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CRISE NA SAÚDE

Filhas de paciente denunciam infiltração, mofo e falta de aparelho para exame no HNSG

Aposentado com câncer no pulmão e metástase no cérebro ficou seis dias em quarto com paredes mofadas. Hospital diz que infiltrações serão solucionadas até o fim da próxima semana

Taís Forgearini
Publicado em: 06/03/2025 às 18h:34 Última atualização: 06/03/2025 às 19h:45
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Um pai acamado e cinco filhas desesperadas devido à fragilidade na saúde pública de Canoas. A família do paciente Jorge Luiz dos Santos, 60 anos, denuncia as condições estruturais do Hospital Nossa Senhora das Graças (HNSG) e a ausência de exame para classificar o tipo de tratamento mais adequado para o aposentado com câncer no pulmão e metástase no cérebro. Fotos e vídeos enviadas pelos familiares revelam as más condições do quarto onde o paciente ficou internado por seis dias. As imagens apontam infiltração e mofo em paredes próximas aos leitos e no teto de um banheiro.

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Por meio de nota, o HNSG informou que o paciente ainda aguarda avaliação torácica e que será transferido para o Hospital Universitário para fazer o exame de fibrobroncoscopia. Sobre as condições estruturais dos prédio, o hospital alega que as infiltrações serão solucionadas até o fim da próxima semana. 

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A família questiona a situação enfrentada pelos pacientes, pois o cheiro do quarto é horrível.

“Isso faz mal para qualquer pessoa. Ainda mais para quem está debilitado. Meu pai sente muitas dores, não está conseguindo comer direito. Está fraco. O que ele está recebendo são cuidados paliativos, não se iniciou nenhum tratamento para o pulmão. Foi realizada uma tomografia e ressonância que identificou lesões no cérebro. O médico disse que ele precisaria fazer uma biópsia no pulmão, mas o exame não foi marcado. Por último, falaram que ele não precisa mais”, comenta a filha Caciane Massena dos Santos, 37 anos.



Segundo Caciane, as informações repassadas pelo HNSG são divergentes. “Falaram que existe a possibilidade de mandarem meu pai para a casa e a biópsia não precisaria mais. Não entendo. Ele precisa de um tratamento adequado. Está com a saúde frágil”, afirma a auxiliar de cozinha.

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Início da luta

Caciane relata o início da luta para conseguir atendimento para o pai idoso.



 

“Há cerca de duas semanas, meu pai passou mal. Ele estava apresentando os mesmos sintomas de quando teve um AVC [Acidente Vascular Cerebral] no ano passado. Levamos ele para a UPA [Unidade de Pronto Atendimento], lá, eles fizeram exame de sangue e mandaram ele para casa. Ele se sentiu mal novamente e levamos para o HPSC [Hospital de Pronto Socorro de Canoas]. Com a emergência superlotada, ele ficou sentado em uma cadeira até conseguir ser realocado para a sala verde. Foram oito dias nesta ala até conseguir um leito. E quando conseguiu, o quarto estava neste estado precário”, lamenta a filha de Jorge.

Problemas estruturais na sala verde também são apontados por Caciane. “Literalmente choveu na sala verde. Tinha 27 camas, todas ocupadas. A porta do banheiro que fica na sala não fechava. Uma situação caótica. Pagamos tanto imposto para passar por uma situação dessas.”

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O que diz o HNSG

Por meio de nota, o hospital informou que “o médico fez a avaliação. A enfermeira da ala conversou com ele e o mesmo disse que irá avaliar os exames de imagem e que depois, se for necessário, ele solicitará uma endoscopia. Não há nenhuma solicitação de biópsia até o momento. O que o paciente ainda aguarda é uma avaliação torácica.”

Segundo o HNSG, a unidade está sem o aparelho para realizar o exame de fibrobroncoscopia, que o paciente necessita fazer.  “O paciente deverá ser encaminhado para o Hospital Universitário (HU) para realizar o procedimento.”

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O comunicado reforça que “são dois hospitais juntos [HNSG e HPSC] e há superlotação devido às emergências do HPSC. Sobre a chuva na sala verde, o comunicado diz “as dificuldades foram enormes porque choveu muito na semana passada.”

Em relação às infiltrações, o HNSG afirma que elas serão solucionadas em até sete dias. “Os pacientes do quarto 108 estão sendo realocados para o quarto 100.”

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