O Hangar Cultural, no bairro Guajuviras, recebe, até 15 de junho, a exposição Diáspora Returns, do coletivo de skatistas-artistas Favela Contest. A mostra reúne obras que conectam a ancestralidade, a juventude periférica, a arte e a rua entre a África e a América do Sul.

Foto: Taís Forgearini/GES-Especial
A exposição gratuita apresenta obras de realidade aumentada, hologramas (NFTs), videomapping, fotografias e videoarte sobre a experiência vivida durante o Go Skate Day em Lagos, na Nigéria.
“Todo material foi produzido na Nigéria. Foi um intercâmbio cultural realizado pelo coletivo [Favela Contest] em 2024. Visitamos a capital Lagos e o estado de Oyó, antigamente chamado de Império de Oyó, reino Yorùbá, um dos lugares onde estão os templos dos orixás”, destaca a curadora da mostra, Izis Abreu.
A historiadora e pesquisadora ressalta que o projeto é um manifesto poético-político por meio da arte. “Os visitantes encontrarão obras que carregam memória, identidade e resistência. O trabalho feito desafia os estereótipos sobre a juventude negra, a favela e as culturas de rua”, frisa Izis.
Temas como pertencimento, racismo, marginalização do skate e a potência criativa das periferias ganham destaque pela ótica dos artistas e skatistas do coletivo.
“As obras retratam o contato com a mitologia e várias outras tradições e crenças yorubanas. A ideia é que o público possa sentir um pouco do que a gente sentiu lá, conhecendo este lugar que é diferente do Brasil, mas que tem uma relação muito profunda com nosso País. É um novo olhar sobre o tema.”
Localizado na Estrada do Nazário, 3150, no bairro Guajuviras, o Hangar Cultural conta a exposição até o dia 15 de junho, de segunda a sexta-feira, das 9 às 12 horas e das 13 às 18 horas.
Entre os destaques da exposição, está a pista de skate com projeção de imagens feitas pelo coletivo na Nigéria.
“A interatividade é uma ferramenta importante para fomentar a conexão e imersão entre os visitantes. É uma forma de fortalecer o vínculo com a arte contemporânea com os jovens, pessoas racializadas e comunidades periféricas”, diz.
Com 18 peças fotográficas, a exposição traz registros sobre skatistas nigerianos, da juventude e cultura geral. “Tanto as imagens estáticas quanto as em movimento, elas revelam a vivência com os coletivos da Nigéria.”
Durante a estadia no país africano, os gaúchos do Favela Contest tiveram contato com outros dois coletivos, que também unem skate e arte: Dencity.ng, formado somente por mulheres LGBTQIA+, e Waff.
“A exposição tem patrocínio do Programa de Incentivo à Cultura [PIC] da Prefeitura de Canoas. Já o intercâmbio tem patrocínio da Retomada Artes Visuais, da Funarte, e da Lei Paulo Gustavo, da Secretaria de Estado da Cultura”, explica a curadora da mostra.
O Favela Contest é um coletivo composto principalmente por jovens skatistas-artistas negros e periféricos de Porto Alegre, dedicado a promover esporte, arte, lazer e tecnologia nas comunidades da capital e região.
Entre as atividades promovidas pelo coletivo estão projetos curatoriais para campeonatos de skate, shows, festivais de rap, exposições de arte urbana e oficinas.