Um dos casos policiais mais violentos do ano: no dia 22 de março, um homem de 49 anos acabou aprisionado pelo patrão e submetido a uma série de torturas, inclusive arrancar o próprio dedo, na oficina em que trabalhava, em Canoas.
O suspeito do crime, um homem com 42 anos, foi preso cinco dias depois, no dia 27 de março, quando a Polícia Civil esclareceu o caso e expôs detalhes sobre a tortura a que a vítima foi submetida por mais de oito horas.

Foto: POLÍCIA CIVIL/REPRODUÇÃO
Quatro meses depois, o patrão, que permanece preso na Penitenciária Estadual de Canoas (Pecan) tem um encontro marcado com a Justiça, no próximo dia 26 de setembro, quando ocorre uma audiência preliminar, em Canoas.
Segundo o Tribunal de Justiça do Estado, na audiência que ocorrerá na 2ª Vara Criminal da Comarca de Canoas, quando serão ouvidas a vítima, as testemunhas de acusação, além do interrogatório do réu.
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O objetivo é o encerramento da instrução processual, confirma o TJ-RS, que marcou para as 14 horas o início da audiência com as primeiras oitivas.
O crime investigado pela 1ª Delegacia de Polícia (DP) de Canoas culminou no indiciamento do suspeito pelos crimes de tortura e cárcere privado, segundo o delegado Marco Antônio Arruda Guns.
“Ele [o patrão] pensava que estava sendo roubado pelo funcionário, mas nada justifica tamanha raiva contra outro ser humano”, disse na época o delegado. “Além do alicate usado para cortar o dedo, a tortura incluiu furadeira, maçarico e água fervente largada nas costas da vítima.”
Aposentadoria
Desde a época do crime, o ex-funcionário, por medo de sofrer nova violência, buscou refúgio bem longe de Canoas, onde permanece com a mulher e o filho.
Por conta da tortura, após meses de uma rotina entre procedimentos cirúrgicos e alta de hospitais, ele perdeu não apenas o dedo, mas o movimento da mão.
Conforme relato da esposa do trabalhador, Clarice Silva da Silva, o marido foi considerado incapaz e deve receber a aposentadoria em breve.
“Infelizmente, ele não vai mais poder trabalhar, porque perdeu os movimentos da mão até o braço direito”, diz. “Graças a Deus, já está tudo encaminhado com o INSS.”
Entenda o caso
Ao se apresentar para trabalhar na manhã do dia 22 de março, o funcionário foi dominado com um mata-leão pelo próprio chefe na oficina onde trabalhava.
O empregador o agrediu com uma furadeira, martelo, choques elétricos e o obrigou a cortar o próprio dedo. A violência durou mais de oito horas, segundo a Polícia.
Inicialmente acorrentado, o funcionário conseguiu escapar e, posteriormente, pedir ajuda para vizinhos próximos ao local.
Dias após o crime, no dia 27 de março, a Polícia prendeu o patrão, que teria alegado que o funcionário pegou dinheiro que ele havia guardado.
“No local, foram encontrados os instrumentos usados no crime, além de uma arma de fogo, tipo garrucha, usada para ameaçar a vítima, caso tentasse escapar”, explicou o delegado Marco Guns.