“Não há lugar como o lar”, dizia a pequena Dorothy para o cãozinho Totó, no clássico do cinema “O Mágico de Oz”. Pois é o sentimento que permeou a emocionante homenagem póstuma prestada à cadela Branca, na manhã desta quinta-feira (20), na Casa dos Rosa.

Foto: LEANDRO DOMINGOS/GES-ESPECIAL
O endereço que abriga o Museu Hugo Simões Lagranha abriu a exposição “A Dona da Casa”, que faz um recorte, por meio de fotografias, vídeos e textos, do período de 17 anos em que a fofa vira-lata permaneceu “hospedada” e sendo “paparicada” na casa.
Responsável pela curadoria do projeto, o chefe da unidade e gestor da Casa dos Rosa, Airan Milititsky Aguiar, brincou, durante a abertura, que passaram muitas exposições pelo endereço, porém a cadela Branca era bem mais visitada que o espaço cultural.
“A Branca era a melhor anfitriã que a Casa dos Rosa poderia ter”, afirma. “Ela tinha um enorme carisma e acompanhava os visitantes do portão até a casa ou vice-versa. Foi uma honra e um prazer poder ter passado tanto tempo com ela”.
Conforme Airan, a história da mascote começou antes mesmo da reabertura da Casa dos Rosa. Isso porque a cadela dormia na casa, embora na época passasse o dia perambulando pela área central, sendo vista comerciantes, lojistas e jornaleiros durante anos.
“A gente chegou para dar início ao processo de restauração e ela já estava morando na Casa dos Rosa”, lembra. “Houve, é claro, uma simpatia imediata, porque ela não arredava o pé e continuou com a gente até que nós a perdemos. O que fica, agora, são as boas lembranças”.
Carinho
A cadela Branca viveu 17 anos. Morreu, infelizmente, no dia 3 de março de 2024, devido a complicações renais. Estava debilitada a meses e recebia acompanhamento periódico da Secretaria do Bem-Estar Animal.
Hoje à frente da Secretaria, a militante da causa animal Paula Lopes ressaltou que a exposição e o caso da cadela Branca lembram a importância do carinho e do cuidado que recebem os animais que acabam “adotados” pela comunidade.
“É preciso um olhar diferenciado para os pets comunitários. Eles são muitos e vivem bem. Porque há cuidado, há carinho, há amor”, afirmou. “É possível que a Branca não tivesse a vida que teve se não fosse adotada por vocês”.
A Secretaria do Bem-Estar Animal aproveitou a homenagem para levar cãezinhos que aguardam pela adoção. A iniciativa foi elogiada pelo secretário de Cultura, Pinheiro Neto, que disse não haver decepção na relação entre os humanos e animais.
“Tenho cachorro em casa, então seguidamente há um sofá rasgado ou algo quebrado”, contou. “Fora isso, a gente não se decepciona com um cachorro amigo em casa. E o legado da Branca está aqui para provar o quanto é benéfica para todos esta relação”.
Financiamento
Não era ideia que a exposição saísse somente após a morte de Branca. A iniciativa surgiu há dois anos, porém houve a necessidade de investimento. Foi preciso esperar a cidade se recuperar da pandemia e da enchente.
“Infelizmente, a Branca não resistiu e morreu dias antes da abertura da exposição”, lamenta o curador Airan. “Só fica o sentimento que ela viveu bem e o suficiente para podermos homenageá-la como merece”.
Programe-se
A exposição “A Dona da Casa” pode ser vista no Museu Municipal Hugo Simões Lagranha, que fica na Rua Victor Barreto 2186, no Centro, segunda a sexta-feira, das 10 às 17 horas, e aos sábados, das 14 às 18.
A exposição é formada a partir de um ensaio fotográfico realizado por Rodrigo Silveira, um curta sobre a cadela Branca editado por Wender Zanon, mais textos do escritor Filipe Smidt Nunes.