Moranga, batata doce, alface, pimentão, pimenta, repolho, repolho roxo, rúcula, melão, feijão de vagem, beterraba, feijão morim, pepino, feijão preto, cabotiá, chuchu, tomate e salsinha. Assim o presidente da Horta Comunitária Santa Isabel, Arolino Gama, 70 anos, vai apontando algumas das plantas que preenchem os 2.700 m² do terreno no bairro Harmonia.
Enquanto caminha com cuidado entre os canteiros, Gama como é conhecido, lembra que a iniciativa de criar a horta partiu do aposentado Valdir Raymundo Raach, morador do bairro. “Ele teve a ideia da horta e conseguiu juntar mais pessoas para limpar o terreno e começar a plantar.”
O presidente, que também é morador do Harmonia desde 1976, se juntou logo em seguida ao grupo. “Cheguei aqui no tempo que era mata de eucalipto e depois veio o loteamento Santa Isabel”, indica o terreno. “Gosto daquilo que faço. Já fui coordenador e agora me colocaram como presidente”, comenta enquanto mostra suas plantações de couve, repolho roxo e quiabo.
CLIQUE AQUI PARA FAZER PARTE DA COMUNIDADE DO DIÁRIO DE CANOAS NO WHATSAPP

Foto: Nicole Goulart/Especial
Os vários tons de verde, de roxo e o amarelo dos girassóis dão vida a um espaço que estava abandonado até 2016. A vontade de revitalizar o local é um motivo que se repete com outras iniciativas que buscam dar utilidade a locais parecidos dentro das cidades. A Santa Isabel é mais um exemplo de é possível cultivar em espaços urbanos.
A horta é mantida por 15 horticultores no momento, sempre com espaço para mais pessoas, como explica o aposentado Naudelino Scheffer Machado, 65 anos. “Tenho 12 canteiros para não deixar ficar mato. Quando chegar mais associados, entregamos o canteiro.” Aqueles que têm interesse em manter uma plantação, precisam contribuir com uma mensalidade simbólica, usada na manutenção da horta.
SIGA O ABC+ NO GOOGLE NOTÍCIAS!
Valor dado de bom grado com retorno inestimável. “Para nós é importante. Mais de 60% dos associados são aposentados e trabalhar com a terra faz bem para a saúde. Essa é uma riqueza que temos bem perto de casa”, diz Gama.
“É uma terapia. Nos distraímos com a terra, tudo melhora. E ainda tiramos daqui um alimento saudável”, afirma Naudelino. Quando questionado sobre quantas vezes por semana vem à horta, Gama brinca dizendo que a pergunta certa é “quantas vezes ao dia”. E Naudelino responde com bom humor: “Duas, três vezes. É muita horta para trabalhar.”
Com o presidente é a mesma situação. “Normalmente venho às 6 horas e depois no final da tarde. Não trabalho nos horários de pico por causa do sol. Venho para molhar os canteiros.” Já passava das 17 horas de terça-feira (12), quando o também aposentado Leonir da Silva Nunes, 65 anos, veio atrás de uma rúcula.

Foto: Nicole Goulart/Especial
“Para nós é uma terapia. Poucas pessoas têm essa oportunidade”, afirma. O morador é vizinho de rua da horta e planta tomate, abobrinha, feijão, beterraba, alface e pepino. “Planto de tudo um pouco, bem diversificado. Quando tiramos um, plantamos outro já.” Leonir está na horta pelo menos quatro dias por semana, principalmente para regar suas hortaliças.
Resistência
Quem entra no terreno e vê uma hortaliças prontas para colher, bem cuidadas somente com adubo de composteira, não acredita que tudo foi devastado pelas cheias que atingiram a cidade em maio deste ano. “Não tinha sequer uma raiz de plantação. Encontramos até animal morto aqui dentro quando a água baixou”, conta Gama.

Foto: Nicole Goulart/Especial
Até hoje, o espaço não está em suas plenas condições. Apesar das dificuldades, a horta começou a ser reconstruída logo depois que a água baixou e a comunidade pôde acessar o local. “Ela já foi destruída por vandalismo, mas sempre demos a volta por cima. Agora não é diferente. É o símbolo da reconstrução, da resistência. A horta é um orgulho para nós”, define o presidente.
Feira aos sábados
O espaço tomado por plantas também é um local de convivência. Os associados e moradores da região podem frequentar a horta para sentar e conversar. Aos sábados, de 8h às 11h30 alguns horticultores vendem suas hortaliças em uma feira logo na entrada do terreno.
Os interessados em cultivar um canteiro, podem procurar pelo Gama no local. A reserva do espaço é feita mediante contribuição mensal simbólica. A horta também está aberta a receber doação de sementes, exceto de plantas frutíferas, milho e aipim.