Motorista de táxi com um ponto próximo a Estação Petrobras, em Canoas, Paulo Müller diz só ouvir reclamações a cada vez que pega um passageiro com destino a Esteio ou Sapucaia do Sul.

Foto: PAULO PIRES/GES
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O problema, explica o trabalhador, é que, em horários de pico, o tráfego na BR-116 e, como consequência, na lateral Avenida Getúlio Vargas, devido ao estreitamento da pista em direção a Esteio, quase para.
“Argumento com os passageiros, mas não tem muito o que fazer desde que começaram as obras”, desabafa. “Além do estreitamento da pista, acho tudo muito mal sinalizado. Os motoristas se perdem e fica um Deus nos acuda.”
A reclamação do taxista com 56 anos não é isolada. Em, pelo menos, outros dois pontos em obras na rodovia, no lado de Canoas, os motoristas apontam o mesmo: sinalização deficitária.
Também motorista profissional, porém de aplicativo, Bruno Santos, 37 anos, aponta que não tem hora para que a confusão se instale para o condutor que entra em Canoas e se depara com os cones listrados de laranja e branco.
“Eu acho que é tudo muito mal sinalizado e largado de qualquer jeito”, opina. “Às vezes, a gente está chegando no trecho em obra e de repente encontra um cone, assim do nada, sinalizado. É muito complicado.”
O porto-alegrense Cláudio Assis, 48 anos, é vendedor externo e vem a Canoas esporadicamente. Segundo ele, por ser Canoas uma cidade que, além de ser cortada por uma BR, exige aos motoristas circularem “por baixo” do trem em alguns pontos, deveria haver cuidado maior com a sinalização.
“Canoas já tem um trânsito muito complicado, então quem vem de Porto Alegre e não conhece um pouquinho já se perde”, diz. “Agora, do jeito que ficou, cheio de cones desde a entrada da BR, piorou muito. Todo o cuidado, para quem dirige, é pouco.”
Bronca
Quando o assunto é obras na BR-116, não há ponto mais crítico que a ampliação do viaduto da Metrovel. Não importa em que sentido o motorista se desloque, desde o começo da obra, a área exige paciência do condutor.
O aposentado Paulo Renato Garcia, 63 anos, se lançou como motorista de aplicativo para reforçar a renda em casa. Lamenta sempre que precisa passar pela área, não importando a hora do dia.
“Às vezes avisam que vão trancar tudo, mas não trancam; outras vezes não avisam para ninguém e trancam do nada”, reclama. “Desde que esta obra começou, só piorou o trânsito de Canoas, que já era ruim.”
E quem está do lado de fora do veículo também reclama. Isso porque há pedestres que precisam cruzar a Avenida Getúlio Vargas em direção a Avenida Inconfidência e vice-versa, o que exige sempre muita atenção.
Carlota Santos, 44 anos, vive com medo de ser atropelada. Mesmo após o “corredor seguro” criado pelos operários do Dnit há um mês para facilitar a travessia de quem circula sob o viaduto.
“Não adianta haver um corredor seguro se a gente precisa se arriscar entre os carros para chegar nele”, afirma a auxiliar de estoque. “Porque é um suplício para passar de carro, então quando a sinaleira abre, os motoristas arrancam que nem loucos.”

Foto: PAULO PIRES/GES
Trabalho
Conforme o cronograma do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), há equipes atuando em Canoas na pavimentação da terceira faixa entre o km 256 ao km 267, próximo ao limite da cidade com Esteio. Também está em andamento o alargamento do viaduto da Metrovel, localizado no km 263 e, como parte desta obra, recapeamento e sinalização no sentido Capital-Canoas. Já para o motorista que sai da cidade em direção à Porto Alegre, há ampliação de duas para três faixas no km 267 ao km 270.
A obra mais complexa, segundo a própria autarquia, trata-se da ampliação do viaduto da Metrovel A obra no quilômetro 265 da BR-116 estava prevista dentro do Lote 1 de melhorias operacionais e de segurança viária, projetadas para a rodovia federal.
A previsão, segundo o Departamento Nacional, é que a obra completa dure, pelo menos, um ano, contado a partir do dia 1º de fevereiro, quando acabou fincada a primeira estaca na área.
Sem retorno
A reportagem entrou em contato com o Dnit para questionar sobre a possibilidade de melhoria da sinalização, no entanto, até o fechamento desta matéria, não houve retorno.