estão presentes na comunidade, como ressalta a professora do projeto, Sandra Maria Marçal Lemos.
“Nosso intuito é mostrar a valorização das mulheres negras, o protagonismo, a identidade do novo povo. É para eles conhecerem a quantidade de mulheres negras maravilhosas que temos porque eles não conhecem e é a nossa cultura”, frisa.
O projeto de leitura vem sendo desenvolvido desde março com os alunos. “Começamos com o combate à violência contra a mulher até chegarmos nas telas. É um momento de conhecer e valorizar, principalmente a professora que faz parte do dia a dia deles”, completa Sandra.
Pernambook chega a sua quinta edição
O projeto foi idealizado por uma professora que não trabalha mais escola, mas que foi acolhido por todos desde a primeira edição, relembra a supervisora Caroline Raimundo. “Já trabalhamos clássicos diversos e os 100 anos de Clarice Lispector, por exemplo.”
“Ano passado não teve por causa da enchente. E esse ano não teve nenhum tema específico assim porque todos estavam muito ávidos para ter essa feira. Muito ansiosos e com muitas ideias. Então, cada turma trabalhou a leitura que quis”, explica a supervisora que trabalha há sete anos na escola.
Para Caroline, a semana do livro sempre deixa um legado para a escola. “É uma valorização, é mostrar a importância da leitura. Se apropriar da leitura e envolver toda a escola ajuda a valorizar a arte e a cultura”, observa. “Também tentamos trazer a comunidade, os pais e os responsáveis. Eles têm que ter esse sentimento de pertencimento dentro da escola”, completa.