Familiares de um paciente denunciam falta de insumos básicos, más condições de infraestrutura e suposta negligência no Hospital Nossa Senhora das Graças (HNSG), em Canoas.
Hospitalizado desde o dia de 25 agosto, Eduardo Lobanowsky, 87 anos, deu entrada na casa de saúde devido a um princípio de Acidente Vascular Cerebral (AVC). Após quase duas semanas na ala 4, o idoso contraiu pneumonia. A família relata que o homem ficou quase 24 horas deitado em um colchão molhado.

Foto: Arquivo pessoal
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“Uma pessoa idosa com a saúde fragilizada ficou em cima de uma espuma molhada a noite toda. Isso tem nome: negligência e precariedade. O meu sogro precisa tomar banho no leito, ou seja, na cama. O colchão é revestido para cumprir a função de impermeável, mas isso é impossível se estiver rasgado”, lamenta a nora de Lobanowsky, Simone Ravison, 56 anos.
A publicitária conta que o colchão foi somente trocado no dia seguinte, após a família identificar a situação.
“Meu sogro ficou quase 24 horas com o colchão molhado. Ele começou a tossir muito. Percebemos que a parte impermeável apresentava rasgos. Quando descobrimos, queriam nos impedir de fazer fotos, mas fizemos. Eles trocaram o colchão depois disso. Abrimos uma reclamação na ouvidoria do hospital.”
Segundo Simone, o quadro de pneumonia foi confirmado na última quarta-feira (4).
“Ele recebeu os antibióticos no primeiro dia. Na quinta-feira, pela manhã, fomos informados de que não tinha mais estoque dos medicamentos, que estava faltando até soro, o básico do básico. O sentimento é de frustração. É humilhante, o ser humano paga tanto imposto para não receber o mínimo. É triste presenciar superlotação, pessoas nos corredores, falta até lençol. A situação é assustadora”, relata.
Simone relembra um episódio de solidariedade entre os acompanhantes dos pacientes.
“Uma enfermeira entrou no quarto e perguntou se tínhamos uma fralda para doar para uma pessoa que havia dado entrada no hospital. Disponibilizamos para ajudar. É assim, as pessoas se ajudam. Meu sogro está no quarto com mais cinco pacientes. Falta lençol para todos os leitos, se a pessoa não traz, pode ficar sem. Eles solicitam para as famílias trazerem lençol e fraldas, mas nem todo mundo tem condições financeiras.”
Sem expectativa de alta hospitalar, a família reclama de falta de informações e demora para a realização de exames.
“A comunicação não é clara. Ainda não foram feitos todos os exames necessários. Ele teve um princípio de AVC, mas não sabemos se vai precisar fazer alguma cirurgia. Ele tem diabetes e pressão alta. Na nossa opinião, o quadro de pneumonia poderia ter sido evitado. Pessoas com a saúde debilitada não podem ficar expostas ao frio”, finaliza.
O que diz o HNSG
Por meio de nota, o Hospital Nossa Senhora das Graças informou que o paciente está em tratamento com uso de antibiótico desde o dia 3 de setembro. O HNSG nega a falta medicamentos prescritos para o idoso.
“O HNSG ressalta que o paciente já apresentava lesões pulmonares e não é possível que tenha contraído pneumonia por meio de colchão molhado, porque esta patologia é contraída através de bactéria, sem relação com temperatura. Tão logo foi constatado dano no colchão utilizado pelo paciente, este foi substituído.”
Conforme a casa de saúde, a disponibilização de fraldas é de responsabilidade da família dos pacientes.
“O hospital fornece apenas quando comprovada a hipossuficiência econômica da família do paciente ou nas áreas de terapia intensiva.”