De origem humilde a uma das maiores referências do teatro e da televisão brasileira, Paulo Betti chega ao Rio Grande do Sul com uma história que revisita suas origens e promete emocionar o público. O espetáculo gratuito “Autobiografia Autorizada” mistura a trajetória da família de imigrantes com a carreira de ator.
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Foto: Mauro Khouri/Divulgação
A peça será apresentada em Nova Santa Rita, na terça-feira (23), no Centro de Eventos Olmiro Brandão. Na quarta-feira (24), é a vez do público canoense assistir à peça no Teatro do Sesc Canoas, no Centro. O monólogo também vai passar pelas cidades de Gravataí e Osório.
Somando mais de 300 apresentações em todo o país e no exterior, a peça marca os 50 anos de carreira de Paulo Betti. A turnê faz parte do projeto “De Carona com a Cultura”, realizado pelo Ministério da Cultura com o patrocínio da Transpetro, via Lei Rouanet. O evento é gratuito, com ingressos disponíveis para reserva através da plataforma Sympla.
Além da apresentação, o ator deve oferecer um workshop sobre interpretação para teatro e tv para atores e atrizes aspirantes. Mas antes, o autor deu uma entrevista ao Diário de Canoas para contar um pouco da peça e suas expectativas para a apresentação no Estado.
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Confira a entrevista
Diário de Canoas: De onde surgiu a ideia de fazer esse espetáculo que mistura a vida pessoal com a carreira?
Paulo Betti: Eu decidi fazer a minha peça para contar a história dos meus antepassados. Para honrar a minha mãe, o meu pai, meu avô, minha avó. O meu avô e a minha avó eram imigrantes italianos e meu pai servente de pedreiro e a minha mãe era empregada doméstica analfabeta.
Então, eu quis contar a história dessa gente que sai da roça para viver na cidade, dessa gente que batalha pra caramba e misturar isso com uma espécie de homenagem a minha ancestralidade.
DC: Como ator, quais as diferenças entre se apresentar no teatro e estar na televisão e no cinema?
Betti: Como dizia o grande ator Paulo Autran: o teatro é do ator, o cinema é do diretor e a televisão é do patrocinador. A diferença é essa. Eu gosto de atuar nesses meios, mas evidentemente que a minha preferência é pelo teatro porque ali que eu conto, que eu digo exatamente aquilo que eu quero dizer.
DC: Tem algum ritual antes subir ao palco?
Betti: Eu tenho sim antes de entrar no palco. Eu faço um pequeno aquecimento vocal e também aquecimento físico rápido. E durmo antes de fazer essas coisas. De tarde, eu sempre pego no camarim, levo um travesseiro do hotel, que depois eu devolve, e pego uma poltrona ou um sofá no camarim e dou uma dormida antes de fazer a peça.
DC: Como tem sido rodar o Brasil com essa peça?
Betti: Tem sido muito gratificante rodar o país com a peça, graças a esse patrocínio da Transpetro, porque eu posso me encontrar com as pessoas, estar com as pessoas. Transmitir experiências e ganhar experiências.
É muito estimulante a estrada. É cansativo, é exaustivo, mas é estimulante e revigorante também.
DC: Qual a expectativa para as apresentações em Canoas e Nova Santa Rita?
Betti: A minha expectativa é muito boa porque eu acho que as pessoas vão se identificar com a minha história. Eu tenho consigo essa identificação em todos os lugares que me apresentei até hoje.
Já fiz 40 cidades de Portugal, já apresentei até na África a peça e em todos os lugares eu tive uma reação muito participativa do público. Então, acho que não vai ser diferentes nestas cidades do Rio Grande do Sul que tem ainda mais identificação com a questão da colonização italiana, com a questão daqueles que saem da roça para viver na cidade.