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Retomada

Funai confirma abertura de processo envolvendo área ocupada por Caingangues em Canoas

Famílias estão se estruturando em antigo prédio da Previdência Social que estava em situação de abandono

Publicado em: 12/05/2025 às 15h:34 Última atualização: 12/05/2025 às 15h:44
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Na manhã desta segunda-feira (12), analistas ligados à Previdência Social visitaram o antigo prédio do Governo Federal que, desde a última terça-feira (6), serve de abrigo para 40 indígenas Caingangues.

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O pajé Pedro Garcia (de cocar) e o cacique Dorvalino estruturam área para acolher indígenas em Canoas



O pajé Pedro Garcia (de cocar) e o cacique Dorvalino estruturam área para acolher indígenas em Canoas

Foto: Paulo Pires/GES

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Eles somente constataram a presença dos indígenas e avaliaram as condições do prédio na altura da Avenida Santos Ferreira 3.030, que há anos permanecia trancado, sem nenhum tipo de atividade.

A chamada “retomada” Caingangue ganhou força e aliados nas últimas semanas. O caso já é tratado pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e pelo Ministério Público Federal (MPF).

Quem acompanha a “retomada” em Canoas é Moisés Lompa, conhecido na Funai do Rio Grande do Sul por atuar como interlocutor entre os direitos dos povos indígenas e as autoridades do Governo.

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“Foi aberto um processo para tratar sobre a retomada”, explica. “O caso é avaliado pelo MPF, já que se trata de um antigo prédio do Governo Federal em situação de completo abandono.”

Na avaliação de Moisés, a pauta é importante. Ele explica que o cacique aponta as cheias que atingiram Canoas no ano passado como um marco do isolamento da população indígena na cidade.

Conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Canoas possui uma população estimada em 340 indígenas, que vivem em diferentes pontos da cidade.

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“Canoas não tem uma reserva destinada à população indígena”, frisa. “E ao contrário do acolhimento dedicado à população, não houve nenhuma manifestação de atenção a esta parcela do povo.”

Moroso

Conforme o servidor da Funai, os Caingangues têm como característica o nomadismo, motivo pelo qual eles visam criar uma espécie de “casa de passagem” em Canoas, onde nativos teriam abrigo ao passar pela cidade.

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“O processo para isso acontecer é longo”, avisa. “Porém, começamos as tratativas e por se tratar de uma área do Governo Federal que não servia para mais nada, acreditamos que a avaliação será positiva.”

Estrutura

Enquanto documentos são redigidos no lado das autoridades, madeira é cortada, o gramado é aparado e lixo é descartado em excesso na área do antigo prédio do Governo Federal.

Segundo o cacique Dorvalino Refej Cardoso há muito trabalho a ser feito na área. Isso porque os anos de abandono cobraram um preço alto da área, com acúmulo de mato e lixo.

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“Estamos nos organizando aos pouquinhos”, diz. “Ainda resta muito lixo a ser descartado. Diferente do que a maioria pensa, meu povo não gosta de lixo. Gostamos de tudo limpinho e organizado.”

O auxílio, informa o cacique, está chegando. Banheiros químicos acabaram instalados no local e doações têm chegado com comida e mantimentos que garantem o mínimo para o grupo que está no local.

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“Precisamos de mais água”, avisa. “É o principal problema agora. O resto estamos arrumando aos pouquinhos. Resta muito trabalho a ser concluído, mas acredito que o resultado será muito bom.”

Aldeia urbana

Ao tratar do espaço indígena, em geral, vem à mente uma área de mata nativa, porém o conceito de aldeia urbana está enraizado no Brasil há década.

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É esta a proposta dos Caingangues reunidos em Canoas. Afinal de contas, a área retomada, na Avenida Santos Ferreira, é de enorme movimentação.

Segundo o IBGE, grande parte da população indígena do Brasil vive nas periferias e sofre desafios ligados a desigualdades, quase sem acesso a bens e serviços.

A invisibilidade dos indígenas entrou em pauta nas últimas décadas. Fomentou a criação das aldeias urbanas que cresceram nos últimos anos.

“A Funai supervisiona 74 pequenas aldeias somente entre o Vale dos Sinos e o Litoral Gaúcho”, explica o cacique Dorvalino. “Formaremos mais uma aldeia urbana.”

Sem retorno

A reportagem do DC entrou em contato com o Ministério Público Federal (MPF) para saber sobre as tratativas do caso. Não houve, contudo, retorno até o fechamento desta matéria.

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