Manifestantes promoveram um “tamboraço contra a intolerância” em frente à Prefeitura de Canoas no fim da tarde desta quarta-feira (26). A manifestação organizada pelo Movimento Amplo em Defesa dos Povos Tradicionais de Matriz Africana reuniu integrantes de diferentes movimentos sociais e da sociedade civil canoense.

Foto: Taís Forgearini/GES-Especial
O grupo de cerca de 150 pessoas protestou contra a conduta e posicionamento da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo. Presente no ato, o vice-presidente da Associação das Escolas de Samba de Canoas (Aesc), Daniel Scott, enfatizou o motivo da manifestação.
“Nos reunimos para pedir a exoneração do secretário da Cultura [Pinheiro Neto] e da secretária adjunta [Larissa Rodrigues]. Eles promoveram falas preconceituosas em relação aos temas utilizados pelas escolas de samba. Em reunião, ouvimos que as escolas não poderiam fazer enredos sobre religiões de matriz africana, negros e comunidade LGBTQIA+”, afirma Scott.
Durante a manifestação, a presidente da Associação Afro-Umbandista, Marli Terezinha Pereira, repudiou a situação vivenciada pelas escolas de samba. “Depois da repercussão negativa, eles negaram, mas aquele pronunciamento foi ruim e nada objetivo. A meu ver, houve intolerância e homofobia. Todos sabem que a cultura do carnaval está diretamente ligada com os orixás e negros. Pessoas preconceituosas não podem continuar no comando”, diz.
Para o Pai Tigre de Xangô, a manifestação representa a luta contra a censura e o preconceito religioso. “Não queremos mais e nem menos direitos. O que aconteceu foi grave. Exigimos que essas duas pessoas sejam exoneradas. A continuidade desses secretários na Cultura representa retrocesso em diferentes frentes. A liberdade não pode ser cerceada em um estado Laico”, salienta.
O caso de intolerância veio a público por meio de uma denúncia da Federação Nacional das Escolas de Samba (Fenasamba). A publicação alega que a exigência da administração municipal para apoiar a festividade seria somente se não houvesse enredos “sobre temas e religiões de matriz africana, negros e comunidade LGBTQIA+.”
Até as 19 horas desta quarta-feira, os manifestantes aguardavam reunião na Prefeitura.